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    Gasmig traça plano para levar gás a todas as regiões de Minas Gerais

    Projetos no Norte e no Sul, grandes consumidores e aposta bilionária no biometano no Triângulo Mineiro integram estratégia para ampliar a infraestrutura de gás no Estado

    CNN Brasil
    1 de setembro de 2026 às 23:35
    Gasmig traça plano para levar gás a todas as regiões de Minas Gerais
    Foto: CNN Brasil

    A estatal mineira Gasmig quer ampliar a presença do gás em Minas Gerais e levar infraestrutura a todas as regiões do Estado nos próximos cinco anos . O plano envolve diferentes frentes de expansão, do Norte ao Sul de Minas , com projetos-âncora capazes de viabilizar novos gasodutos, além de uma aposta bilionária no biometano para interiorizar ainda mais a oferta do energético.

    Em entrevista ao Alta Voltagem , programa de TV da CNN , o presidente da empresa, Gustavo De Marchi , disse que a estratégia inclui a extensão da rede no Sul do Estado, novos projetos no Norte mineiro e investimentos estimados em R$ 1 bilhão para desenvolver uma rede voltada ao biometano no Triângulo Mineiro.

    “O Estado de Minas tem porte continental com regiões muito ricas, mas cidades pobres espalhadas e o plano é chegar em todas as regiões”, disse.

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    Hoje, o consumo de gás natural no mercado livre no Estado gira em torno de 3 milhões de metros cúbicos por dia . Marchi avalia que esse volume pode mais que dobrar caso grandes consumidores decidam substituir combustíveis mais poluentes em seus processos de descarbonização.

    Uma das frentes é o setor de mineração. A Gasmig vem buscando uma aproximação com as empresas do segmento para incentivar a substituição do diesel por um combustível menos poluente. A companhia também aposta na criação de corredores para descarbonizar o transporte, inicialmente com gás e, posteriormente, com combustíveis renováveis.

    No Norte de Minas, a eventual implantação de uma usina termelétrica na área da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) é vista pela Gasmig como uma possível âncora para justificar a construção de novos gasodutos e, a partir deles, levar gás a outros consumidores da região.

    Trata-se do projeto do consórcio Engeko Green. O empreendimento foi vencedor de Leilão de Reserva de Capacidade . Dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) apontam investimentos de R$ 178,7 milhões em uma usina a gás natural de 62,3 MW de capacidade instalada, com previsão de entrada em operação em 2028.

    “Um projeto que talvez a gente consiga levar para a região da Sudene. Essa termelétrica, se o projeto avançar, vai ser uma grande âncora, de modo que a gente possa espraiar e levar o desenvolvimento da nossa rede para aquela região”, diz. “Esse desenvolvimento de rede pode ser um grande vetor de desenvolvimento da região", afirma.

    A mesma lógica de usar grandes consumidores para viabilizar infraestrutura aparece no Sul de Minas. Os planos passam pela construção de uma linha-tronco de Bragança Paulista (SP) até Extrema (MG), por meio de um gasoduto de transporte que precisaria ser viabilizado pela NTS. A partir daí, a intenção é avançar com a distribuição até o polo industrial de Pouso Alegre (MG).

    Marchi explica que a perspectiva de novos grandes consumidores na região levou a Gasmig a atualizar os estudos. “Recebemos a manifestação de interesse para o desenvolvimento de uma termelétrica em Extrema e também a perspectiva de um data center na região. Por isso, estamos atualizando o projeto para atender a essa demanda”, disse.

    No Triângulo Mineiro, a expansão assume outro desenho. Em vez de depender apenas da extensão da rede tradicional de gás natural, a Gasmig aposta no potencial de produção local de biometano , aproveitando a forte presença da agroindústria na região.

    O biometano, ou gás natural renovável, é obtido a partir da purificação do biogás, uma mistura de gases que têm como origem o processo natural de decomposição de resíduos orgânicos em ambientes onde não há troca de ar - a digestão anaeróbica.

    A companhia lançou uma chamada pública que prevê investimentos de até R$ 1 bilhão em cerca de 400 quilômetros de rede para fomentar o uso do gás renovável. A proposta é desenvolver redes isoladas ligando cidades-polo do Triângulo Mineiro e formar um hub de biometano.

    Segundo Marchi, a combinação entre produção e consumo na própria região favorece o projeto, ao reduzir a necessidade de transportar o gás por grandes distâncias. A projeção é alcançar uma produção de 250 mil metros cúbicos por ano, principalmente a partir do setor sucroindustrial .

    Para o executivo, porém, o avanço dessa frente depende também de mudanças regulatórias que permitam atribuir valor econômico aos benefícios ambientais do biometano.

    “Falta agora o Brasil avançar na pauta da regulamentação do atributo ambiental. É isso que vai permitir destravar os investimentos com mais velocidade e um equilíbrio de preços frente ao gás natural”, explica.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/gasmig-traca-plano-para-levar-gas-a-todas-as-regioes-de-minas-gerais/.

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