Gianni Infantino é alvo de denúncia por supostas violações éticas na Fifa
FairSquare alega que presidente já cumpriu limite máximo de três mandatos e não deveria concorrer a um quarto período

Mais de 100 mil pessoas assinaram uma denúncia que pede à Fifa uma investigação contra o presidente Gianni Infantino por supostas violações do código de ética da entidade , relacionadas aos seus vínculos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi divulgada nesta terça-feira (8) pela organização de direitos humanos FairSquare .
A denúncia foi apresentada pela FairSquare e pela campanha “Reboot Fifa” , que acusa Infantino de cometer diversas violações descritas em uma carta enviada ao Comitê de Ética da Fifa e obtida pela Reuters .
Entre as alegações estão abuso de poder, violação do dever de neutralidade política e descumprimento das obrigações de lealdade, em ações que, segundo a organização, teriam como objetivo “ganhar a simpatia do presidente dos Estados Unidos”.

O diretor da FairSquare, Nicholas McGeehan, afirmou que a nova denúncia é uma continuação de uma queixa apresentada inicialmente em dezembro de 2025. Segundo ele, o novo documento foi protocolado após acontecimentos dos últimos meses, durante e depois da Copa do Mundo, encerrada em julho.
A organização concentrou parte das novas acusações no contato de Trump com Infantino durante a Copa do Mundo. Na ocasião, o presidente americano pediu ao dirigente que revisasse o cartão vermelho recebido pelo atacante dos Estados Unidos Folarin Balogun, posteriormente suspenso .
Outro ponto mencionado é a proposta abandonada por Infantino de vender uma participação em eventos da Fifa a investidores de private equity. O projeto provocou forte reação internacional antes de ser retirado.

“As alegações são muito mais sérias. Agora temos essa preocupação pública e política, e sentimos que era hora de pressionar novamente o Comitê de Ética da Fifa e realmente colocá-lo contra a parede”, disse McGeehan à Reuters .
“Vocês são capazes de responsabilizar seus principais dirigentes? É isso que estamos tentando fazer com este acompanhamento”, acrescentou o diretor da FairSquare.
Em julho, o Comitê Olímpico Internacional rejeitou uma denúncia apresentada pela FairSquare contra Infantino por causa de seu apoio a Trump. O COI afirmou que o caso estava fora da jurisdição de sua Comissão de Ética. A Reuters procurou a Fifa para obter um posicionamento.

Segundo a FairSquare, o Comitê de Ética da Fifa confirmou o recebimento da primeira denúncia em 12 de dezembro do ano passado, mas “não forneceu nenhuma atualização desde então”. A organização voltou a cobrar providências no novo documento.
A denúncia apresenta oito episódios. Entre eles, estão acusações de que Infantino teria violado a neutralidade política da Fifa ao apoiar publicamente o slogan e a agenda política de Trump.
O dirigente também é acusado de abusar de sua autoridade ao criar unilateralmente o Prêmio da Paz da Fifa, sem aprovação ou participação do Conselho da entidade, e posteriormente entregá-lo a Trump.

Infantino ainda é acusado de ter usado sua autoridade para desenvolver secretamente o Fifa Forward Enterprise com investidores politicamente influentes, ignorando processos de governança da entidade. A proposta acabou abandonada após uma reação negativa em escala global.
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McGeehan afirmou que a FairSquare quer que Infantino seja banido das atividades relacionadas ao futebol por dois anos. Para o diretor, porém, a denúncia tem um objetivo mais amplo do que apenas punir o presidente da Fifa.

“Mas esta denúncia é sobre muito mais do que Infantino”, afirmou. “Para nós, trata-se de demonstrar aos responsáveis por supervisionar a conduta e a governança da Fifa que a organização é incapaz de se autorregular.”
Infantino busca a reeleição para um quarto mandato como presidente da Fifa em março. Até o momento, nenhum adversário considerado competitivo surgiu para disputar o cargo. O suíço continua comprometido com a candidatura, apesar da nova onda de oposição.
No mês passado, a FairSquare pediu à Fifa que declarasse Infantino inelegível para concorrer a outro mandato. A organização argumenta que ele já cumpriu o limite máximo de três mandatos estabelecido pelo estatuto da entidade.

Em 2022, Infantino conseguiu que seu primeiro período no comando da Fifa, iniciado após sua eleição em 2016, não fosse contabilizado no limite de três mandatos. Na ocasião, ele argumentou que aquele período correspondia à conclusão de um mandato interrompido, iniciado antes de sua chegada ao cargo após a renúncia de Sepp Blatter.
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Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/futebol-internacional/gianni-infantino-e-alvo-de-denuncia-por-supostas-violacoes-eticas-na-fifa/.

Infantino é acusado de abuso de poder e vínculo político com Trump • Divulgação/Fifa · • Divulgação/Fifa — Foto: CNN Brasil
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