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    Google reorganiza área de IA e reforça controle sobre o desenvolvimento do Gemini

    A pressão de rivais e os atrasos no novo modelo aumentam a cobrança interna por avanços na corrida de inteligência artificial O post Google reorganiza área de IA e reforça controle sobre o desenvolvimento do Gemini apareceu primeiro em Olhar Digital .

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    12 de agosto de 2026 às 20:30
    Google reorganiza área de IA e reforça controle sobre o desenvolvimento do Gemini
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    O Google promoveu uma ampla reorganização de sua estrutura de inteligência artificial recentemente, transferindo parte das equipes do Google DeepMind para a estrutura corporativa e concentrando decisões estratégicas nas mãos de Koray Kavukcuoglu. As informações são exclusivas da Reuters , publicadas nesta quarta-feira (12).

    A mudança ocorre em meio à pressão para recuperar terreno diante de concorrentes como Anthropic e OpenAI. O movimento também reduz a autonomia histórica do laboratório criado pelo Google após sua aquisição em 2014, aproximando o desenvolvimento do Gemini das prioridades comerciais da companhia.

    Nos bastidores, Sergey Brin voltou a exercer influência sobre os esforços de treinamento dos modelos e passou a defender maior velocidade para alcançar a fronteira tecnológica. Ao mesmo tempo, o Google enfrenta atrasos no lançamento de sua próxima versão principal do Gemini e limitações de capacidade computacional.

    (Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)
    (Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A transformação ganhou forma pública em 5 de agosto, quando o Google anunciou mudanças no comando do Google DeepMind. Demis Hassabis deixou a liderança executiva do laboratório e assumiu a presidência, enquanto seu então substituto, Koray Kavukcuoglu, passou a ocupar o posto central na condução da unidade.

    A nova configuração formalizou uma transferência de poder que já vinha ocorrendo. Kavukcuoglu acumulava, desde 2025, a função de principal arquiteto de inteligência artificial do Google, cargo criado para ampliar a presença do Gemini nos produtos da empresa. Pessoas familiarizadas com a operação disseram à Reuters que, desde então, sua influência sobre os rumos do modelo aumentou.

    A posição de Kavukcuoglu também o colocou mais próximo das áreas responsáveis pela geração de receita com inteligência artificial. Antes mesmo de deixar Londres e se mudar para Mountain View, ele era apontado como o principal elo entre o DeepMind e o Google Cloud, divisão considerada central para os negócios de IA da companhia.

    Google – Imagem: Below the Sky/Shutterstock
    Google – Imagem: Below the Sky/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O novo arranjo ainda atingiu outros nomes de peso. Jeff Dean e Oriol Vinyals, que estavam entre os responsáveis técnicos originais pelo Gemini, deixaram a empresa para participar de uma nova startup. A saída dos executivos levantou dúvidas sobre o futuro de equipes que tinham maior liberdade para desenvolver pesquisas além do treinamento direto do modelo.

    Durante uma reunião geral realizada em 6 de agosto, funcionários também foram informados de que algumas equipes não técnicas seriam retiradas da estrutura do DeepMind e passariam a responder diretamente à organização corporativa do Google. A medida reforçou entre integrantes do laboratório a percepção de que sua independência estava sendo reduzida.

    A administração tentou conter essas preocupações ao afirmar que as atividades cotidianas do laboratório permaneceriam essencialmente iguais. Hassabis continuaria dedicado a questões de longo prazo relacionadas à ciência e aos impactos sociais da inteligência artificial, enquanto Kavukcuoglu manteria o controle sobre o Gemini.

    silhueta de homem no celular à frente do logo da google deepmind
    silhueta de homem no celular à frente do logo da google deepmind — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A mudança, contudo, acontece em um contexto de pressão crescente por desempenho. Segundo pessoas ouvidas pela Reuters, testes internos levaram o Google a adiar em dois meses a nova versão principal do Gemini, após resultados abaixo dos obtidos por concorrentes em áreas como programação.

    O histórico recente contribuiu para essa pressão. O Gemini havia alcançado brevemente a liderança entre os modelos concorrentes após uma atualização lançada em novembro de 2025, mas perdeu novamente espaço diante dos avanços de empresas rivais.

    Fontes familiarizadas com o desenvolvimento atribuíram parte dessa dificuldade a problemas estruturais. A disponibilidade limitada de capacidade computacional e divergências entre diferentes líderes dos projetos teriam dificultado a concentração de recursos em áreas importantes, incluindo programação. A burocracia interna também teria contribuído para um ritmo de lançamentos inferior ao de concorrentes considerados mais ágeis.

    Logo do Google em uma fachada
    Logo do Google em uma fachada — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Nesse cenário, Brin voltou a atuar informalmente junto às equipes responsáveis pelo treinamento dos modelos. De acordo com uma pessoa familiarizada com sua participação, o cofundador passou meses cobrando dos funcionários uma aproximação mais rápida com os sistemas considerados de fronteira.

    A influência de Brin também teria alcançado a distribuição de recursos. Entre os temas que receberam sua atenção estava a chamada autoaperfeiçoamento recursivo, conceito associado à possibilidade de sistemas de inteligência artificial aprimorarem suas próprias capacidades sem intervenção humana.

    Embora já não exerça cargo executivo, Brin conserva influência decorrente de sua posição como cofundador. A Reuters relatou que ele também havia adotado uma postura de mobilização interna após o lançamento do ChatGPT, em 2022, quando o avanço da tecnologia da OpenAI provocou forte reação dentro do Google.

    (Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)
    (Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Hassabis, por sua vez, havia reduzido sua participação direta na gestão do Gemini depois de ajudar a colocar o modelo em funcionamento em 2023. Segundo fontes citadas pela Reuters, responsabilidades relacionadas ao desenvolvimento foram gradualmente transferidas para seus subordinados.

    A concentração de autoridade em Kavukcuoglu também pode afetar a relação entre o DeepMind e o Google Cloud. Um dos relatos obtidos pela Reuters aponta que executivos da divisão de computação em nuvem esperam que a mudança reduza conflitos envolvendo a distribuição dos chips de inteligência artificial disponíveis para a empresa, conhecidos como TPUs.

    O novo desenho coloca, portanto, a estratégia de modelos, a integração do Gemini aos produtos e as demandas comerciais em uma estrutura mais próxima da sede do Google. Um porta-voz da companhia confirmou à Reuters que Kavukcuoglu terá a palavra final sobre decisões importantes envolvendo o DeepMind.

    Google – Imagem: Below the Sky/Shutterstock
    Google – Imagem: Below the Sky/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/12/inteligencia-artificial/google-reorganiza-area-de-ia-e-reforca-controle-sobre-o-desenvolvimento-do-gemini/.

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