Política

    Governo Lula quer adiar compensação pelo fim da taxa das blusinhas

    Fazenda vai medir efeitos da isenção de US$ 50 em 3 meses e poderá enviar projeto para compensar setores prejudicados

    Poder360
    31 de agosto de 2026 às 15:40
    Governo Lula quer adiar compensação pelo fim da taxa das blusinhas
    A senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da MP da “taxa das blusinhas”, afirmou que nenhuma entidade empresarial a procurou para discutir o texto. | Ton Molina/Agência Senado - 13.jul.2026 — Foto: Poder360

    Fazenda vai medir efeitos da isenção de US$ 50 em 3 meses e poderá enviar projeto para compensar setores prejudicados

    O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu deixar para depois uma eventual compensação à indústria nacional com a manutenção da isenção do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50. A medida será incluída no texto da MP (Medida Provisória) 1.357 de 2026 , que acaba com a chamada “taxa das blusinhas” .

    A decisão foi tomada nesta 2ª feira (31.ago.2026), em reunião da relatora da proposta, senadora Leila Barros (PDT-DF), e do presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), com representantes dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, da Secretaria de Relações Institucionais e da Casa Civil, no Palácio do Planalto, em Brasília.

    A senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da MP da “taxa das blusinhas”, afirmou que "a revisão não é para rever a isenção, é para rever medidas compensatórias para os setores industriais".
    A senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da MP da “taxa das blusinhas”, afirmou que "a revisão não é para rever a isenção, é para rever medidas compensatórias para os setores industriais". — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    O texto manterá a isenção para compras de até US$ 50. A compensação aos setores produtivos não será aplicada de imediato.

    A proposta é incluir um dispositivo que obrigue o Ministério da Fazenda a avaliar os impactos econômicos da medida. A primeira análise será feita 3 meses depois. Na sequência, as avaliações deverão ser feitas a cada 6 meses.

    Caso os dados indiquem prejuízos relevantes para a indústria nacional, a Fazenda terá de apresentar um projeto de lei com medidas para reduzir os impactos.

    A avaliação deverá considerar efeitos sobre empregabilidade, mercado e competitividade dos setores nacionais. Os dados também deverão ser apresentados com transparência e poderão ser confrontados com informações fornecidas pelos setores produtivos.

    Segundo Reginaldo Lopes, a compensação imediata não é possível por causa das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal.

    “Não podemos fazer nenhuma mitigação agora, porque a Lei de Responsabilidade Fiscal […] não permite” , afirmou a jornalistas no Palácio do Planalto.

    Entre as medidas que poderão ser discutidas posteriormente estão desonerações, linhas de crédito e mecanismos de devolução de tributos para produtos nacionais.

    A proposta também mantém a autonomia da Fazenda para definir a tributação sobre compras acima de US$ 50. Para as compras até esse valor, a isenção ficará fixada em lei.

    O dispositivo sobre a reavaliação dos impactos ainda não foi discutido com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

    Leila e Reginaldo disseram que conversarão com os 2 nesta 2ª feira (31.ago) sobre a inclusão do mecanismo no texto.

    A prioridade dos congressistas é votar a proposta na comissão ainda nesta 2ª feira. Depois, o objetivo é levar o texto ao plenário da Câmara ainda hoje ou na 3ª feira (1º.set).

    A medida provisória perde a validade em 8 de setembro. Depois de passar pela Câmara, o texto ainda precisará ser analisado pelo Senado.

    Reginaldo afirmou que conversou nesta 2ª feira com representantes dos setores têxtil, calçadista e varejista. Os segmentos pressionam por medidas que reduzam a diferença de tratamento tributário entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.

    Leila disse que a inclusão da reavaliação atende a uma demanda do setor produtivo, sem criar uma compensação imediata.

    “O setor não vê [a isenção] como algo negativo. Ele entende que também é importante essa questão do lado do consumidor. Mas estamos deixando muito claro que estamos abertos ao diálogo” , afirmou a senadora a jornalistas no Palácio do Planalto.

    O texto em negociação mantém a isenção do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50. Eventuais medidas para a indústria serão discutidas somente depois da análise dos impactos da mudança.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-governo/governo-lula-quer-adiar-compensacao-pelo-fim-da-taxa-das-blusinhas/.

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    A senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da MP da “taxa das blusinhas”, afirmou que "a revisão não é para rever a isenção, é para rever medidas compensatórias para os setores industriais". — Foto: Poder360

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