Política

    Governo Lula diz que a atual fiscalização das bets é insuficiente

    De olho nas eleições, Executivo diz que regulação atual não conteve endividamento das famílias nem casos de dependência

    Poder360
    1 de setembro de 2026 às 20:03
    Governo Lula diz que a atual fiscalização das bets é insuficiente
    Foto: Poder360

    De olho nas eleições, Executivo diz que regulação atual não conteve endividamento das famílias nem casos de dependência

    O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que a regulamentação e a fiscalização das bets adotadas até agora não foram suficientes para enfrentar os efeitos das apostas. A avaliação foi apresentada pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, durante reunião sobre o tema nesta 3ª feira (1º.set.2026).

    Lula reuniu ministros, representantes de entidades, pesquisadores e religiosos para ouvir propostas antes de definir novas medidas. Ao final do encontro, afirmou que pretende convocar uma nova reunião do governo sobre o assunto “ainda nesta semana” .

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante evento no Palácio do Planalto
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante evento no Palácio do Planalto — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Segundo a avaliação apresentada no encontro, as apostas têm impacto na saúde pública, nas relações familiares e no endividamento da população. O governo considera que os efeitos financeiros sobre as famílias precisam ser levados em conta na discussão.

    A ministra afirmou que o crescimento das apostas tem contribuído para o endividamento dos brasileiros e para o aumento dos casos de dependência. Também citou a relação do setor com o crime organizado como um dos desafios enfrentados pelo governo.

    A reunião teve a presença da primeira-dama Janja Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Também participaram ministros como Miriam Belchior (Casa Civil), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde), Paulo Henrique Cordeiro (Esporte) e Sidônio Palmeira (Secom).

    Também estiveram presentes integrantes de organizações empresariais, bancárias, de defesa do consumidor, saúde e educação, além do cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB, e da pastora Patricia Bauer, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

    Lula busca ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico, que tem demonstrado preocupação com os efeitos das apostas. A pauta também permite ao governo abordar o endividamento das famílias, tema que ganhou espaço no debate eleitoral de 2026 e que tem sido explorado pela oposição, especialmente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    Flávio tem associado o endividamento das famílias ao governo Lula e apresentado medidas para pessoas com dívidas como uma de suas prioridades eleitorais. O endividamento alcançou 82% das famílias brasileiras em julho, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), o maior nível da série histórica pelo 6º mês consecutivo.

    Nesse cenário, o governo tenta avaliar se as medidas adotadas desde a regulamentação do setor precisam ser ampliadas. Durante a reunião, Lula afirmou que queria ouvir a sociedade antes de tomar uma decisão definitiva sobre o tema. “A verdade é que a maioria da sociedade está perdendo com isso” , declarou.

    Apesar da presença de representantes de diferentes setores, as casas de apostas não foram convidadas para o encontro.

    Participaram da reunião sobre bets no Planalto:

    O governo regulamentou o mercado de apostas de quota fixa a partir de 2025 e passou a exigir autorização federal para o funcionamento das empresas. A Fazenda também criou mecanismos para combater plataformas ilegais e estabeleceu regras para publicidade e proteção dos apostadores.

    Também criou o ECA Digital (Estatuto da Criança e do Adolescente Digital), que entrou em vigor em março e determina que sites e aplicativos de apostas impeçam o acesso de crianças e adolescentes.

    Na área da saúde, o governo criou a plataforma de autoexclusão, que permite ao usuário impedir o acesso às plataformas de apostas e o recebimento de publicidade. Segundo o ministro Alexandre Padilha, mais de 1,2 milhão de brasileiros haviam acessado o mecanismo até a reunião.

    O Ministério da Saúde também passou a oferecer atendimento psicológico para pessoas afetadas pelo uso compulsivo das apostas. Segundo Padilha, o governo contratou a oferta de consultas por meio do Meu SUS Digital.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-governo/governo-lula-diz-que-a-atual-fiscalizacao-das-bets-e-insuficiente/.

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante evento no Palácio do Planalto — Foto: Poder360

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