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    Governo libera R$ 7,7 bi em verba extra da Saúde que parlamentares tratam como emenda

    O governo Lula (PT) acelerou neste ano a liberação de uma verba extra do Ministério da Saúde a estados e municípios que já soma R$ 7,7 bilhões. Leia mais (08/24/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de agosto de 2026 às 16:00
    Governo libera R$ 7,7 bi em verba extra da Saúde que parlamentares tratam como emenda
    Deputado de cabelos grisalhos e barba curta fala ao microfone, gesticulando com as duas mãos levantadas. Ele veste terno escuro, camisa branca e gravata clara, com fundo desfocado de outras pessoas e janelas. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O governo Lula (PT) acelerou neste ano a liberação de uma verba extra do Ministério da Saúde a estados e municípios que já soma R$ 7,7 bilhões.

    O deputado Paulo Pimenta (PT) durante reunião da CPMI do INSS - Andressa Anholete - 2.out.25/Agência Senado · Andressa Anholete - 2.out.25/Agência Senado
    O deputado Paulo Pimenta (PT) durante reunião da CPMI do INSS - Andressa Anholete - 2.out.25/Agência Senado · Andressa Anholete - 2.out.25/Agência Senado — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apesar de não ser um recurso reservado a indicação de parlamentares, ao menos parte da verba é tratada por deputados e senadores, também em documentos oficiais, como uma emenda ao Orçamento .

    O recurso escapa do controle imposto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) sobre as emendas, como a exigência de divulgar o padrinho político e abrir conta específica para conseguir rastrear cada repasse.

    Sem esta camada de transparência, não é possível afirmar qual valor foi liberado por intermediação do Congresso.

    Emendas priorizam maquinário na Amazônia Legal
    Emendas priorizam maquinário na Amazônia Legal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A verba liberada até o começo de julho —ou seja, antes de a legislação eleitoral impor obstáculos para os repasses da União às prefeituras e governos estaduais— é próxima ao total distribuído no ano passado .

    O Ministério da Saúde nega que exista negociação política e diz que avalia tecnicamente as propostas dos governos locais e que este tipo de repasse existe desde a década de 1990 para complemento "emergencial" do custeio.

    A pasta diz que não existe envolvimento do Palácio do Planalto ou de parlamentares nas decisões. Afirma que são "incabíveis, portanto, quaisquer comparações com a liberação de emendas" e que tentar atribuir a influência política gera desinformação.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O ministério também diz que "parlamentares e atores políticos" têm acesso às informações públicas dos repasses e que essa atuação é legítima e não representa acordo prévio ou interferência na análise da pasta.

    O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), porém, gravou vídeos afirmando que atuou pela liberação de parte destes recursos.

    Em um dos casos, ele diz que "agilizou" repasse de R$ 200 mil para Santa Cruz do Sul. Pimenta também afirma, em outra gravação, que "assumiu o compromisso" e garantiu que fossem pagos R$ 300 mil a Benjamin Constant do Sul.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao jornal Minuano , de Bagé (RS), o prefeito Luiz Fernando Mainardi (PT) agradeceu a Pimenta pela destinação de R$ 5 milhões no mesmo tipo de repasse.

    Em nota, o deputado Paulo Pimenta (PT) disse que prefeitos de parte das cidades beneficiadas são da oposição, o que mostra que não há "apadrinhamento político" da verba. "Não se trata de emendas, esses recursos de ações dos ministérios, no caso, o da Saúde . Como deputado federal, acompanho os municípios em suas reivindicações", disse ele.

    Em outro caso, a prefeitura de Planalto (PR) disse nas redes que recebeu "emenda individual" da deputada Gleisi Hoffmann (PT) de R$ 600 mil, mas a verba, na verdade, é do Orçamento próprio da Saúde.

    Publicações em redes sociais e sites oficiais ainda mencionam apoio de parlamentares de diferentes posições políticas.

    A Câmara de Vereadores de Chapada (RS), por exemplo, publicou que o município recebeu cerca de R$ 200 mil por indicação do senador Heinze (PP-RS). O prefeito de Mineiros (GO), Aleomar Rezende (MDB), afirmou nas redes sociais que o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) destinou R$ 1,3 milhão ao município da mesma verba da Saúde.

    A verba extra da Saúde é oficialmente classificada neste ano como uma "parcela suplementar". A liberação exige que os governos locais insiram no sistema InvestSUS propostas de uso da verba.

    O ministério também cobra que parte do dinheiro seja aplicado em programas prioritários do ministério, como o Agora Tem Especialistas.

    Documentos internos de estados e municípios, porém, mostram que as secretarias de saúde só elaboram parte das propostas depois de receber ofícios em que parlamentares informam que determinado valor está disponível.

    A ex-deputada Lenir de Assis (PT-PR) informou ao governo de Londrina que havia destinado R$ 400 mil ao município "por intermédio" do Ministério da Saúde. Meses mais tarde, ela publicou nas redes sociais que a verba foi liberada como recurso "extra" para um hospital da cidade.

    Uma planilha da prefeitura de Londrina obtida pela Folha também aponta que foram protocolados pedidos de R$ 16,55 milhões em parcela suplementar da Saúde, sendo que o deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) teria indicado duas ações somando R$ 5 milhões. A verba já foi paga, segundo dados da Saúde.

    A reportagem também localizou um ofício em que a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) disse para a prefeitura de Canoas que obteve R$ 400 mil para a cidade. Após receber o documento, a prefeitura protocolou a proposta de uso da verba, que já foi paga pelo governo federal.

    A prefeitura de Canoas disse à reportagem que buscou recursos destinados à manutenção dos serviços públicos de saúde por causa do "cenário excepcional" causado pelas enchentes dos últimos anos. Diz ainda que a verba não é uma emenda parlamentar, mas repasse previsto em portaria da Saúde, "acessível aos municípios que atendem aos critérios estabelecidos".

    Documento interno do governo do Distrito Federal de fevereiro também registrou que o gabinete da deputada Erika Kokay (PT-DF) informou por telefone que havia destinado R$ 3 milhões para um hospital público. Desde então, o governo local tem trabalhado em uma proposta para protocolar no Ministério da Saúde.

    A deputada confirmou à Folha que havia procurado o ministério para obter o recurso. Disse que a pasta "verificou a disponibilidade de verba extraordinária" e que também indicou outra ação de R$ 2 milhões.

    O governo do DF disse que é "legítimo e esperado" que parlamentares "articulem junto ao governo federal a priorização de recursos", mas que a liberação da verba exige a apresentação de proposta. A gestão da capital federal também disse que pede a liberação de mais de R$ 1 bilhão ao ministério.

    Cerca de 90% da verba extra liberada neste ano foi destinada aos fundos municipais. As prefeituras da Bahia foram as principais beneficiadas, concentrando R$ 671,25 milhões, sendo seguidas pelas do estado do Rio de Janeiro, com R$ 646,67 milhões.

    O município de Duque de Caxias (RJ) é o que mais recebeu recursos deste tipo, R$ 116,71 milhões, seguido de Campina Grande (PB), com R$ 96,7 milhões.

    Já o fundo estadual de São Paulo é o que mais recebeu verbas em parcelas suplementares entre as unidades da federação, somando R$ 223,77 milhões. Em seguida, o governo do Amapá recebeu R$ 150 milhões.

    Em nota, o Ministério da Saúde afirma que a verba foi distribuída a todos os estados e 3.438 prefeituras. "Ou seja, a 61% das cidades do país, mesmo que sejam administradas por partidos de oposição ao governo", diz a pasta.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/governo-libera-r-77-bi-em-verba-extra-da-saude-que-parlamentares-tratam-como-emenda.shtml.

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    O deputado Paulo Pimenta (PT) durante reunião da CPMI do INSS - Andressa Anholete - 2.out.25/Agência Senado · Andressa Anholete - 2.out.25/Agência Senado — Foto: Folha de S.Paulo

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