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    Gilmar leva ao plenário do STF disputa de R$ 103 bi em indenizações a usinas

    O ministro Gilmar Mendes decidiu levar ao plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) uma disputa que pode envolver R$ 103,4 bilhões em indenizações cobradas da União por empresas do setor sucroalcooleiro. Leia mais (09/24/2026 - 18h32)

    Folha de S.Paulo
    24 de setembro de 2026 às 21:32
    Gilmar leva ao plenário do STF disputa de R$ 103 bi em indenizações a usinas
    Homem de meia-idade com óculos, terno cinza, gravata azul e toga preta está em pé em ambiente institucional. Ao fundo, bandeira do Brasil e brasão oficial na parede. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Sessão da Segunda Turma do STF, sob a presidência do ministro Gilmar Mendes - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress
    Sessão da Segunda Turma do STF, sob a presidência do ministro Gilmar Mendes - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O ministro Gilmar Mendes decidiu levar ao plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) uma disputa que pode envolver R$ 103,4 bilhões em indenizações cobradas da União por empresas do setor sucroalcooleiro.

    O processo discute se empresas que já conseguiram na Justiça o direito a uma indenização podem ter o valor a receber recalculado com base em uma perícia individual. O caso envolve a Raízen Energia, líder no setor sucroalcooleiro do país, e outras empresas.

    A discussão surgiu após o STF definir, em 2020, que as empresas do setor precisam comprovar, em cada caso, o prejuízo causado pela política de preços adotada pelo governo nas décadas de 1980 e 1990. O entendimento foi fixado no chamado Tema 826.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A questão é que algumas empresas já tinham conseguido decisões definitivas antes desse julgamento. Nesses processos, os valores das indenizações foram calculados com base em estudos da FGV (Fundação Getulio Vargas), e não em uma perícia específica para cada empresa.

    Em 2024, a 2ª Turma do STF decidiu, por 3 votos a 2, que o entendimento do Tema 826 também deveria ser aplicado nesses casos. Gilmar Mendes, André Mendonça e Dias Toffoli votaram a favor. Edson Fachin e Nunes Marques ficaram vencidos.

    Gilmar quer agora que o plenário defina uma regra para evitar decisões diferentes dentro do próprio Supremo. Ele afirma que a 2ª Turma já adotou entendimentos distintos sobre a questão.

    O ministro também citou uma decisão da 1ª Turma, de abril deste ano, que, segundo ele, indica uma tendência de aplicar o Tema 826 mesmo a condenações que já tenham transitado em julgado.

    O impacto financeiro é um dos motivos apontados por Gilmar para levar o caso ao plenário. Segundo dados da União citados na decisão, as indenizações do setor sucroalcooleiro representam um risco provável de R$ 103,4 bilhões para os cofres públicos.

    O valor corresponde a quase um quinto dos R$ 559,1 bilhões classificados pela União como risco provável em ações judiciais. Também equivale a pouco mais da metade das despesas discricionárias previstas para o governo federal em 2026.

    Gilmar afirma ainda que a demora na definição pode aumentar a conta, porque os valores são corrigidos e acrescidos de juros. Ele também aponta o risco de a União pagar precatórios antes de uma decisão definitiva do STF e depois ter dificuldade para recuperar o dinheiro.

    A decisão foi assinada nesta quinta-feira (24). Gilmar submeteu a decisão à 2ª Turma, mas determinou que o processo já seja incluído na pauta do plenário do STF.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/09/gilmar-leva-ao-plenario-do-stf-disputa-de-r-103-bi-em-indenizacoes-a-usinas.shtml.

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