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    Geração app acelera para o futuro sem aposentadoria

    Dentre os trabalhadores plataformizados, apenas 35,9% contribuem para a seguridade social. Previdência privada pode ser a solução

    Metrópoles
    31 de agosto de 2026 às 18:52
    Geração app acelera para o futuro sem aposentadoria
    Foto: Metrópoles

    É na rua que muitos trabalhadores ganham o pão. As plataformas de transporte de pessoas e entrega de mercadorias se tornaram fonte de renda para muitos brasileiros. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ) mostram que ao menos 1,7 milhão de pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024, o grupo corresponde a 1,9% da população ocupada no setor privado.

    O trabalho associado às plataformas é uma oportunidade de renda para quem não conseguiu vaga no mercado de trabalho formal ou prefere trabalhar sem vínculos trabalhistas. No entanto, há um ponto preocupante: apenas 35,9% dos plataformizados contribuem para a Previdência; entre os outros trabalhadores, o percentual sobe para 61,9%.

    A população que não recolhe para a aposentadoria pode se deparar com um futuro difícil, caso não adote outras alternativas. O ônus de não contribuir para a Previdência é envelhecer trabalhando ou depender do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e corresponde a um salário mínimo por mês (R$ 1.621).

    Vinícius Schmidt/Metrópoles @vinicius.foto
    Vinícius Schmidt/Metrópoles @vinicius.foto — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Eles não terão a aposentadoria, seja ela qual for. Se o indivíduo não contribui, não vai ter direito à aposentadoria: nem por idade, nem por tempo de trabalho”, explica a advogada especialista em Direito Previdenciário, Tatiana Campos de Moraes Nora.

    Motorista de aplicativo, Vandir Ferreira Telis Filho

    Entregador durante o trabalho nas proximidades da Avenida 9 de Julho, em São Paulo

    Planejador financeiro pessoal, Maurício Vono
    Planejador financeiro pessoal, Maurício Vono — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Entregador durante o trabalho na Avenida Paulista, em São Paulo

    Vandir Ferreira Telis Filho, de 57 anos, pertence à parcela de trabalhadores plataformizados que não contribuem para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), ou seja, o INSS .

    Graduado em Direito e ex-militar, Telis Filho passou por um divórcio há três anos e o trabalho como motorista de aplicativo foi a alternativa encontrada para se reorganizar financeiramente. Ele optou por não contribuir para a Previdência, pois considera que o retorno não compensará o investimento feito.

    Imagem colorida de Telis, motorista de aplicativo, não contribui com a Previdência por opção - Brasília (DF), 07/07/26
    Imagem colorida de Telis, motorista de aplicativo, não contribui com a Previdência por opção - Brasília (DF), 07/07/26 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Com todo respeito, sem arrogância, jamais quero depender desse negócio. Acredito que a maioria que trabalha de aplicativo não tem interesse em contribuir pela pobreza do retorno que (o INSS) oferece”, justifica.

    O motorista de aplicativo acredita que tem 15 anos de tempo de contribuição recolhidos, somando os períodos em que trabalhou na iniciativa privada e como militar. Ele considera que é possível conquistar uma aposentadoria melhor se programando de outra maneira. “Qualquer pessoa que tem um pouco de cabeça de empreendedorismo consegue criar uma aposentadoria melhor do que essa miséria que o Brasil oferece”, defende Telis Filho.

    O balanço divulgado em março pelo IBGE, referente ao trimestre anterior, apontou o recorde de 66,8% da população ocupada contribuindo para a Previdência. No entanto, o montante arrecadado não é suficiente para sustentar o INSS.

    Geração app acelera para o futuro sem aposentadoria - destaque galeria
    Geração app acelera para o futuro sem aposentadoria - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em junho deste ano, a Previdência Social (RGPS) apresentou um déficit de R$ 50,5 bilhões. E o rombo total está aumentando, uma vez que a arrecadação cresce em velocidade menor que a despesa. Em 2021, o déficit do INSS foi de R$ 304,2 bilhões, mas subiu para R$ 317,2 bilhões no ano passado.

    O envelhecimento da população contribui de forma importante para que a conta não feche: segundo o Censo Demográfico 2022, o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% entre 2010 e 2022, enquanto a população até 14 anos diminuiu. O crescimento do contingente de pessoas trabalhando em platafomas – de 2022 a 2024, o grupo de plataformizados cresceu 25,4%, o equivalente a 335 mil novos trabalhadores – tende a dificultar essa conta.

    O planejador financeiro pessoal Maurício Vono recomenda que as pessoas considerem o INSS apenas como “um complemento” de renda. Para quem não contribui, a situação é ainda mais delicada.

    Fachada da Previdência Social
    Fachada da Previdência Social — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Hoje a gente tem um Tesouro Direto (título público do governo federal) que é acessível a qualquer corretora, você pode fazer um cadastro. Pelo próprio Gov.br, se faz um cadastro, pode fazer aplicação inclusive por Pix no Tesouro Direto. É uma alternativa das mais seguras, para dizer a verdade, a mais segura que tem”, exemplifica.

    “A pessoa precisa entender que não existe dinheiro fácil, fugir ou desconfiar, pesquisar, investigar propostas mirabolantes de alta rentabilidade. Tenho visto muita proposta de formar aposentadoria comprando consórcio. Não é que o consórcio seja ruim, mas não é a ferramenta que resolve todo tipo de problema”, orienta.

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    Vandir Ferreira Telis Filho
    Vandir Ferreira Telis Filho — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

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    Entregador durante o trabalho nas proximidades da Avenida 9 de Julho, em São Paulo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    INSS
    INSS — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Entregador durante o trabalho na Avenida Paulista, em São Paulo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/geracao-app-acelera-para-o-futuro-sem-aposentadoria.

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