Brasil

    Galípolo se diz preocupado com crédito predatório e defende medidas contra endividamento

    O presidente do Banco Central , Gabriel Galípolo , disse nesta quinta-feira (24) estar preocupado com a oferta de crédito "agressivo ou até predatório" e defendeu medidas preventivas e de transparência contra o endividamento dos brasileiros. Leia mais (09/24/2026 - 12h18)

    Folha de S.Paulo
    24 de setembro de 2026 às 15:18
    Galípolo se diz preocupado com crédito predatório e defende medidas contra endividamento
    Homem de cabelos escuros e curtos, vestido com terno azul, camisa branca e gravata, gesticula com as mãos enquanto fala em microfone em ambiente interno. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O presidente do Banco Central , Gabriel Galípolo , disse nesta quinta-feira (24) estar preocupado com a oferta de crédito "agressivo ou até predatório" e defendeu medidas preventivas e de transparência contra o endividamento dos brasileiros.

    Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em entrevista a jornalistas na sede da autarquia, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress
    Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em entrevista a jornalistas na sede da autarquia, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A fala de Galípolo, em entrevista a jornalistas durante a apresentação do relatório de política monetária, trata da oferta indiscriminada de crédito, sem análise sobre a capacidade de pagamento dos tomadores e com altas taxas de juros . Segundo ele, o estudo de medidas para combater esse problema não tem correlação com o atual momento do ciclo econômico, com juros em dois dígitos.

    Segundo o chefe do BC, as medidas em estudo estão ligadas a linhas mais arriscadas, com custo mais elevado, geralmente sem garantias. Ele ressaltou que a inadimplência do cartão de crédito está em 65% e que, das cerca de 100 milhões de pessoas que têm dívidas no cartão de crédito, metade paga juros próximos a 15% ao mês, com alto comprometimento de renda.

    "Um produto que tem 65% de inadimplência tem problema de design e não é de agora", disse. "Se não tiver medidas macroprudenciais, dificilmente essas pessoas vão conseguir escapar desse ciclo. É importante que a gente crie medidas preventivas, de transparência, que criem consciência no processo de contratação dessas linhas de crédito por uma questão de proteção, de cidadania financeira."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nos casos de ofertas mais agressivas de crédito, Galípolo defende limitações. "Toda vez que entende que existe oferta predatória é para ser limitada mesmo", disse. "Aquilo que é uma linha de crédito mais cara, que eventualmente a pessoa poderia ter acesso a uma linha mais adequada para a necessidade dela, é como vai criando consciência ao longo da jornada dela."

    Como mostrou a Folha , o BC prepara uma série de normas para aprimorar o relacionamento digital e a oferta de crédito das instituições financeiras. Um dos objetivos é coibir eventuais abusos nas propostas agressivas de empréstimos, elevando a transparência e protegendo o consumidor .

    No relatório de política monetária, o BC ressaltou que os níveis elevados de endividamento e de custo do crédito seguem pressionando o comprometimento de renda das famílias.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De acordo com a autoridade monetária, o endividamento mantém-se em patamar historicamente alto desde o fim de 2021 e atingiu 49,9% em janeiro, recorde da série, com relativa estabilidade desde então.

    Nesse cálculo, o BC considera o saldo das dívidas das famílias no mês de referência, neste caso fevereiro, em relação à renda disponível acumulada nos últimos 12 meses.

    O comprometimento da renda, por sua vez, aumentou nos últimos meses, alcançando 28,9% em junho, o maior valor da série. Nesse caso, o cálculo considera o saldo das dívidas em relação à renda mensal das famílias.

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    "O processo de inclusão bancária, aliado a inovações tecnológicas e a condições favoráveis no mercado de trabalho, impulsionou o acesso das famílias ao crédito, contribuindo para a elevação do endividamento e do comprometimento de renda nos últimos anos", disse o BC no relatório.

    "Mais recentemente, o aumento do custo do crédito ao longo do ciclo de aperto monetário e a expansão da demanda por crédito emergencial, tipicamente mais caro, também contribuíram para a elevação do comprometimento da renda ao nível recorde atual", acrescentou.

    Um aperto nas regras de capital das instituições financeiras também entrou no radar do mercado após o BC sinalizar que vai adotar medidas para conter o avanço do endividamento e evitar uma crise de crédito na economia brasileira.

    Como mostrou a Folha , uma das ações esperadas por dirigentes do setor é a alteração do chamado FPR (Fator de Ponderação de Risco) para as operações de cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantia (não consignado).

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/galipolo-se-diz-preocupado-com-credito-predatorio-e-defende-medidas-contra-endividamento.shtml.

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    Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em entrevista a jornalistas na sede da autarquia, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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