Ginecologista é investigado por estupro após paciente denunciar abusos e relatar fotos íntimas e vídeos pornográficos
Esther Neves, que denunciou o médico por estupro Arquivo pessoal Esther Neves entrou pela primeira vez no consultório do ginecologista Osmar Trojan aos 16 anos. O médico era próximo de sua família, atendia sua mãe e era visto como uma espécie de figura paterna. Hoje, aos 27 anos, a jovem passou a entender de outra forma situações que, na época, acreditava fazerem parte das consultas. A jovem foi atendida por Osmar entre 2014 e 2022 em um consultório particular no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo. Durante as consultas, ele fez exames sem luvas, tirou fotos íntimas dela e exibiu vídeos pornogr
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Esther Neves, que denunciou o médico por estupro — Foto: Arquivo pessoal
Esther Neves entrou pela primeira vez no consultório do ginecologista Osmar Trojan aos 16 anos. O médico era próximo de sua família, atendia sua mãe e era visto como uma espécie de figura paterna. Hoje, aos 27 anos, a jovem passou a entender de outra forma situações que, na época, acreditava fazerem parte das consultas.
A jovem foi atendida por Osmar entre 2014 e 2022 em um consultório particular no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo .

Durante as consultas, ele fez exames sem luvas, tirou fotos íntimas dela e exibiu vídeos pornográficos. Em um dos episódios, ele chegou a sugar os seios dela sob a justificativa de verificar o que saía deles, segundo Esther.
"Ele não cobrava as consultas. Eu e a minha mãe sentíamos que a gente estava devendo algo para ele. Então quando ele falava que queria me fotografar, eu me sentia na obrigação de ir, porque ele falava que era uma coisa boa", contou Esther ao g1.
O ginecologista, de 82 anos, é investigado por estupro em inquérito policial instaurado no 1° Distrito Policial de Itapecerica da Serra, após pedido do Ministério Público. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública não se manifestou até a última atualização da reportagem.
O advogado Alessandro Fischer Martins Silveira, que representa Osmar, negou as acusações e afirmou que "confia que, no curso da instrução processual, mediante o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa e a produção das provas pertinentes, demonstrará sua inocência".
A defesa também ressaltou que o inquérito tramita sob sigilo e que, até o momento, não houve recebimento de denúncia pela Justiça. Segundo o advogado, o procedimento ainda está na fase de investigação e deve ser observada a presunção de inocência.
Ginecologista acusado de estupro — Foto: Arquivo pessoal
A relação de confiança entre Osmar e Esther, que hoje é advogada, foi construída ao longo de anos e se estendia para além do consultório.
Segundo o interrogatório do médico, ele conheceu a mãe da jovem em 1992, quando trabalhava como telefonista em um hospital onde também atendia. Os dois ficaram amigos e ele não cobrava pelas consultas por causa da amizade e da situação socioeconômica dela. Osmar também fez o parto de Esther.
Desde criança, Esther convivia com o ginecologista, que também frequentava a mesma igreja que a família, onde ministrava palestras.
“E eu acabei vendo ele também dessa forma, porque o meu avô morava em Tocantins. Então eu não tinha proximidade com pessoas no meu convívio. Aqui, em São Paulo, são só eu, minha mãe, meu pai e meu irmão.”
Aos 16 anos, em 2014, Esther passou pela primeira consulta com Osmar. Segundo ela, o médico sugeria que ela entrasse sozinha na sala para que ficasse mais à vontade.
Com o passar dos anos, os dois mantiveram contato frequente. Segundo Esther, o médico mandava mensagens, fotos de viagens e registros do que fazia no dia a dia. Ela também chegou a trabalhar no consultório dele por cerca de um mês para substituir a secretária durante as férias.
“Era muito próxima, ele mandava muitas mensagens. Era como se fosse meu pai. O contato que eu não tinha com meu pai, eu tinha com ele. Então, tudo que ele fazia, ele mandava mensagem. Ele mandava fotos minhas. Ele mandava fotos dele nas viagens. Tudo que ele fazia, ele mandava”, contou.
Esther afirma que chegou a comentar com a mãe que algumas situações com o médico pareciam estranhas. Segundo ela, a mãe dizia que cabia a ela interromper aquela relação, mas também ressaltava que Osmar era uma pessoa de confiança da família e nunca havia cobrado pelas consultas.
Na Unicamp, Osmar foi colega de turma de Roger Abdelmassih, ex-médico brasileiro e especialista em reprodução humana que foi condenado a mais de 270 anos de prisão por dezenas de estupros e crimes sexuais cometidos contra pacientes.
Dos 16 aos 24 anos, Esther relata ter sido submetida a uma série de situações de cunho sexual durante consultas com o ginecologista, sob a justificativa de que faziam parte de exames clínicos. Os atendimentos duravam cerca de duas horas, segundo ela, e incluíam toques que considerava desnecessários.
Em alguns atendimentos, segundo Esther, o médico exibia vídeos de um site pornográfico — mesmo quando ela ainda era adolescente. Segundo a jovem, ele mostrava uma mulher com tipo físico semelhante ao dela e usava o conteúdo para falar sobre o uso de um plugue anal.
“Ele assistia esse site e colocava uma pessoa com um tipo físico muito parecido com o meu, pesava mais ou menos uns 45 kg. E aí ele falava: ‘olha, essa menina é novinha igual a você. Você é linda, você é perfeita. Ela tem aqui um plugue anal. Se você quiser, eu posso comprar para você e eu te ensino a usar’”, contou.
Em outra consulta, Esther afirma que o médico a convenceu a fazer uma sessão de fotos no consultório, com os seios nus. Segundo ela, Osmar disse que estava escrevendo um artigo de conscientização sobre o câncer de mama e que costumava fotografar pacientes.
“Ele me mostrou uma relação de fotos de várias pacientes dele e falou: 'olha, você precisa fazer isso também, porque fazer um ensaio fotográfico é uma coisa muito cara. E eu sei que você não tem condição de pagar, então eu vou te fazer de graça [...] Eu fico com essas fotos e te dou em um pendrive."
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/24/ginecologista-e-investigado-por-estupro-apos-paciente-denunciar-abusos-e-relatar-fotos-intimas-e-videos-pornograficos.ghtml.

Violência contra mulher: como pedir ajuda — Foto: G1
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