Governo Macron receberá estudantes após novo dia de protestos; ministro fala em 'plano de emergência'
Ministros prometem medida para substituir docentes ausentes, uma das principais reivindicações

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
O governo do presidente da França , Emmanuel Macron , recebe nesta quinta-feira (8) as três principais organizações estudantis do país, que puxaram os protestos por melhores condições de ensino que se espalharam pelo país . O encontro ocorre enquanto adolescentes continuam a bloquear escolas e marchar em várias cidades, por considerarem que ainda faltam medidas concretas para atender às reivindicações.

Os ministros da Educação , Édouard Geffray, e do Ensino Superior, Philippe Baptiste, devem receber na tarde desta quinta com representantes das entidades USL, Renouveau Lycéen e Lycéens!.
Antes do encontro, Geffray anunciou que apresentará um plano de emergência para a substituição de professores ausentes, uma das principais reivindicações .
"Temos um plano de emergência, do qual terei a oportunidade de detalhar dados precisos provavelmente nas próximas horas ou nos próximos dias", disse o ministro após uma outra reunião com alunos em Reims, no leste do país.

Ele afirmou ainda que os horários escolares, que podem chegar a aulas das 8h às 18h, além de ampla carga de lição de casa, estão em revisão, e que trabalha em melhorias no Parcoursup, plataforma criada em 2018 pela qual os formandos disputam vagas no ensino superior, criticada por ser confusa e estressante.
Desde o fim de setembro, estudantes de 15 a 18 anos bloqueiam centenas de escolas para denunciar um ambiente escolar com professores ausentes e sem substituto, salas lotadas, prédios degradados e sufocantes no calor do verão.
O movimento nasceu longe dos bairros centrais, em liceus populares da periferia parisiense, a começar por Créteil, e só depois chegou ao centro das grandes cidades e a outros territórios.

Segundo as autoridades, as aulas foram suspensas nesta quinta, total ou parcialmente, em 375 das 3.700 escolas de ensino médio do país. O Ministério da Educação informou que o número de bloqueios diminuiu ao longo do dia: 224 escolas estavam fechadas pela manhã e 157 na hora do almoço, o que significa que 96% das unidades estavam abertas.
Houve confrontos entre policiais e manifestantes em alguns pontos de bloqueio em Paris, e grandes multidões foram às ruas de cidades como Lille, Rennes, Nantes, Toulon e Marselha. Na terça-feira (7), entre 266 mil e 450 mil pessoas protestaram no país, após convocação das entidades estudantis, com apoio de pais, professores e sindicatos.
Na noite de quarta, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que "ninguém pode permanecer indiferente às angústias" dos estudantes, mas adiou as "primeiras decisões" para o fim de outubro. Prometeu "respostas concretas, rápidas e totalmente financiadas", sem apresentar medidas.

Em Rennes, Hanaa, 18, disse estar "decepcionada e pouco convencida" com as declarações do premiê. "É uma situação urgente", afirmou Salyna, 17, que lamentou a ausência de medidas antes do fim de outubro.
Uma das queixas mais presentes nos cartazes é a de que a resposta policial tem sido excessivamente dura. Desde o início do movimento, houve centenas de prisões e dezenas de feridos. Na quarta, o governo suspendeu o uso de granadas de efeito moral nas manifestações, depois que um adolescente teve a mão arrancada por uma explosão.
Os protestos ocorrem em momento delicado para o governo, que tenta aprovar no Parlamento o Orçamento de 2027, com ajuste fiscal de cerca de US$ 60 bilhões para conter o déficit elevado e uma dívida pública recorde, sob pressão dos mercados.

A menos de seis meses da eleição que escolherá o sucessor de Macron, a reação política é polarizada. A ultradireitista Marine Le Pen, favorita nas pesquisas, acusou Macron de ficar "sempre ao lado daqueles que atacam a polícia". Na terça, ela apresentou planos de cortar gastos públicos se for eleita. O esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon elogiou os manifestantes como "incríveis" e denunciou a brutalidade policial.
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante
Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/governo-macron-recebera-estudantes-apos-novo-dia-de-protestos-ministro-fala-em-plano-de-emergencia.shtml.

Manifestante segura um cartaz com os dizeres 'a revolução começa com a nossa coragem' em manifestação na Praça da Bastilha, em Paris - Kenzo Tribouillard - 8.out.26/AFP · Kenzo Tribouillard - 8.out.26/AFP — Foto: UOL
Compartilhe
Espalhe essa notícia

