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    Governo de Singapura aposta em app de namoro para combater queda da natalidade

    Um algoritmo criado por um vencedor do Nobel de Economia é a aposta do governo da Singapura para aumentar a taxa de natalidade no país. Leia mais (09/30/2026 - 14h14)

    Folha de S.Paulo
    30 de setembro de 2026 às 17:14
    Governo de Singapura aposta em app de namoro para combater queda da natalidade
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Singapura | Financial Times Um algoritmo criado por um vencedor do Nobel de Economia é a aposta do governo da Singapura para aumentar a taxa de natalidade no país.

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    Silhueta de casal - Adobe Stock · Adobe Stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O governo lançou neste mês uma plataforma de encontros chamada FirstDate, em caráter experimental, com um algoritmo que indica uma pessoa compatível com os interesses do usuário. Voltada para servidores públicos de 21 a 35 anos, ela conta com uma ferramenta adicional que sugere atividades para os encontros.

    "A FirstDate começou com uma pergunta feita por um grupo de funcionários da GovTech: ter mais combinações em potencial necessariamente facilita encontrar uma pessoa compatível?", diz o site.

    O aplicativo, que entra em um mercado já saturado de apps de relacionamento e serviços de formação de casais mais personalizados, é a mais recente tentativa de Singapura de reverter a queda da natalidade, que transformou a cidade-Estado em um dos países de envelhecimento mais acelerado do mundo.

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    Com uma população de pouco mais de 6 milhões de habitantes, Singapura registrou no ano passado uma taxa de fecundidade mínima histórica de 0,87 filho por mulher, ante 0,97 em 2024, aproximando-se da taxa sul-coreana de 0,8 —a menor do mundo. Demógrafos acreditam que, na ausência de saldo migratório positivo, é necessário um patamar de 2,1 para manter a população estável.

    No mês passado, o primeiro-ministro Lawrence Wong anunciou um pacote de medidas para incentivar as famílias a ter mais filhos, incluindo a oferta aos pais de mais de US$ 55 mil (R$ 284,98 mil) por filho até os 17 anos.

    A queda da natalidade —somada aos avanços na saúde que aumentaram a expectativa de vida— colocou Singapura no caminho para se tornar, ainda este ano, uma sociedade "superenvelhecida", definida pela ONU como aquela em que mais de 21% da população tem 65 anos ou mais. Até 2030, espera-se que um em cada quatro habitantes esteja nessa faixa etária.

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    A FirstDate não é a primeira tentativa do governo de Singapura de bancar o cupido para a população. Em 1984, foi criada a Unidade de Desenvolvimento Social, uma agência de formação de casais destinada a incentivar o casamento entre pessoas com diploma universitário.

    A política foi adotada em resposta a dados do Censo que mostravam uma queda nas taxas de casamento entre mulheres com formação universitária, já que os homens escolhiam parceiras com níveis mais baixos de escolaridade —tendência que não se repetia entre as mulheres.

    A constatação levou Lee Kuan Yew, ex-primeiro-ministro e fundador da Singapura moderna, a fazer um discurso controverso no qual defendia que os homens escolhessem esposas intelectualmente superiores.

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    "Se vocês não incluírem as mulheres com formação universitária no contingente reprodutivo e as deixarem encalhadas, acabarão tendo uma sociedade mais estúpida", afirmou. "E o que acontece então? Haverá menos pessoas inteligentes para sustentar pessoas estúpidas na próxima geração. Isso é um problema."

    A Ásia despontou como uma região-chave para o crescimento dos aplicativos de relacionamento, à medida que o cansaço com a dinâmica de deslizar o dedo para um dos lados para mostrar interesse na pessoa se instala nos mercados da América do Norte e da Europa, e o estigma em torno dos encontros online diminui na região, levando mais mulheres às plataformas.

    A privacidade dos dados é outra preocupação em Singapura, cuja população tem grande familiaridade com o mundo digital, mas é particularmente vulnerável a golpes.

    A FirstDate também usa a ferramenta governamental de autenticação de identidade —vinculada a uma ampla gama de dados pessoais, como endereço e estado civil— para proteger a privacidade dos usuários e excluir pessoas casadas que fingem ser solteiras.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/ia/2026/09/governo-de-singapura-aposta-em-app-de-namoro-para-combater-queda-da-natalidade.shtml.

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