Galípolo diz à PF que 'esgotou repertório de palavrões' por demora de servidores na fiscalização do Master
O presidente do Banco Central , Gabriel Galípolo , disse em depoimento à Polícia Federal que "esgotou seu repertório de palavrões" em pressão sobre servidores por demora na fiscalização do Banco Master , de Daniel Vorcaro . Segundo ele, os funcionários que chefiavam a área de Supervisão Bancária resistiam a apresentar as análises solicitadas sobre a instituição financeira. Leia mais (10/08/2026 - 11h27)

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Brasília O presidente do Banco Central , Gabriel Galípolo , disse em depoimento à Polícia Federal que "esgotou seu repertório de palavrões" em pressão sobre servidores por demora na fiscalização do Banco Master , de Daniel Vorcaro . Segundo ele, os funcionários que chefiavam a área de Supervisão Bancária resistiam a apresentar as análises solicitadas sobre a instituição financeira.

As declarações foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas em documento obtido pela Folha . Galípolo prestou depoimento à PF na última terça-feira (6) na condição de testemunha.
Segundo o inquérito, Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e na época chefe adjunto de Supervisão Bancária, teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC . A defesa de ambos nega que eles tenham adotado medidas de favorecimento ao ex-banqueiro.
Em relatório produzido pela PF, consta que Galípolo disse que se exaltou muitas vezes, "queixando-se da demora na produção dessas análises, tendo em conta o pedido de comunicação à polícia e de análise do fluxo, de comunicação ao Ministério Público e de análise do próprio balanço".

Segundo o presidente do BC, foram realizadas duas reuniões ampliadas, com mais de uma dezena de pessoas, incluindo a diretoria, nas quais "esgotou seu repertório de palavrões ao pedir com bastante ênfase aquela análise do balanço, não conseguindo entender por que parte do que estava sendo pedido, e que estava bastante claro do ponto de vista contábil e matemático, não chegava."
Ele contou também que a produção do comunicado sobre as fraudes ao Ministério Público foi um "processo de parto a fórceps, sendo preciso voltar, dar carga, pedir e se exaltar para que aquilo fosse produzido, buscando entender por que não estava sendo produzido". De acordo com Galípolo, essa cobrança de providências foi a rotina ao longo do ano passado.
Como mostrou a Folha , os lançamentos do balanço do Master foram motivo de divergência entre Paulo Sérgio e Galípolo, que tiveram discussões acaloradas durante reunião da diretoria com a equipe técnica.

Procurado, o advogado Odel Antun, que representa Paulo Sérgio, disse ser "lamentável que a imprensa tenha acesso ao material dos autos antes da defesa." "Assim que tivermos a oportunidade de ler o depoimento de Galípolo, poderemos comentá-lo", acrescentou.
Investigação interna do Banco Central concluiu, conforme relatório obtido pela Folha na época, que Belline simulou contratos de serviços para um projeto social para ocultar o recebimento de propina do Master ou de pessoas ligadas ao grupo.
Em nota enviada anteriormente, o advogado Leonardo Palazzi afirmou que o ex-chefe de Supervisão Bancária do BC não recebeu qualquer valor ou benefício do Banco Master. Procurada pela Folha na manhã desta quinta por mensagem via WhatsApp, a defesa de Belline não se manifestou até a publicação da reportagem.

A sindicância do BC também detectou indícios de que Paulo Sérgio simulou a venda de um sítio em Minas Gerais para uma empresa controlada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com o mesmo objetivo de ocultar recebimento de propina.
A conduta dos ex-gestores do BC está sendo analisada pela CGU (Controladoria-Geral da União) desde março em um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) que pode levar à expulsão dos servidores do quadro funcional da autarquia se forem considerados culpados.
Além de Galípolo, a PF também convocou o ex-chefe do BC, Roberto Campos Neto , e o dono do BTG Pactual, André Esteves, para falar à corporação. Os depoimentos deles estavam previstos para esta semana, mas foram adiados. A oitiva do diretor de fiscalização do BC, Aílton de Aquino, está marcada para esta quinta-feira (8).
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/financas/2026/10/galipolo-diz-a-pf-que-esgotou-repertorio-de-palavroes-por-demora-de-servidores-na-fiscalizacao-do-master.shtml.

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em entrevista a jornalistas na sede da autarquia, em Brasília - Pedro Ladeira - 24.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 24.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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