Governadora de Nova York troca responsável por investigação de estupro coletivo em universidade
A governadora de Nova York , Kathy Hochul, nomeou nesta sexta-feira (2) a procuradora-geral do estado, Letitia James, como promotora especial para investigar o suposto estupro coletivo de uma estudante por sete integrantes de uma fraternidade da Universidade Cornell, em 2024. Leia mais (10/02/2026 - 12h23)

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A governadora de Nova York , Kathy Hochul, nomeou nesta sexta-feira (2) a procuradora-geral do estado, Letitia James, como promotora especial para investigar o suposto estupro coletivo de uma estudante por sete integrantes de uma fraternidade da Universidade Cornell, em 2024.

A decisão ocorre após a repercussão da recusa inicial dos promotores locais em apresentar acusações criminais. Ela reacende o debate sobre uma brecha na legislação estadual que pode dificultar a responsabilização de agressores quando a vítima consumiu álcool ou drogas voluntariamente.
O caso ganhou repercussão nacional após a estudante afirmar, em uma ação civil , que foi dopada com cetamina, agredida e estuprada por sete integrantes da Chi Phi, uma fraternidade masculina, em 2024. Segundo a denúncia, os abusos ocorreram na sede da organização estudantil.
A investigação foi reaberta na segunda-feira (28), após a apresentação da ação civil, que também questiona a atuação da universidade . A decisão inicial dos promotores de não apresentar acusações criminais provocou indignação nos Estados Unidos .

A legislação de Nova York estabelece uma distinção entre intoxicação voluntária e involuntária. Pela definição atual, a incapacidade mental ocorre quando a pessoa fica temporariamente impossibilitada de avaliar ou controlar sua conduta devido ao uso de substâncias administradas sem seu consentimento. A regra pode dificultar o enquadramento criminal de casos em que a vítima consumiu álcool ou drogas por iniciativa própria, mas ficou incapacitada de consentir.
Hochul prometeu trabalhar com o Legislativo estadual para alterar a lei. "Não deveria importar se elas escolheram consumir drogas ou álcool. A intoxicação voluntária não é uma licença para agressão sexual ou estupro coletivo. Ponto final", afirmou a governadora a jornalistas nesta sexta.
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Ela também criticou a condução da investigação inicial. Segundo Hochul, a estudante relatou detalhadamente o ocorrido à polícia e afirmou ter absoluta convicção de que havia sido estuprada. "Em que mundo a polícia ouviria de uma vítima que ela foi literalmente estuprada em grupo enquanto estava intoxicada, dentro da sede de uma fraternidade, e não encaminharia as acusações ao promotor?", questionou.
James, que já enfrentou repetidos embates com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá "revisar os fatos, reunir provas, entrevistar testemunhas e, se houver justificativa, apresentar acusações criminais".
O promotor do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, afirmou nesta semana que pretende apresentar acusações contra os sete homens. Segundo ele, a decisão de não processá-los em 2024 ocorreu porque o depoimento da estudante não teria demonstrado ausência de consentimento.
Após as denúncias, Cornell fechou a fraternidade e suspendeu temporariamente os estudantes supostamente envolvidos. Alguns deles foram posteriormente expulsos.
Na quinta-feira (1º), estudantes da universidade realizaram uma reunião no campus, marcada por manifestações de indignação. Os participantes criticaram os administradores da instituição pela maneira como conduziram o caso, que ganhou repercussão nacional.
"Nenhuma autoridade pública pode simplesmente fechar os olhos quando o sistema falha e deixa de proteger nossos jovens. Como governadora, não permitirei que ninguém abafe este caso", afirmou Hochul.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/governadora-de-nova-york-troca-responsavel-por-investigacao-de-estupro-coletivo-em-universidade.shtml.

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, anuncia ao lado da procuradora-geral Letitia James a nomeação desta como promotora especial no caso de estupro coletivo contra uma estudante da Universidade Cornell - Spencer Platt 2.out.26/Getty Im — Foto: Folha de S.Paulo
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