Gado brasileiro bate na cerca da China, mas pode pastar nos EUA
Enquanto o governo brasileiro decide como vai aplicar reciprocidade à injustificável sobretaxação de nossos produtos pelos Estados Unidos , o agro nacional discute como contornar um "tarifaço" do outro lado do mundo. Leia mais (08/16/2026 - 12h00)

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Enquanto o governo brasileiro decide como vai aplicar reciprocidade à injustificável sobretaxação de nossos produtos pelos Estados Unidos , o agro nacional discute como contornar um "tarifaço" do outro lado do mundo.

A carne bovina ficou fora das novas taxas impostas por Donald Trump , mas agora enfrenta algo ainda pior, vindo de Xi Jinping: uma tarifa que pode saltar de 12% para 67% da noite para o dia.
A barreira chinesa subirá assim que atingirmos a cota de 1,106 milhão de toneladas desembaraçadas naquele país neste ano. Na última semana, o Ministério do Comércio da China informou que o Brasil já havia preenchido 90% do limite.
Olhando os dados daqui, realmente aceleramos o envio de carne para o mundo. Segundo a Abiec, associação do setor, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas no primeiro semestre e faturou US$ 9,85 bilhões. A China respondeu por quase metade dessa receita. Foi justamente esse sucesso que ampliou a vulnerabilidade.

Como quase 1 milhão de toneladas já havia entrado no mercado chinês no início de agosto, os frigoríficos reduziram os embarques. Em julho, as vendas à China caíram 47% na comparação anual.
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Enquanto os embarques para a China são travados, seu maior rival pode ter apetite para colocar mais carne brasileira no prato. O rebanho dos Estados Unidos caiu para 86,2 milhões de cabeças, o menor patamar desde 1951, e o país deverá importar cerca de 2,75 milhões de toneladas neste ano.

Os balanços de JBS , MBRF e Minerva, divulgados na última semana, dão pistas sobre o que vem pela frente. Quem depende mais do boi está no centro da turbulência.
A JBS alcançou receita recorde de US$ 23,9 bilhões, mas terminou o trimestre com prejuízo de US$ 102 milhões. Nos Estados Unidos, o custo do gado subiu mais do que o preço da carne. No Brasil, onde as exportações ajudaram a sustentar o negócio, a receita avançou 28%.
A Minerva também mostrou que vender mais não significa ganhar mais. A receita chegou a R$ 14,1 bilhões, mas o lucro caiu 57%, para R$ 197 milhões. Seu Ebitda —indicador que mostra quanto a atividade principal rendeu —recuou 5,5%. A empresa também gastou mais para formar estoques, aumentando a preocupação com sua geração de caixa.

A MBRF apareceu melhor na foto. Mesmo com queda no lucro, vendeu volume recorde e ampliou em 5,4% o mesmo indicador operacional. A vantagem veio da diversificação entre carne bovina, aves, alimentos processados e diferentes países. Quando uma parte sofre, as outras ajudam a equilibrar o resultado.
A diferença foi notada pelos investidores. Até a tarde de sexta-feira, enquanto o Ibovespa caía 4,2% na semana, a MBRF subia 2,6%. A JBS, negociada em Nova York, recuperou-se
da queda após o balanço e avançava cerca de 1%. A Minerva chegou a despencar quase 10% na quinta-feira, mas reduziu a perda semanal para 3,9%.
Os grandes investidores sabem que não basta olhar tamanho, faturamento ou produção. Uma empresa concentrada em um único país ou proteína pode ganhar mais quando o cenário ajuda, mas sofre o dobro quando uma porta se fecha.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcos-de-vasconcellos/2026/08/gado-brasileiro-bate-na-cerca-da-china-mas-pode-pastar-nos-eua.shtml.

Operação Carne Fria 2, do Ibama, em 2024, mirou frigoríficos e fazendas que comercializaram gado criado em áreas embargadas por desmatamento ilegal; filial da JBS foi alvo - Divulgação/Ibama · Divulgação/Ibama — Foto: Folha de S.Paulo
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