Brasil

    Gordura na barriga pode revelar risco cardíaco despercebido pelo IMC

    Estudo com mais de 260 mil pessoas mostra que medidas da cintura podem identificar riscos cardiovasculares que o IMC não revela sozinho

    Metrópoles
    12 de agosto de 2026 às 12:15
    Gordura na barriga pode revelar risco cardíaco despercebido pelo IMC
    Foto: Metrópoles

    Ter o peso considerado normal não significa necessariamente estar livre de um risco cardiovascular aumentado. Um estudo publicado nesta terça-feira (11/8) no Journal of the American College of Cardiology (JACC) mostra que a concentração de gordura na região abdominal pode revelar riscos que o índice de massa corporal (IMC) não identifica sozinho.

    Pesquisadores analisaram mais de 260 mil pessoas, acompanhadas por cerca de 20 anos, em média. Eles compararam o IMC com a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril e observaram a ocorrência de nove desfechos, incluindo infarto, AVC, insuficiência cardíaca e mortes por doenças cardiovasculares.

    Pessoas com IMC normal ou sobrepeso, mas com medidas abdominais elevadas, apresentaram risco de 15% a 50% maior para a maioria dos problemas avaliados.

    Magnific
    Magnific — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O IMC relaciona peso e altura, mas não mostra onde a gordura está concentrada. Duas pessoas com o mesmo índice podem, portanto, apresentar distribuições de gordura bastante diferentes.

    A circunferência da cintura e a relação cintura-quadril ajudam a identificar a chamada adiposidade central, que é a concentração de gordura na região abdominal.

    As medidas não determinam diretamente a quantidade de gordura ao redor dos órgãos , mas acrescentam informações sobre o risco que o IMC sozinho pode deixar escapar.

    foto colorida de homem segurando pele/gordura da barriga - Metrópoles.
    foto colorida de homem segurando pele/gordura da barriga - Metrópoles. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Nossas descobertas enfatizam o papel fundamental de identificar a adiposidade central elevada, mesmo em indivíduos com IMC normal ou na faixa de sobrepeso”, afirmou Zeina A. Dardari, principal autora do estudo, em comunicado do American College of Cardiology (ACC). O que o estudo encontrou 5% das pessoas com IMC normal tinham cintura elevada e 18% apresentavam relação cintura-quadril alta; Entre participantes com sobrepeso, 39% tinham cintura elevada e 40%, relação cintura-quadril alta; Pessoas com peso normal ou sobrepeso, mas medidas abdominais elevadas, apresentaram risco de 15% a 50% maior para a maioria dos desfechos; Entre pessoas classificadas com obesidade pelo IMC, 9% tinham cintura baixa e 45% apresentavam relação cintura-quadril baixa. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo destacaram que algumas pessoas consideradas dentro do peso normal apresentavam adiposidade central elevada e maior risco para a maioria dos problemas avaliados.

    O estudo não indica que o IMC deva ser abandonado ou que uma fita métrica seja suficiente para determinar o risco de uma pessoa. A conclusão é que medir a distribuição da gordura pode complementar a avaliação baseada no IMC.

    O trabalho também é observacional. Portanto, identifica associações, mas não permite afirmar que a gordura abdominal tenha causado diretamente os problemas cardiovasculares registrados.

    Imagem da matéria
    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Entre as limitações, os pesquisadores não tinham informações sobre atividade física, alimentação e risco genético para obesidade. Além disso, cintura e relação cintura-quadril foram medidas apenas uma vez, impedindo avaliar mudanças na gordura abdominal ao longo dos anos.

    Ainda assim, os resultados mostram que olhar somente para peso e IMC pode deixar parte do risco cardiovascular escondida. A região onde a gordura se concentra também pode trazer informações importantes sobre a saúde do coração.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/gordura-na-barriga-risco-cardiaco-imc.

    Imagem 1
    1 / 3

    Magnific — Foto: Metrópoles

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)