Golpes do impeachment
Há dez anos, em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff ( PT ) era definitivamente afastada da Presidência da República , depois de ser julgada culpada de crime de responsabilidade pelo Senado . O evento deixou marcas na história do país, algumas das quais ainda se fazem sentir. Leia mais (08/31/2026 - 13h57)

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"
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Há dez anos, em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff ( PT ) era definitivamente afastada da Presidência da República , depois de ser julgada culpada de crime de responsabilidade pelo Senado . O evento deixou marcas na história do país, algumas das quais ainda se fazem sentir.
Para o PT, o impeachment foi um golpe . A palavra "golpe" é suficientemente polissêmica para permitir essa interpretação. Um de seus múltiplos significados é o de "revés", como na expressão "golpe do destino". E não há muita dúvida de que o afastamento representou um revés para a petista. Já a tentativa de imprimir ao termo "golpe" o sentido mais técnico de "ruptura constitucional ilícita" é mais problemática.
Dilma, afinal, havia perpetrado as pedaladas , que se encaixam na definição legal de crime de responsabilidade, e foi julgada pelos senadores em processo regular nos termos da Constituição.

Pode-se perfeitamente contestar a oportunidade política de o país ter procedido ao impeachment, mas não sua licitude. O processo, vale lembrar, foi conduzido sob a batuta do então presidente do STF, Ricardo Lewandowski , justamente para garantir que não houvesse ilegalidades. Se elas ocorreram, então Lula (PT) pôs um golpista no centro de seu governo quando convidou Lewandowski para ser ministro da Justiça em 2024.
Politicamente, o afastamento de Dilma serviu para acirrar a polarização afetiva, facilitando a instrumentalização da Lava Jato pelos que a conduziam e abrindo as portas para Jair Bolsonaro (PL). É verdade que o movimento de radicalização já estava em curso, como se verifica pela eleição de líderes da direita radical em outros países.
E o advento do extremismo não foi o único revés. Também involuímos no combate à corrupção. Uma das explicações para o centrão ter defenestrado Dilma foi a percepção de que o governo não conseguiria protegê-lo da Lava Jato. Se a aposta fracassou num primeiro momento, ela deu totalmente certo no segundo tempo. Como vaticinou Romero Jucá, a sangria acabou estancada, com Supremo e com tudo.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/08/golpes-do-impeachment.shtml.

Dilma Rousseff (PT) durante declaração à imprensa após o Senado aprovar o seu impeachment - Pedro Ladeira - 31.ago.16/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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