Governo do DF volta atrás e diz que vai liberar verba para o Festival de Brasília
A governadora Celina Leão (PP), do Distrito Federal, voltou atrás e determinou a liberação do dinheiro necessário à organização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro , um dos mais tradicionais do país. Leia mais (08/10/2026 - 18h30)

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A governadora Celina Leão (PP), do Distrito Federal, voltou atrás e determinou a liberação do dinheiro necessário à organização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro , um dos mais tradicionais do país.

Segundo publicação da governadora na rede social X (ex-Twitter), a data de realização do festival, de 11 a 19 de setembro, também está mantida.
Nesta segunda-feira (10), a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal havia informado à produção do evento que não faria o repasse de R$ 3 milhões necessários para deixar o evento de pé. A pasta foi procurada nesta segunda-feira, mas não respondeu.
O governo do Distrito Federal está sob ajuste fiscal para tentar salvar o BRB , o Banco de Brasília, em crise pelo envolvimento com o escândalo financeiro do Master.

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro teve sua primeira edição em 1965 e só não foi realizado em 1972, 1973 e 1974, censurado pela ditadura militar. A edição de 2020 também chegou a ser cancelada em junho de 2020 , também por falta de verbas, mas o evento acabou ocorrendo no final daquele ano, após forte mobilização do setor.
Sem o repasse do governo, a realização do festival seria inviável, disse nesta tarde o diretor-geral de produção do Festival de Brasília, Henrique Rocha.
A primeira parcela do repasse do governo distrital, de R$ 1,5 milhão, deveria ter sido feita em junho. A soma é necessária para viabilizar a etapa de pré-produção do evento. Outro R$ 1,5 milhão ainda deverá ser repassado em duas parcelas: R$ 1 milhão na semana do festival e R$ 500 mil depois do encerramento.

Na sexta (7), a governadora havia dito que "essa parte de eventos sofreu um grande corte, sim" . Segundo ela, despesas em outras áreas são prioritárias, como saúde, limpeza e transporte público.
A governadora não chegou a confirmar que o festival seria cancelado, mas afirmou que os cortes eram previstos. "Ninguém dá uma festa na sua casa, ou faz um cinema, ou faz um show, se não tiver dinheiro para resolver problema de saúde, problema de transporte. Nossa decisão foi tomada; nós tivemos que cortar gastos."
O BRB, para quem o governo do Distrito Federal tenta viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, é o principal patrocinador do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

O banco informou que o patrocínio de R$ 750 mil está confirmado. O problema, para a produção, é que o contrato prevê que o repasse seja feito por reembolso. Ou seja, após a realização do festival, o BRB reembolsaria a produção por despesas até esse valor.
O calendário para viabilizar o evento já está apertado. Além de cerca de 40 pessoas envolvidas na produção e que ainda não foram remuneradas, o festival precisa comprar passagens, contratar hospedagens e receptivos para cerca de 50 realizadores selecionados para a mostra competitiva e para os integrantes do júri oficial.
Há ainda fornecedores, designers e contratos para a construção de infraestrutura do segundo local de exibição dos filmes. A casa do festival é o Cine Brasília, que também sofreu recentemente com o ajuste fiscal determinado pelo governo.

Um dos últimos cinemas de rua do Brasil ainda em funcionamento e parte do complexo arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer, o cinema chegou a ficar três meses sem repasses do governo do Distrito Federal, mas a situação foi regularizada.
Nas últimas semanas, a organização do festival e técnicos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal estiveram reunidos mais de uma vez para tentar chegar a uma solução. A pasta vinha pedindo a liberação do dinheiro, sem sucesso.
O repasse pelo governo distrital foi previsto em 2024, quando o governo do Distrito Federal fechou contrato com o Instituto Alvorada Brasil para a realização de três edições do festival. A secretaria vinha dizendo que não havia decisão de cancelamento ou adiamento do evento.

Além das exibições, o festival também promove o chamado "ambiente de mercado", em que realizadores apresentam seus projetos para grandes produtores e possíveis financiadores. Para este ano, estão previstas também oficinas de figurino, pós-produção, crítica em cinema, atuação e montagem.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/festival-de-cinema-de-brasilia-e-cancelado-por-falta-de-repasses-de-verba.shtml.

Sessão de abertura do Festival de Cinema de Brasília, em 2025, quando foi exibido O Agente Secreto - Raquel Camargo-13.set.25/Divulgação · Raquel Camargo-13.set.25/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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