Geopolítica e clima tornam a comida cara
A guerra na Ucrânia , o bloqueio parcial do estreito de Hormuz no Oriente Médio e um intenso fenômeno El Niño geram novos riscos para a oferta mundial de alimentos. Leia mais (10/06/2026 - 22h00)

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A guerra na Ucrânia , o bloqueio parcial do estreito de Hormuz no Oriente Médio e um intenso fenômeno El Niño geram novos riscos para a oferta mundial de alimentos.
O índice de preços de alimentos da FAO , agência da ONU para segurança alimentar, atingiu 136 pontos em setembro, alta de 1,5% em relação a agosto e de 5,8% na comparação anual —maior patamar desde o final de 2022, embora cerca de 15% abaixo do recorde de março daquele ano.
Os cereais subiram 5,1% no mês e 17,2% em 12 meses, puxados por trigo e milho; o açúcar teve alta de 6,1% e 14,7%, respectivamente; óleos vegetais, 0,9% e 18,3%. Carnes e lácteos recuaram ou permaneceram estáveis.

Ataques ucranianos a refinarias russas reduzem a oferta de diesel , inclusive para o Brasil. No Golfo, o corte nos embarques de óleo diesel e de ureia afeta preços —o Oriente Médio responde por cerca de um terço do comércio desse fertilizante nitrogenado.
O repasse aos preços finais ainda é parcial, mas a FAO alerta que a persistência dessas pressões tende a alcançar o consumidor, sobretudo em países importadores de alimentos e energia.
O El Niño severo amplifica o risco. A agência já registra expectativas de safras mais apertadas de açúcar em 2026-27, com chuvas abaixo do normal na Índia e em excesso no Centro-Sul do Brasil.

Incertezas quanto à produtividade nos Estados Unidos e menor disponibilidade para exportação no Brasil sustentam cotações. A produção global de cereais em 2026 é estimada em 2,98 bilhões de toneladas, 2,1% abaixo do recorde do ano anterior. Ainda é a segunda maior da história, mas com o comércio projetado em queda por restrições logísticas.
No Brasil, o quadro é menos agudo, mas longe de confortável. O poder de compra de alimentos melhorou em relação a 2022, sem recuperar o patamar pré-pandemia. Em agosto, o salário mínimo de R$ 1.621 comprava 1,8 cesta básica em São Paulo (R$ 900,59), 11,3% a mais que 1,62 cesta em agosto de 2022, porém 13% abaixo da média de 2010-19.
De 2019 a 2022, a alimentação no domicílio acumulou alta de 54,2%, bem acima do IPCA geral. Nos anos seguintes a pressão diminuiu, com alta de 12,9% do início de 2023 até agosto deste ano, mas os meses recentes mostram reaceleração em itens sensíveis.
Por ora, a Conab projeta uma safra recorde de grãos para 2026-27, 366,6 milhões de toneladas, alta de 1,4% ante o ano passado. Diante dos riscos climáticos, porém, a produtividade pode frustrar as estimativas iniciais e impactar o custo da alimentação.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/geopolitica-e-clima-tornam-a-comida-cara.shtml.

Mulher compra frutas em feira em Paris (França) - Stephanie Lecocq - 10.set.26/Reuters · Stephanie Lecocq - 10.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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