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    Gilmar libera flexibilização da Ficha Limpa para julgamento antes do 1º turno das eleições

    STF volta a analisar regra que muda a contagem do prazo de inelegibilidade entre 11 e 18 de setembro

    UOL
    21 de agosto de 2026 às 23:00
    Gilmar libera flexibilização da Ficha Limpa para julgamento antes do 1º turno das eleições
    Homem de meia-idade com óculos e cabelo ralo, veste terno bege e camisa branca, gesticula com o dedo indicador levantado em ambiente interno com fundo desfocado. — Foto: UOL

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    O ministro do STF Gilmar Mendes durante entrevista à Folha - Pedro Ladeira - 22.mai.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 22.mai.26/Folhapress
    O ministro do STF Gilmar Mendes durante entrevista à Folha - Pedro Ladeira - 22.mai.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 22.mai.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O ministro Gilmar Mendes , do STF (Supremo Tribunal Federal), liberou nesta sexta-feira (21), a ação que discute a validade das mudanças promovidas pelo Congresso Nacional na Lei da Ficha Limpa para julgamento em plenário virtual entre 11 e 18 de setembro. A conclusão do caso deve impactar diretamente a eleição de governadores e demais cargos em disputa em outubro.

    Enquanto o STF não conclui o julgamento, permanecem incertas as situações das candidaturas de políticos como José Roberto Arruda ( PSD -DF) e Anthony Garotinho (Republicanos-RJ), que disputam governos locais. Há, ainda, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha que quer voltar à Casa por Minas Gerais.

    A expectativa é a de que Gilmar abra divergência e argumente que as mudanças da legislação impedem prazos muito alongados para as inelegibilidades.

    O caso começou a ser analisado em maio, mas foi suspenso por um pedido de vista de Gilmar. Pelos prazos do Supremo —de 90 dias para análise—, o decano teria até 5 de outubro para devolver a ação ao plenário. A interlocutores, o ministro avaliou que seria ruim que o julgamento ocorresse entre os dois turnos das eleições .

    Para ele, no entanto, a indefinição não atrapalha as candidaturas, em si, já que elas podem acionar a Justiça para concorrer sub judice, ou seja, com a candidatura ainda sob análise do Judiciário e podendo tanto ser confirmada ou impedida.

    Até o pedido de vista, a relatora, Cármen Lúcia, e Luiz Fux haviam votado para que os oito anos de inelegibilidade só comecem a contar a partir do fim do cumprimento da pena. O texto analisado prevê que políticos condenados não poderão ser candidatos por oito anos a partir da data da condenação.

    O Congresso aprovou em setembro de 2025 um projeto que reduz os efeitos da inelegibilidade ao permitir que o prazo de oito anos passe a ser contado a partir da condenação, e não após o cumprimento da pena. A mudança foi contestada no STF pelo partido Rede Sustentabilidade.

    Ao votar, Cármen Lúcia foi favorável à volta da redação anterior do projeto aprovado no Senado . Para a relatora, os senadores alteraram o espírito da lei ao flexibilizá-la. Assim, a proposta deveria ter retornado à Câmara.

    Ela também defendeu que as alterações na Lei da Ficha Limpa pelo Legislativo são "incompatíveis com o modelo constitucional democrático" e que o STF tem o compromisso de afastar atos que dificultem a probidade administrativa e a moralidade pública.

    Cármen Lúcia também afirmou que as alterações na Lei da Ficha Limpa significam possível "impunidade ou anistia", capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral.

    Segundo a relatora, as mudanças "estabelecem cenário de patente retrocesso ao que se tinha estabelecido como instrumento de garantia dos princípios republicano, da probidade administrativa e da moralidade pública".

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    Governador do Distrito Federal entre 2007 e 2010 e pivô do mensalão do DEM, Arruda foi preso e condenado em processos derivados da Operação Caixa de Pandora, de 2009, quando foi filmado recebendo um maço de dinheiro .

    Depois de mais de 15 anos, decidiu voltar à política e se lançou candidato para desafiar a governadora Celina Leão ( PP ), mas enfrenta um cenário de dúvidas no campo jurídico: como tem um recurso sem julgamento há anos, a pena de inegibilidade não começou a ser cumprida ainda.

    A primeira pesquisa Datafolha para o governo do Distrito Federal após o registro oficial das candidaturas, divulgada nesta sexta, mostra empate técnico entre a atual governadora, Celina Leão (PP), e Arruda (PSD). No cenário da pesquisa estimulada, a governadora tem 30% das intenções de voto, ante 28% do adversário. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

    No Rio de Janeiro , três ex-governadores que planejavam ser candidatos enfrentaram pendências judiciais ou foram alvo de investigações, como mostram os casos de Cláudio Castro, Anthony Garotinho e Wilson Witzel.

    Cláudio Castro ( PL ) desistiu da disputa após tornar-se alvo de investigações da Polícia Federal . Garotinho se lançou pré-candidato em meio a um cenário de dúvidas. Mas o STF anulou condenações decorrentes da Operação Chequinho em maio, em decisão que lhe devolveu a elegibilidade. Witzel se filiou ao Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira, para concorrer novamente ao governo do Rio, mas o processo de impeachment o declarou inelegível por cinco anos em 2021.

    O ex-governador Garotinho aparece em terceiro, com 9%, nas intenções de voto para o governo estadual, de acordo com pesquisa Datafolha . O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes ( PSD ) aparece na liderança. Paes registra 41 % das intenções de votos. Em segundo lugar está o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Douglas Ruas ( PL ), com 19%.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/blogs/brasilia-hoje/2026/08/gilmar-libera-flexibilizacao-da-ficha-limpa-para-julgamento-antes-do-1o-turno-das-eleicoes.shtml.

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    O ministro do STF Gilmar Mendes durante entrevista à Folha - Pedro Ladeira - 22.mai.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 22.mai.26/Folhapress — Foto: UOL

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