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    Governo manterá trava no Orçamento para compensar receitas menores e subvenção ao diesel

    A equipe econômica vai manter o congelamento de recursos no Orçamento em um patamar próximo aos atuais R$ 17,9 bilhões para compensar a frustração de receitas e acomodar os custos com a subvenção aos preços do diesel, disse à Folha o ministro Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento).

    UOL
    23 de setembro de 2026 às 16:00
    Governo manterá trava no Orçamento para compensar receitas menores e subvenção ao diesel
    Homem de meia-idade com cabelo grisalho e barba rala, vestindo terno escuro e camisa branca, gesticula com as mãos à frente do rosto em ambiente interno com fundo desfocado. — Foto: UOL

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    A equipe econômica vai manter o congelamento de recursos no Orçamento em um patamar próximo aos atuais R$ 17,9 bilhões para compensar a frustração de receitas e acomodar os custos com a subvenção aos preços do diesel , disse à Folha o ministro Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento).

    O ministro Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) em seu gabinete em Brasília - Mateus Bonomi - 2.jul.26/Reuters · Mateus Bonomi - 2.jul.26/Reuters
    O ministro Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) em seu gabinete em Brasília - Mateus Bonomi - 2.jul.26/Reuters · Mateus Bonomi - 2.jul.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até teria espaço para descongelar parte dos recursos a partir de 1º de outubro, mas a opção da equipe é fazer uma reserva preventiva para os gastos futuros com o subsídio.

    Segundo o ministro, a medida evita um vaivém no Orçamento: o governo faria uma liberação agora, destravando inclusive emendas parlamentares, mas precisaria segurar gastos novamente daqui a dois meses, quando o custo com a subvenção ao diesel for efetivamente consolidado.

    "Não faz sentido esse vaivém. Então, pedi um grau adicional de prudência [nas projeções]", afirmou. De acordo com Moretti, casos pontuais que demandem atuação emergencial estão sob avaliação e, por isso, é possível haver liberação residual de verbas —mas, se isso ocorrer, serão valores baixos.

    Veja glossário de termos econômicos e fiscais
    Veja glossário de termos econômicos e fiscais — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Apesar da tendência de neutralidade na reavaliação do Orçamento, haverá uma mudança no instrumento usado para travar as despesas.

    Hoje, o governo mantém em vigor um bloqueio de R$ 17,9 bilhões nas despesas discricionárias, que são mais flexíveis e incluem ações de custeio da máquina e investimentos. O bloqueio é usado quando há necessidade de compensar um avanço maior das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários, para evitar um estouro do limite de gastos previsto no arcabouço fiscal.

    Como mostrou a Folha , as despesas com a Previdência vão cair R$ 11,5 bilhões . Além disso, haverá redução na previsão de gastos com pessoal, BPC (Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) e outros subsídios.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Uma parte desse espaço será usada para acomodar a despesa adicional de R$ 5,8 bilhões decorrente do reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família, anunciado a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições .

    Ainda assim, pelo lado das despesas, o governo teria um alívio de R$ 19,6 bilhões, o que permitiria desfazer quase todo o bloqueio. Mas será necessário manter gastos congelados por causa de outra regra: a meta de resultado primário (diferença entre receitas e despesas, sem contar o serviço da dívida).

    A meta oficial é um superávit de R$ 34,3 bilhões, mas o governo pode fechar o ano com um déficit zero graças à margem de tolerância prevista no arcabouço. Os valores não consideram exceções permitidas, que incluem parte das sentenças judiciais, projetos do Ministério da Defesa e despesas temporárias de Saúde e Educação.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O problema é que o governo precisará reconhecer uma frustração expressiva em sua previsão de receitas, em volume superior à folga de R$ 10,7 bilhões que havia em relação à meta. Para compensar isso, o instrumento usado será o contingenciamento.

    Na prática, será como destravar gastos com um botão para, em seguida, travar de novo sob outro comando.

    O primeiro fator que levará ao contingenciamento é a revisão da expectativa de arrecadação com a recém-instituída taxação de Imposto de Renda sobre dividendos. O governo esperava obter R$ 29,9 bilhões, mas o ritmo dessas receitas está bem aquém do projetado . Por isso, o valor vai cair a R$ 10,5 bilhões —ou seja, uma diferença de R$ 19,4 bilhões.

    Em julho, integrantes da Receita Federal já haviam admitido uma redução na estimativa de arrecadação com a medida para R$ 17,2 bilhões , mas isso não chegou a ser incluído nas previsões orçamentárias à época. Por isso, o efeito agora será sentido de uma só vez.

    Um segundo fator é a revisão da projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), de 2,3% para 2% . Se a atividade cresce menos, isso se reflete no quanto o governo arrecada com os tributos sobre a venda de bens e a renda de famílias e empresas.

    Há ainda um terceiro elemento: a subvenção ao diesel. O programa representa um gasto extra do governo, mas, como a guerra no Oriente Médio e seu impacto nos preços do petróleo foram enquadrados como eventos imprevisíveis, ele é executado por meio de crédito extraordinário. Essa modalidade fica fora do limite de despesas (por isso não interfere no bloqueio), mas dentro da meta fiscal (contribuindo para a necessidade do contingenciamento).

    Cada R$ 1 de subsídio ao preço do diesel custa cerca de R$ 5 bilhões ao mês. O governo já tem os dados para incorporar o impacto das subvenções contabilizadas pelas distribuidoras, mas a ideia é estimar e também incluir nas previsões o valor necessário para bancar a medida até o fim do prazo fixado atualmente, que vai até meados de outubro.

    O procedimento habitual, segundo Moretti, seria aguardar o pedido formal de crédito extraordinário, feito após a prestação das informações pelas distribuidoras, mas isso levaria a um vaivém no Orçamento que a equipe econômica prefere evitar. Segundo ele, é possível estimar o custo restante a partir dos dados já observados.

    Com isso, o governo não deve fazer nenhuma liberação significativa de recursos.

    Os números finais da revisão do Orçamento de 2026 serão divulgados nesta quinta-feira (24), prazo legal para a publicação do relatório de avaliação de receitas e despesas do quarto bimestre. Já o detalhamento das áreas atingidas pela contenção é feito no decreto de programação orçamentária, a ser publicado até 30 de setembro.

    O novo arcabouço fiscal determina que o governo observe duas regras: um limite de gastos e uma meta de resultado primário (verificada a partir da diferença entre receitas e despesas, descontado o serviço da dívida pública).

    Ao longo do ano, conforme mudam as projeções para atividade econômica, inflação ou das próprias necessidades dos ministérios para honrar despesas obrigatórias, o governo pode precisar fazer ajustes para garantir o cumprimento das duas regras.

    Se o cenário é de aumento das despesas obrigatórias, é necessário fazer um bloqueio.

    Se as estimativas apontam uma perda de arrecadação, o instrumento adequado é o contingenciamento.

    O governo segue um limite de despesas, distribuído entre gastos obrigatórios (benefícios previdenciários, salários do funcionalismo, pisos de saúde e educação) e discricionários (investimentos e custeio de atividades administrativas).

    Quando a projeção de uma despesa obrigatória sobe, o governo precisa fazer um bloqueio proporcional nas discricionárias para honrar todas as obrigações sem descumprir o limite global de gastos. Quando a estimativa cai, há espaço para liberação dos recursos travados anteriormente.

    O governo segue uma meta fiscal, que mostra se há compromisso de arrecadar mais do que gastar (superávit) ou previsão de que as despesas superem as receitas (déficit).

    Como a despesa não pode subir para além do limite, o principal risco ao cumprimento da meta vem das flutuações na arrecadação. Se as projeções indicam uma receita menos pujante, o governo pode repor o valor com outras medidas, desde que tecnicamente fundamentadas, ou efetuar um contingenciamento sobre as despesas.

    Sim. É possível que, numa situação de piora da arrecadação e alta nas despesas obrigatórias, o governo precise aplicar tanto o bloqueio quanto o contingenciamento. Nesse caso, o impacto sobre as despesas discricionárias é a soma dos dois valores.

    Na situação atual, o governo tem condições de reverter o bloqueio, mas a necessidade de contingenciamento faz com que o efeito líquido sobre as despesas seja praticamente nulo.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/governo-mantera-trava-no-orcamento-para-compensar-receitas-menores-e-subvencao-ao-diesel.shtml.

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