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    Glorioso amadorismo

    Eu me queixei dos amadores que pensam saber o suficiente sobre economia para dar suas opiniões amadorísticas. Leia mais (08/18/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 01:00
    Glorioso amadorismo
    Vista detalhada da superfície da Lua mostrando várias crateras de diferentes tamanhos, com sombras que destacam a textura irregular do terreno. — Foto: Folha de S.Paulo

    Economista, é professora emérita de economia e história na Universidade de Illinois, em Chicago

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    Lua vista da nave Orion durante a missão Artemis 2, em abril - Li Rui - 7.abr.26/Xinhua · Li Rui - 7.abr.26/Xinhua
    Lua vista da nave Orion durante a missão Artemis 2, em abril - Li Rui - 7.abr.26/Xinhua · Li Rui - 7.abr.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eu me queixei dos amadores que pensam saber o suficiente sobre economia para dar suas opiniões amadorísticas.

    Mas a palavra "amador", em ambas as nossas línguas, vem do latim amare, amar. Não tenho a menor reclamação sobre pessoas que amam economia ou qualquer outro estudo sério da economia , como sociologia econômica, história econômica ou economia política. Gosto disso desde os 19 anos. Naquela época, eu era socialista e acreditava que um Estado supervisor fosse o melhor caminho para ajudar os pobres. À medida que fui me profissionalizando e aprendendo sobre a economia e o Estado , mudei de opinião sobre o meio para ajudar os pobres. No entanto, continuo sendo uma amante do assunto.

    Mas, assim como você, tenho muitos outros temas e atividades que amo, embora não os exerça profissionalmente. Quanto aos temas: quando criança, eu adorava astronomia —até perceber que a astronomia é física aplicada e a física é matemática aplicada. Contudo, muito mais tarde, li um livro acadêmico sobre astronomia e me interessei muito pela comparação com a ciência econômica, que eu já dominava razoavelmente bem. Eu era uma "mestre" em economia, mas apenas uma "amante" da astronomia. Recentemente, retomei o interesse e assisti fascinada às aulas da The Teaching Company sobre lentes gravitacionais causadas pela matéria escura e sobre a evolução do Universo .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quanto às atividades, durante o ressurgimento da música folk dos anos 1960, fui uma violonista e cantora entusiástica, porém totalmente incompetente. Meu amigo da faculdade Hal era um violonista brilhante de Nova York, que conhecia pessoalmente profissionais como Joan Baez e Bob Dylan. Mas, profissionalmente, Hal tornou-se professor de direito.

    E eu, durante décadas, fui corredora de longa distância. Mas era totalmente incompetente, a corredora mais lenta da história do mundo —ao contrário do meu amigo da vida acadêmica Gary, que figurou no ranking mundial de corredores de longa distância em todas as faixas etárias, dos 20 aos 80 anos. Mesmo Gary, porém, assim como Hal com o violão folk, é um amador —apenas um amante— em sua adorada corrida , sendo profissionalmente um economista e administrador acadêmico.

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    Fazemos ambas as coisas. O amadorismo é maravilhoso, parte de uma vida humana plena, possível em um mundo moderno e rico, onde tais interesses de amador —hobbies, atividades não profissionais— podem ser cultivados com tal dedicação, ainda que com certa incompetência. Meu amigo, o grande crítico literário Wayne Booth (1922-2005), escreveu um livro intitulado "For the Love of It: Amateuring and Its Rivals" (1999) (Apenas por amor: amadorismo e seus rivais, em tradução livre). Nele, Wayne defendia, por exemplo, sua própria execução incompetente do violoncelo. Ele começou a tocar já adulto, tarde demais para alcançar a excelência no instrumento. Wayne não estava sendo falsamente modesto; tenho outro amigo que costumava tocar com ele num quarteto e confirmava essa incompetência.

    Por que, perguntava Wayne, as pessoas se dedicam ao amadorismo em um mundo que valoriza tanto o profissionalismo e paga quantias elevadas pelos melhores profissionais? A resposta dele —e a minha— está no título do livro: "Apenas por amor". Por amor ao jogo bonito e à bela pintura —mesmo que não sejamos Pelé ou Tarsila do Amaral —, chutamos uma bola ou empunhamos um pincel e, com amor, contemplamos o trabalho dos melhores, graças aos mercados na era da reprodução mecânica.

    Viver nesta época é um privilégio e uma glória.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/deirdre-nansen-mccloskey/2026/08/glorioso-amadorismo.shtml.

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    Lua vista da nave Orion durante a missão Artemis 2, em abril - Li Rui - 7.abr.26/Xinhua · Li Rui - 7.abr.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo

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