Governo Bolsonaro não fez correção de rumo fiscal, diz Durigan à CNN
Ministro da Fazenda defendeu que contas públicas foram arrumadas por ele e seu antecessor na pasta, Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a gestão das contas públicas pelo governo Lula em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (8).
O chefe da equipe econômica apontou que o terceiro mandato do petista vai encerrar com as contas positivas, enquanto a gestão antecessora não foi capaz do mesmo.
"No governo Bolsonaro não foi feito nenhuma correção de rumo fiscal. O risco-país piorou. O endividamento público piorou quando toma o começo e o fim. Uma série de medidas que não seguiram a boa prática fiscal foi feita", afirmou Durigan, indicando que foi o governo de Jair Bolsonaro (PL) que permitiu o descontrole nos cadastros do programa Bolsa Família (à época, Auxílio Brasil).

"A gente está organizando contas positivas. Quem organizou as contas do país foi o ministro Fernando Haddad, comigo", pontuou, ressaltando que os projetos orçamentários para o próximo ano preveem superávit fiscal por parte do governo federal.
O ministro ressaltou ainda que é necessário "fugir" da ideia de que o governo teria gastado além das contas, afirmando que o endividamento público crescente é decorrente dos juros altos do país e não do resultado primário em si.
Em relação ao concorrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL), Durigan taxou suas propostas para o cenário fiscal como "promessas vazias", comparando-as a um "pastel de vento".

"Ninguém entendeu. Diz que não vai prejudicar os mais pobres, mas basta olhar o modelo no qual Flávio se inspira, que é o do [presidente da Argentina, Javier] Milei. Que trata com ansiedade. Não adianta alta dosagem sobre endividamento, e não olhar para crescimento e emprego", argumentou o ministro.
"O que prometemos daqui pra frente não é ilusão. Porque nós apresentamos um orçamento positivo, diferente do que vem acontecendo há uma década", pontuou.
Ainda sobre a agenda do candidato do PL, o ministro da Fazenda rebateu as críticas feitas à reforma tributária e defendeu que se Flávio for em frente com a proposta de puxar um freio sobre a medida , o Brasil vai ficar entre os piores modelos tributários do mundo.

"Quem quer mudança, não pode trazer retrocesso."
Durigan foi enfático ao apontar que "não existe cavalo de pau na economia" ao ser questionado sobre como seria a política econômica de um eventual Lula 4.
"É um organismo que tem que ser tratado de maneira responsável. Desde 2024 as contas estão equilibradas. Não chegamos no fim do processo. Precisamos ter resultado positivo? Sim, mas de maneira que não mate o organismo como um todo", declarou, ressaltando que os responsáveis pela arrumação das contas públicas foram ele próprio e seu antecessor na Fazenda, Fernando Haddad .
Sobre o impacto fiscal de pautas aprovadas na reta final da campanha, como o reajuste do Bolsa Família e o fim das bets, o ministro afirmou que as medidas só foram aprovadas após a calculadora conferir que havia sim espaço para acomodá-las ao orçamento.
"Só teve aumento com orçamento verificado. Não houve 'PEC Kamikaze', calote de precatório", respondeu, referenciando-se a ações tomadas no final do governo Bolsonaro.
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/governo-bolsonaro-nao-fez-correcao-de-rumo-fiscal-diz-durigan-a-cnn/.

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