Política

    Governo Lula vê relatório sobre CV e PCC como manobra segura de Trump

    Planalto avalia que pressão sobre o STF perdeu força nos EUA e daria mais desgaste eleitoral que endurecer contra as facções

    Poder360
    17 de setembro de 2026 às 20:19
    Governo Lula vê relatório sobre CV e PCC como manobra segura de Trump
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    Planalto avalia que pressão sobre o STF perdeu força nos EUA e daria mais desgaste eleitoral que endurecer contra as facções

    O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a decisão dos Estados Unidos de acusar o Brasil de falhar no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho, facções criminosas classificadas pelos norte-americanos como “terroristas” , é uma jogada eleitoral calculada e de baixo custo para Donald Trump (Partido Republicano). Seria mais confortável do que aplicar a Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

    A leitura é que o tema da segurança pública tem maior potencial de repercussão no eleitorado brasileiro do que medidas direcionadas a integrantes do STF.

    Lula exibe boné com a frase “O Brasil é dos brasileiros” durante reunião ministerial, em agosto de 2025, no auge das sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes
    Lula exibe boné com a frase “O Brasil é dos brasileiros” durante reunião ministerial, em agosto de 2025, no auge das sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A ameaça de uma nova Magnitsky foi registrada pelo Poder360 . Ela ganhou força com a divulgação de mensagens entre Alexandre de Moraes, primeiro ministro do STF sancionado pela lei americana em 2025, e Daniel Vorcaro.

    A possibilidade, porém, perdeu força depois da divulgação de mensagens que também mostram relações de Vorcaro com os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques.

    Uma nova rodada de sanções, baseada na crise no STF, também poderia ampliar o alcance da medida e facilitar a reação do governo Lula. O argumento seria de que os Estados Unidos estariam interferindo no Judiciário brasileiro e anexando a soberania do país

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    A avaliação no Planalto é que existe uma percepção negativa de Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio, no eleitorado brasileiro. Novas tentativas de interferência poderiam acabar favorecendo Lula.

    Esse seria o fator de contenção, mas p esquisas divulgadas neste ano indicaram apoio relevante entre brasileiros à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.

    A Genial/Quaest mostrou em junho que 60% dos entrevistados defendiam que o governo brasileiro adotasse essa classificação, enquanto 45% concordavam com a decisão dos Estados Unidos. O PoderData também registrou maioria favorável à medida norte-americana, com 53% dos entrevistados considerando a decisão positiva para o Brasil.

    O relatório anual enviado pela Casa Branca ao Congresso foi divulgado na 3ª feira (15.set.2026) e afirma que o governo Lula falhou em confrontar as duas facções, que teriam transformado o país em um “centro para o fluxo global de cocaína” .

    O texto cobra ação urgente do governo Lula, mas o Brasil não é classificado como produtor ou rota de drogas. Leia a íntegra (PDF – 173 kB).

    A preocupação de fundo no Planalto é que, ao tratar o crime organizado como problema de segurança nacional americana, Washington dispara um conjunto de autorizações para o uso da força à revelia do direito internacional. O governo enxerga nisso o mesmo caminho percorrido na intervenção na Venezuela que levou à captura de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda).

    Em resposta, o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) negou na 4ª feira (16.set) que existam falhas ou omissões no combate ao crime organizado transnacional. A pasta afirmou que o documento desconsidera a cooperação entre Brasil e Estados Unidos e citou ações recentes do governo, como a Lei Antifacção e o Programa Brasil contra o Crime Organizado. Eis a íntegra (PDF – 168 kB).

    O Executivo lembra ainda que Lula entregou a Trump, em Washington, uma proposta de combate ao crime organizado que nunca foi respondida. O Planalto também fala em outras incoerências na lista. A Venezuela, até o ano passado tratada como narcotraficante, saiu do documento e foi elogiada. Cuba deixou de ser citada.

    O Poder360 apurou que temas políticos relacionados ao Brasil perderam espaço nas conversas entre Lula e Trump desde 2025. Um documento norte-americano com 21 pontos, apresentado ao chanceler Mauro Vieira em Washington, incluía referências a dissidentes brasileiros. Lula orientou que democracia e soberania não entrassem nas negociações.

    Parte dos pontos migrou para as discussões comerciais da Seção 301, como etanol, desmatamento ilegal e neutralidade competitiva do Banco Central, interpretada pelo governo como uma referência ao Pix.

    Lula e Trump tiveram 7 contatos desde o início das negociações: 4 telefonemas e 3 encontros.

    O petista embarca no domingo (20.set) para Nova York e discursa na 3ª feira (22.set) na abertura do Debate Geral da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump fala logo depois.

    Não há pedido de bilateral entre os 2 presidentes. A expectativa é de um eventual cumprimento na troca de oradores.

    O discurso de Lula ainda não está fechado e deve durar cerca de 20 minutos. Paz e segurança, multilateralismo, clima, direitos humanos e combate ao crime organizado estão entre os temas previstos. A defesa da soberania e da democracia brasileiras também deve aparecer, sem menção direta a Trump ou aos Estados Unidos.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-governo/governo-lula-ve-relatorio-sobre-cv-e-pcc-como-manobra-segura-de-trump/.

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    Lula exibe boné com a frase “O Brasil é dos brasileiros” durante reunião ministerial, em agosto de 2025, no auge das sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes — Foto: Poder360

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