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    Golfinhos chamam uns aos outros pelo nome – e elefantes e papagaios podem fazer o mesmo

    Pesquisadores identificaram comportamentos de nomeação em diferentes espécies, mas cientistas debatem o que define um "nome" no mundo animal O post Golfinhos chamam uns aos outros pelo nome – e elefantes e papagaios podem fazer o mesmo apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    29 de agosto de 2026 às 09:00
    Golfinhos chamam uns aos outros pelo nome – e elefantes e papagaios podem fazer o mesmo
    Foto: Olhar Digital

    Todos nós temos um nome. Mas será que os bichos também têm o costume de se chamar assim? Estudos mais atuais indicam que sim, ou ao menos é o que acontece com algumas espécies.

    Animais como golfinhos, elefantes e papagaios aparentemente emitem sons específicos para reconhecer seus pares, de um jeito bem parecido com a forma como usamos os nomes. Contudo, conforme aponta o Live Science , a comunidade científica ainda diverge sobre como interpretar essas descobertas.

    Já na década de 1960, pesquisadores notaram que os filhotes de golfinho-nariz-de-garrafa desenvolvem assobios próprios e inconfundíveis, conhecidos como “assobios de assinatura”. Durante testes com áudio, as equipes transmitiram esses sons usando alto-falantes debaixo d’água para analisar a reação dos animais.

    Layse Ventura
    Layse Ventura — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O que se notou foi que os golfinhos imitam o som dos parceiros quando querem interagir, exatamente como fazemos ao chamar alguém pelo nome. Eles também identificam os companheiros por meio da frequência e do “desenho” sonoro do assobio, não importando quem seja o emissor.

    Em entrevista ao Live Science , Kelly Jaakkola, psicóloga cognitiva do Dolphin Research Center (Flórida), explicou: “Os golfinhos parecem atribuir esses assobios a outros indivíduos e combiná-los com outros de uma forma mais simbólica”.

    A ciência também revelou que os elefantes africanos na natureza se comunicam direcionando sons específicos uns aos outros. São ruídos graves e de baixa intensidade, exclusivos para cada membro da manada.

    “Eles soam um pouco como um gato gigante ronronando”, relatou Michael Pardo, principal autor do estudo e ecologista comportamental da Universidade Estadual do Colorado.

    Durante os testes, os paquidermes andavam mais rápido em direção aos alto-falantes e emitiam mais sons quando ouviam o seu próprio “nome”. Isso levanta a forte hipótese de que eles sabiam que o chamado era endereçado a eles.

    Aves em cativeiro exibem hábitos parecidos. Um levantamento feito com tutores mostrou que, de 800 papagaios avaliados, aproximadamente metade utilizava sons distintos para se referir a humanos e pets da casa – habilidade adquirida por meio da convivência.

    Lauryn Benedict, bióloga da Universidade do Norte do Colorado, resumiu a situação: “Os papagaios certamente captam muitas coisas dos humanos – eles não sabem necessariamente o que isso significa em um contexto linguístico humano, mas sabem quando dizer”.

    Uma das pessoas entrevistadas contou, inclusive, que sua ave a corrige se for chamada pelo apelido incorreto. Houve ainda relatos de papagaios que empregavam com perfeição os nomes de todos os moradores e cachorros da residência.

    Cravar que um ruído animal funciona como um nome (nos moldes humanos: um marcador vocal simbólico atrelado a um ser específico) é uma tarefa complexa.

    No mês de julho de 2026, Jaakkola e sua equipe sugeriram três requisitos básicos para classificar nomes no reino animal:

    Olhando para as provas disponíveis por meio desses critérios, os golfinhos têm o caso mais bem fundamentado. Já os papagaios, elefantes e saguis ainda dependem de investigações adicionais sobre o aspecto simbólico para que se comprove esse comportamento.

    “É uma grande afirmação chamar algo de nome. […] Nosso objetivo aqui era criar uma estrutura unificada… para começar a analisar essa questão de forma mais sistemática”, comentou Jaakkola.

    Os animais que aparentemente usam chamados desse tipo dividem dois traços essenciais: altíssima sociabilidade e capacidade de aprender vocalizações inéditas. Segundo Pardo, ter um nome ajuda bastante em bandos que costumam se fragmentar em grupos menores, em que os membros passam muito tempo fora do campo de visão uns dos outros.

    O pesquisador acredita que essa prática talvez seja mais difundida do que presumimos. Corvos, babuínos e girafas, por exemplo, convivem em dinâmicas sociais análogas, embora ainda faltem dados comprovando o uso de nomes entre eles.

    “Para os humanos, os nomes são uma parte tão importante da nossa individualidade e do nosso senso de identidade, que se os animais têm nomes e respondem a esses nomes, isso sugere que eles poderiam ter um senso de si mesmos… e de outros indivíduos e de sua individualidade”, concluiu Benedict.

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    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/29/ciencia-e-espaco/golfinhos-chamam-uns-aos-outros-pelo-nome-e-elefantes-e-papagaios-podem-fazer-o-mesmo/.

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