Governo Lula muda critério para dizer que zerou fila do INSS mesmo com 235 mil pedidos atrasados
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o critério da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para anunciar que zerou a espera pelo benefício, mesmo com 235 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias -recorte que o próprio Executivo vinha adotando para classificar um requerimento como atrasado. Leia mais (09/03/2026 - 17h09)

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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o critério da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para anunciar que zerou a espera pelo benefício, mesmo com 235 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias —recorte que o próprio Executivo vinha adotando para classificar um requerimento como atrasado.

Em evento com a presença do presidente no Palácio do Planalto, o ministro Wolney Queiroz ( Previdência Social ) disse que o número de pedidos pendentes caiu para 1,252 milhão em 31 de agosto, enquanto a quantidade de novos requerimentos mensais alcançou 1,394 milhão no mês passado.
Como o estoque de pedidos ficou abaixo do fluxo de novos requerimentos, o entendimento do governo é que isso é suficiente para dizer que a fila foi zerada. No próprio documento apresentado no evento, o governo cravou: "alcançamos o atendimento sem fila".
"Hoje, tem menos gente aguardando resposta do que os pedidos que recebemos em agosto. Estamos analisando 1,2 milhão de processos, e é importante detalhar um pouco esse número: 640 mil pedidos são super-recentes, 378 mil aguardam que o cidadão apresente algum documento que falta, e 235 mil aguardam resposta há mais de 45 dias", disse a presidente do INSS, Ana Cristina Silveira.

Ela disse que os pedidos que aguardam há mais de 45 dias caíram 87% em relação a janeiro (quando estavam em 1,9 milhão) e que uma parte deles corresponde a "casos de maior complexidade, que exigem análise cuidadosa e que sempre existirão em uma instituição com a dimensão do INSS". Segundo Silveira, o órgão criou grupos de trabalho específicos para tais casos.
"Mesmo assim, podemos afirmar categoricamente que não há fila no atendimento inicial, pois o número de pedidos em análise hoje é inferior aos novos processos que entraram em agosto", acrescentou.
Em discurso, o presidente Lula criticou declarações que dizem que a Previdência é responsável pelo déficit fiscal do país. "'O déficit é por conta da previdência, o déficit é por causa da previdência'. Não, o déficit é porque a gente tem que pagar R$1 trilhão 300 milhões de juros todo ano. Nunca aceitei jogar a responsabilidade por em cima da previdência. Nunca aceitei e não vou aceitar", declarou.

Ainda em suas falas, o presidente disse que precisava de uma mulher pra consertar a Previdência, em referência à nova liderança do Instituto. "Aos poucos as mulheres vao me convencendo que elas sao mais competentes que os homens", disse. O petista trocou o comando do Ministério e do Instituto após a revelação de desvios nos benefícios, uma das principais crises de seu governo.
Questionado por jornalistas, o ministro da Previdência disse que não houve mudança de critério e afirmou que os 235 mil pedidos são um "resíduo que não tem impacto no número gigantesco" dos pedidos.
"Não mudamos critério nenhum. Nós estamos apreciando, analisando pedidos como nunca analisamos, e estamos concedendo benefícios como nunca concedemos. São números reais. Então não tem truque, não tem pegadinha", disse.
Como mostrou a Folha em junho, o governo estabeleceu como meta zerar os pedidos represados do INSS até o fim de setembro, às vésperas das eleições presidenciais, diante da preocupação de que o tema fosse explorado pela oposição para desgastar a imagem do petista. Nessa época, o critério era eliminar o estoque de requerimentos à espera de análise há mais de 45 dias.
Em entrevistas de acompanhamento desses números, tanto a presidente do INSS quanto o ministro da Previdência também focaram nessa estatística para ilustrar a evolução dos trabalhos do governo para reduzir a espera dos segurados.
Na semana passada, durante sabatina no Jornal Nacional, o presidente adiantou que anunciaria nesta semana que a fila estava zerada.
A redução da fila virou uma prioridade do governo no início deste ano, após o estoque acumulado de pedidos renovar recordes mês a mês, alcançando o pico de 3,1 milhões em janeiro de 2026 —acima até mesmo dos patamares observados na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando chegou a 2 milhões.
No evento, Queiroz disse que o presidente havia dado a ele a missão de restabelecer a credibilidade do INSS e "não deixar ninguém para trás".
Na cerimônia, ele afirmou também que o número de atendimentos do INSS tem superado os processos que entram no sistema. Em julho, por exemplo, entrou 1,4 milhão de novos pedidos e o órgão diz ter respondido 1,6 milhão. Segundo o INSS, a média de espera está em torno de 34 dias.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/governo-lula-muda-criterio-para-dizer-que-zerou-fila-do-inss-mesmo-com-235-mil-pedidos-atrasados.shtml.

O presidente Lula (PT) acompanhado do ministro da previdência, Wolney Queiroz, durante cerimônia de anúncio do fim da fila do INSS. No Palácio do Planalto. - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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