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    Governo Lula muda critério para dizer que zerou fila do INSS mesmo com 235 mil pedidos atrasados

    O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o critério da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para anunciar que zerou a espera pelo benefício, mesmo com 235 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias -recorte que o próprio Executivo vinha adotando para classificar um requerimento como atrasado. Leia mais (09/03/2026 - 17h09)

    Folha de S.Paulo
    3 de setembro de 2026 às 20:09
    Governo Lula muda critério para dizer que zerou fila do INSS mesmo com 235 mil pedidos atrasados
    Três pessoas sentadas em primeiro plano, duas delas de perfil, com um gráfico de linhas projetado ao fundo. O gráfico mostra três linhas coloridas com valores numéricos ao longo de meses indicados na base, evidenciando tendências distintas. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o critério da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para anunciar que zerou a espera pelo benefício, mesmo com 235 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias —recorte que o próprio Executivo vinha adotando para classificar um requerimento como atrasado.

    O presidente Lula (PT) acompanhado do ministro da previdência, Wolney Queiroz, durante cerimônia de anúncio do fim da fila do INSS. No Palácio do Planalto. - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress
    O presidente Lula (PT) acompanhado do ministro da previdência, Wolney Queiroz, durante cerimônia de anúncio do fim da fila do INSS. No Palácio do Planalto. - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em evento com a presença do presidente no Palácio do Planalto, o ministro Wolney Queiroz ( Previdência Social ) disse que o número de pedidos pendentes caiu para 1,252 milhão em 31 de agosto, enquanto a quantidade de novos requerimentos mensais alcançou 1,394 milhão no mês passado.

    Como o estoque de pedidos ficou abaixo do fluxo de novos requerimentos, o entendimento do governo é que isso é suficiente para dizer que a fila foi zerada. No próprio documento apresentado no evento, o governo cravou: "alcançamos o atendimento sem fila".

    "Hoje, tem menos gente aguardando resposta do que os pedidos que recebemos em agosto. Estamos analisando 1,2 milhão de processos, e é importante detalhar um pouco esse número: 640 mil pedidos são super-recentes, 378 mil aguardam que o cidadão apresente algum documento que falta, e 235 mil aguardam resposta há mais de 45 dias", disse a presidente do INSS, Ana Cristina Silveira.

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    Ela disse que os pedidos que aguardam há mais de 45 dias caíram 87% em relação a janeiro (quando estavam em 1,9 milhão) e que uma parte deles corresponde a "casos de maior complexidade, que exigem análise cuidadosa e que sempre existirão em uma instituição com a dimensão do INSS". Segundo Silveira, o órgão criou grupos de trabalho específicos para tais casos.

    "Mesmo assim, podemos afirmar categoricamente que não há fila no atendimento inicial, pois o número de pedidos em análise hoje é inferior aos novos processos que entraram em agosto", acrescentou.

    Em discurso, o presidente Lula criticou declarações que dizem que a Previdência é responsável pelo déficit fiscal do país. "'O déficit é por conta da previdência, o déficit é por causa da previdência'. Não, o déficit é porque a gente tem que pagar R$1 trilhão 300 milhões de juros todo ano. Nunca aceitei jogar a responsabilidade por em cima da previdência. Nunca aceitei e não vou aceitar", declarou.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ainda em suas falas, o presidente disse que precisava de uma mulher pra consertar a Previdência, em referência à nova liderança do Instituto. "Aos poucos as mulheres vao me convencendo que elas sao mais competentes que os homens", disse. O petista trocou o comando do Ministério e do Instituto após a revelação de desvios nos benefícios, uma das principais crises de seu governo.

    Questionado por jornalistas, o ministro da Previdência disse que não houve mudança de critério e afirmou que os 235 mil pedidos são um "resíduo que não tem impacto no número gigantesco" dos pedidos.

    "Não mudamos critério nenhum. Nós estamos apreciando, analisando pedidos como nunca analisamos, e estamos concedendo benefícios como nunca concedemos. São números reais. Então não tem truque, não tem pegadinha", disse.

    Como mostrou a Folha em junho, o governo estabeleceu como meta zerar os pedidos represados do INSS até o fim de setembro, às vésperas das eleições presidenciais, diante da preocupação de que o tema fosse explorado pela oposição para desgastar a imagem do petista. Nessa época, o critério era eliminar o estoque de requerimentos à espera de análise há mais de 45 dias.

    Em entrevistas de acompanhamento desses números, tanto a presidente do INSS quanto o ministro da Previdência também focaram nessa estatística para ilustrar a evolução dos trabalhos do governo para reduzir a espera dos segurados.

    Na semana passada, durante sabatina no Jornal Nacional, o presidente adiantou que anunciaria nesta semana que a fila estava zerada.

    A redução da fila virou uma prioridade do governo no início deste ano, após o estoque acumulado de pedidos renovar recordes mês a mês, alcançando o pico de 3,1 milhões em janeiro de 2026 —acima até mesmo dos patamares observados na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando chegou a 2 milhões.

    No evento, Queiroz disse que o presidente havia dado a ele a missão de restabelecer a credibilidade do INSS e "não deixar ninguém para trás".

    Na cerimônia, ele afirmou também que o número de atendimentos do INSS tem superado os processos que entram no sistema. Em julho, por exemplo, entrou 1,4 milhão de novos pedidos e o órgão diz ter respondido 1,6 milhão. Segundo o INSS, a média de espera está em torno de 34 dias.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/governo-lula-muda-criterio-para-dizer-que-zerou-fila-do-inss-mesmo-com-235-mil-pedidos-atrasados.shtml.

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    O presidente Lula (PT) acompanhado do ministro da previdência, Wolney Queiroz, durante cerimônia de anúncio do fim da fila do INSS. No Palácio do Planalto. - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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