Brasil

    Galeria Teo transforma antiga fábrica em armazém de móvel moderno brasileiro

    Visitantes veem peças em estado original, antes do restauro

    UOL
    14 de agosto de 2026 às 08:00
    Galeria Teo transforma antiga fábrica em armazém de móvel moderno brasileiro
    Foto: UOL

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    Galpão da galeria Teo Cleveland - nelson kon / © Nelson Kon

    Galpão da galeria Teo Cleveland - nelson kon / © Nelson Kon · nelson kon /
    Galpão da galeria Teo Cleveland - nelson kon / © Nelson Kon · nelson kon / — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Sofás com o couro rasgado. Armários com a madeira apodrecida. Mesas com lascas no tampo. Estantes remendadas com esparadrapo. Bancos com os pés enferrujados.

    Para um desavisado, peças como essas, que contam a história do móvel brasileiro no século 20, poderiam ter como destino a caçamba de lixo. Para os irmãos Teo e Lis Vilela Gomes, porém, são pequenos tesouros. As marcas do tempo mostram como esses móveis foram usados e, em muitos casos, preservam elementos que atestam sua autenticidade.

    A dupla por trás da galeria Teo se dedica há quase 20 anos a encontrar, em heranças de família ou até mesmo em garagens de prédios, peças de mobiliário moderno que representam o que o design brasileiro produziu de melhor . Era uma época em que madeiras nobres, espécies hoje protegidas e fora do mercado, como o jacarandá, ainda serviam de matéria-prima para as manufaturas.

    Subsolo da galeria Teo Cleveland - Nelson Kon/Divulgação · Nelson Kon/Divulgação
    Subsolo da galeria Teo Cleveland - Nelson Kon/Divulgação · Nelson Kon/Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Com o tempo, Teo e Lis reuniram um acervo de 36 mil itens, entre móveis e objetos. A partir da próxima semana, grande parte deles poderá ser vista, no estado em que foi encontrada, num galpão que será inaugurado pela galeria no bairro dos Campos Elíseos, em São Paulo .

    Enfileiradas e empilhadas em gigantescas estantes que vão do chão ao teto estão produções de Jean Gillon, Geraldo de Barros , Michel Arnoult e Estúdio Branco e Preto, além de outros tantos nomes que puseram o Brasil no mapa-múndi do design. Sérgio Rodrigues e Jorge Zalszupin , os recordistas de peças no acervo, ganharam andares só para eles.

    "É um acervo em movimento", diz Lis. As peças vão passar por restauro, executado em cinco ateliês dentro da própria galeria, antes de serem vendidas pela dupla em sua outra galeria, no bairro de Pinheiros, também em São Paulo. Mas quem quiser comprar um móvel, uma luminária ou um utilitário de cozinha no estado em que está terá esta opção.

    Veja imagens da galeria Teo Cleveland
    Veja imagens da galeria Teo Cleveland — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O acervo é um dos maiores —se não o maior— de móvel moderno brasileiro reunido em um único lugar. Ele cobre um período que vai mais ou menos dos anos 1920, com as criações do designer modernista John Graz, até 1968, quando Jean Gillon lançou sua clássica poltrona Jangada. O espaço receberá o público às sextas-feiras, para visitas guiadas mediante agendamento.

    Foram dois anos, conta Teo, para deixar o galpão nos Campos Elíseos, a antiga fábrica de vassouras e espanadores Cerello , pronto para receber os móveis e os ateliês de restauro, onde 40 artesãos reparam estofamento, pintura, marcenaria e elétrica.

    O prédio erguido no início do século 20 teve puxadinhos acrescentados com o tempo, até se tornar um lava-rápido de carros depois do fechamento da fábrica, na década de 2000, e ficar em estado de abandono, com goteiras em dias de chuva.

    Acervo da galeria Teo Cleveland - Nelson Kon/Divulgação · Nelson Kon/Divulgação
    Acervo da galeria Teo Cleveland - Nelson Kon/Divulgação · Nelson Kon/Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na adaptação para seu novo uso, o arquiteto Fernando Falcon, da firma Tacoa, destruiu os puxadinhos para resgatar a arquitetura industrial do armazém de 2.000 metros quadrados. As paredes de tijolo trazem inscrições e marcas do tempo, algumas esquadrias têm frágeis vidros de época, os exaustores de ar giram como antigamente.

    O galpão fica em um local tipicamente paulistano, a alameda Cleveland, uma rua hoje policiada mas que já fez parte do território da cracolândia. Lá dentro, ao caminhar entre as pilhas de móveis, vemos pelas janelas dos fundos os trens metropolitanos passando rumo às estações da Luz e Júlio Prestes, ali ao lado. O contexto urbano parece apropriado —afinal, o visitante está em um armazém temporário de móveis antigos, não em um showroom cristalino da Casacor.

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    Prédio amarelo de dois andares com oito janelas gradeadas, quatro no andar superior e quatro no inferior, com plantas trepadeiras ao redor. Piso de paralelepípedos à frente e iluminação interna visível pelas janelas.
    Prédio amarelo de dois andares com oito janelas gradeadas, quatro no andar superior e quatro no inferior, com plantas trepadeiras ao redor. Piso de paralelepípedos à frente e iluminação interna visível pelas janelas. — Foto: UOL · Fonte: UOL

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    Sala com paredes de concreto e teto metálico, contendo sofás e poltronas de design antigo. Duas janelas mostram pilhas de pedras e ferramentas do lado de fora.
    Sala com paredes de concreto e teto metálico, contendo sofás e poltronas de design antigo. Duas janelas mostram pilhas de pedras e ferramentas do lado de fora. — Foto: UOL · Fonte: UOL
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    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/galeria-teo-transforma-antiga-fabrica-em-armazem-de-movel-moderno-brasileiro.shtml.

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