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    Gasto com sistema prisional recua e maioria dos estados não tem política para ex-detentos, diz estudo

    O gasto dos estados brasileiros com o sistema prisional recuou no último ano, apesar da crescente população carcerária , ao mesmo tempo em que governadores patinam para implementar políticas públicas para quem sai da cadeia -iniciativa que a maioria das unidades federativas ainda não tem . Leia mais (09/17/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de setembro de 2026 às 13:00
    Gasto com sistema prisional recua e maioria dos estados não tem política para ex-detentos, diz estudo
    Imagem de um pátio de prisão, com paredes azuis e celas visíveis em ambos os lados. O chão é de concreto, com manchas e desgastes visíveis. Acima, há uma rede de proteção e arame farpado. O céu está parcialmente nublado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O gasto dos estados brasileiros com o sistema prisional recuou no último ano, apesar da crescente população carcerária , ao mesmo tempo em que governadores patinam para implementar políticas públicas para quem sai da cadeia —iniciativa que a maioria das unidades federativas ainda não tem .

    Pátio do raio de celas da Penitenciária Venceslau I - Divulgação/Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura · Divulgação/Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura
    Pátio do raio de celas da Penitenciária Venceslau I - Divulgação/Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura · Divulgação/Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É o que aponta a mais recente edição do Funil de Investimentos da Segurança, levantamento elaborado pelo Justa, instituto especializado em estudos de política e Justiça, que analisou a execução orçamentária das unidades federativas em 2025. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (17).

    Foram R$ 22,3 bilhões em despesas estaduais no sistema prisional no ano passado frente a R$ 22,8 bilhões no exercicio anterior, de 2024. Em 2023, por sua vez, os gastos somaram R$ 21,5 bilhões. Todos os valores são corrigidos pela inflação no período.

    Tocantins apresentou o maior aumento nas despesas com o setor entre um ano e outro. Foram 89% a mais em gastos no ano passado. Na sequência vêm Alagoas (38%), Goiás (23%) e Rondônia (21%).

    Ex-detentos lançam projeto no Brasil para ajudar egressos a cursar faculdade
    Ex-detentos lançam projeto no Brasil para ajudar egressos a cursar faculdade — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A população carcerária, enquanto isso, continua em alta. Dados da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) mostram que o número atual de presos no Brasil (727,8 mil) é o maior desde o segundo semestre de 2019, quando o país tinha 731 mil detentos.

    Projetos voltados a apoiar os egressos, porém, continuam aquém do ideal na avaliação do Justa.

    Segundo o levantamento, foram R$ 19 milhões repassados a iniciativas do gênero em 2025. Em 2024, foram R$ 18 milhões. As despesas estão majoritariamente concentradas em São Paulo , que responde sozinho por R$ 13 milhões do total do ano passado.

    O que diz o Anuário da Segurança Pública de 2026
    O que diz o Anuário da Segurança Pública de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na sequência vêm Ceará (R$ 3,8 milhões), Mato Grosso (R$ 781 mil) e Bahia (R$ 482 mil). Além deles, apenas Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe investiram no tema. À exceção do Acre, que não forneceu os dados, o restante dos estados não tem gastos na área, diz o estudo.

    Segundo o relatório, o cenário preocupa porque a reintegração de ex-detentos é um dos pilares do Pena Justa, plano elaborado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na esteira de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que reconheceu o chamado "estado de coisas inconstitucional" no sistema prisional.

    "Não podemos generalizar, mas no geral existe uma dificuldade dos estados de se adequarem a essa demanda do plano", diz Taciana Santos, coordenadora de estudos em orçamento do Justa.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No caso daqueles que investem no tema, segundo ela, os repasses vão principalmente a escritórios de apoio social, estruturas voltadas a prestar atendimento aos egressos. "Eles ajudam com a questão documental, a conseguir algum abrigo, emprego ou a prestar apoio psicológico", afirma.

    Parte das unidades federativas que repassam valores a políticas para ex-detentos passou a fazê-lo somente após a criação do plano —caso de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia, diz o Justa.

    Além de políticas de reintegração, o plano do CNJ também prevê ferramentas de controle de vagas para acabar com a superlotação, ampliação da oferta de estudo e trabalho aos presos, melhorias de infraestrutura, higiene, saúde e alimentação nas unidades e valorização dos servidores penais.

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    São mais de 300 metas a serem cumpridas até o ano que vem.

    Apesar disso, afirma o Justa, "o levantamento não identificou mudança relevante no volume nacional destinado às políticas para egressos no país".

    O Funil de Investimentos também analisou os gastos estaduais com as polícias Militar, Civil, Penal e Técnico-Científica. Os gastos com as forças de segurança nas 26 unidades federativas analisadas somaram R$ 103,5 bilhões em 2025, conforme o Justa.

    A maior fatia, R$ 60,7 bilhões (58,6% do total), foi para as Polícias Militares, responsáveis pelo policiamento ostensivo.

    Encarregadas das investigações, as Polícias Civis ficaram com R$ 22,2 bilhões (21,5% do valor total), e as Técnico-Científicas, responsáveis pelas perícias, com R$ 2,8 bilhões (2,7%).

    São números que se aproximam dos apresentados na última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho.

    O estudo do Fórum revelou que o Brasil nunca gastou tanto com segurança pública: somadas as despesas da União, dos estados e dos municípios, o valor desembolsado no ano passado foi de R$ 163,1 bilhões, 2,1% acima dos R$ 159,8 bilhões do exercício anterior.

    O aumento é impulsionado pelos estados, mas municípios também têm ganhado espaço nas despesas com segurança: em agosto, um estudo do Fórum mostrou que as guardas municipais ultrapassaram as polícias Civis e são hoje a segunda maior força de segurança no país, atrás apenas das PMs.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/gasto-com-sistema-prisional-recua-e-maioria-dos-estados-nao-tem-politica-para-ex-detentos-diz-estudo.shtml.

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    Pátio do raio de celas da Penitenciária Venceslau I - Divulgação/Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura · Divulgação/Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura — Foto: Folha de S.Paulo

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