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    Google usa 200 mil hectares de arroz no Brasil contra mudanças climáticas

    Projeto no Rio Grande do Sul combina redução de metano nas lavouras com remoção de CO₂ por meio de rochas moídas e pode ser ampliado para outras áreas produtoras

    CNN Brasil
    16 de setembro de 2026 às 13:13
    Google usa 200 mil hectares de arroz no Brasil contra mudanças climáticas
    Foto: CNN Brasil

    O Google vai apoiar um projeto climático em mais de 200 mil hectares de lavouras de arroz no Rio Grande do Sul que combina duas estratégias diferentes: reduzir rapidamente as emissões de metano do cultivo e remover, de forma permanente, dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.

    A iniciativa é uma parceria com a Terradot, empresa especializada em remoção de carbono por meio do chamado intemperismo acelerado de rochas ( Enhanced Rock Weathering , ou ERW) e da qual o Google é investidor.

    Segundo as empresas, trata-se do maior projeto de ERW já anunciado no mundo e também da primeira iniciativa em escala desse tamanho a combinar redução de um “superpoluente”, como o metano, com remoção durável de CO₂.

    • Divulgação Terradot · • Divulgação Terradot
    • Divulgação Terradot · • Divulgação Terradot — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Pelo acordo, o Google comprará o equivalente a 1 milhão de toneladas de impacto na redução de metano a curto prazo até 2030 e 1 milhão de toneladas de impacto na remoção de carbono até 2040 , tornando esta a sua maior compra de remoção de carbono até o momento.As duas frentes serão geradas e verificadas separadamente.

    A diferença entre os dois números é importante. O primeiro não significa que 1 milhão de toneladas de CO₂ serão retiradas da atmosfera. Trata-se da redução das emissões de metano, convertida em CO₂ equivalente. Já a segunda meta corresponde efetivamente à remoção permanente de CO₂ por meio das rochas.

    O primeiro passo será mudar a forma como parte das lavouras é irrigada. A Terradot vai ajudar produtores a adotar o Alternate Wetting and Drying (AWD), ou irrigação de molha e seca alternadas. Em vez de manter os campos permanentemente alagados, o manejo prevê períodos de drenagem antes de uma nova irrigação.

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    A mudança reduz as condições que favorecem a formação de metano nos arrozais. O gás é considerado um dos principais responsáveis pelo aquecimento global no curto prazo e permanece na atmosfera por cerca de uma década, em contraste com o CO₂, que se acumula por séculos.

    O projeto também prevê benefícios econômicos para o produtor. Segundo Terradot e Google, o manejo pode reduzir o consumo de água e os custos com insumos .

    O arroz é particularmente relevante para a agenda do metano. Estimativa citada pela Reuters aponta que os arrozais respondem por cerca de 10% a 12% das emissões globais de metano .

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    É na segunda etapa que entra a tecnologia da Terradot. A empresa vai espalhar rocha vulcânica moída, principalmente basalto , nas mesmas áreas onde será adotado o novo sistema de irrigação.

    O processo conhecido como intemperismo acelerado de rochas aumenta a velocidade de uma reação que ocorre naturalmente. Quando a água da chuva entra em contato com determinados minerais presentes na rocha, ocorre uma reação química que contribui para retirar CO₂ da atmosfera.

    Ao triturar a rocha e espalhá-la sobre o solo agrícola, aumenta-se a superfície de contato e acelera-se o processo.

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    Segundo a Terradot, o carbono removido dessa maneira pode permanecer armazenado por mais de 10 mil anos . Além da remoção de carbono, a aplicação da rocha pode melhorar características do solo, outro possível benefício para a agricultura.

    Essa é a principal novidade do projeto. A redução do metano produz um efeito climático mais rápido, enquanto a remoção de CO₂ pelas rochas acontece mais lentamente, à medida que o material se dissolve no solo.

    A proposta da Terradot e do Google é usar as duas tecnologias como uma espécie de “ponte”. Ocorte do metano gera impacto climático imediato enquanto a remoção permanente de carbono ganha tempo para acontecer.

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    Análise: Brasil deve cobrar o preço certo pelo crédito de carbono — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo comunicado das empresas, o Rio Grande do Sul foi escolhido porque reúne características consideradas favoráveis para a tecnologia, como solos tropicais, clima quente e úmido, sistemas de arroz irrigado e proximidade de jazidas de basalto .

    O projeto inicial envolve mais de 200 mil hectares, mas a ambição é maior. O Brasil possui mais de 1,5 milhão de hectares cultivados com arroz , e as empresas dizem que o modelo foi desenhado para ser replicado em toda essa área.

    Depois, a ideia é levar a tecnologia para outros países produtores de arroz, como Índia e Vietnã. A Terradot prevê projetos-piloto em diferentes países em 2026 e expansão comercial a partir de 2028.

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    Mercado de carbono amplia procura por inventários em propriedades rurais — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O valor do novo acordo entre Google e Terradot não foi divulgado . Também não foi informado quanto da receita gerada pelos créditos climáticos ficará com os produtores de arroz.

    Em um acordo anterior, anunciado em 2024, o Google comprou 200 mil toneladas de créditos de remoção de carbono da Terradot e também investiu na empresa.

    Segundo informações divulgadas pela Reuters, um contrato anterior envolvendo 90 mil toneladas de remoção de carbono da Terradot indicava preço próximo de US$ 300 por tonelada . A empresa afirma que o novo projeto terá custo menor, embora ainda não tenha chegado ao patamar de US$ 100 por tonelada que muitos desenvolvedores consideram necessário para ampliar o mercado.

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    Canadense prevê R$ 955 milhões para projeto de terras raras e titânio em MG — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O Google afirma que o projeto faz parte de uma estratégia para combinar ações contra gases de efeito estufa de diferentes durações, com a redução rápida dos chamados superpoluentes, como o metano, e ampliação simultânea da remoção permanente de CO₂.

    Para a Terradot, o Brasil oferece condições particularmente favoráveis para testar essa combinação em escala. A empresa afirma já ter aplicado mais de 500 mil toneladas de rocha em 20 mil hectares em diferentes projetos e utiliza dados dessas áreas para definir novos locais, calcular a quantidade de rocha necessária e verificar o carbono removido.

    O acordo prevê ainda uma bolsa de pesquisa do Google para a Terradot e para o laboratório de Solo e Biogeoquímica Ambiental da Stanford Doerr School, com o objetivo de ampliar a base científica sobre a redução de metano obtida pelo manejo AWD. Os resultados deverão ser publicados publicamente.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/google-usa-200-mil-hectares-de-arroz-no-brasil-contra-mudancas-climaticas/.

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    • Divulgação Terradot · • Divulgação Terradot — Foto: CNN Brasil

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