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    Funeral de Ratko Mladic, o 'açougueiro da Bósnia', reúne multidão e provoca indignação da UE

    Uma multidão prestou homenagem nesta segunda-feira (7) em Belgrado diante do caixão de Ratko Mladic, o ex-general sérvio cujas ações durante as guerras dos Bálcãs na década de 1990 lhe renderam o apelido de "Açougueiro da Bósnia". O funeral, marcado por manifestações de apoio ao ex-general, provocou indignação internacional. Leia mais (09/07/2026 - 11h34)

    Folha de S.Paulo
    7 de setembro de 2026 às 14:34
    Funeral de Ratko Mladic, o 'açougueiro da Bósnia', reúne multidão e provoca indignação da UE
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Uma multidão prestou homenagem nesta segunda-feira (7) em Belgrado diante do caixão de Ratko Mladic, o ex-general sérvio cujas ações durante as guerras dos Bálcãs na década de 1990 lhe renderam o apelido de "Açougueiro da Bósnia". O funeral, marcado por manifestações de apoio ao ex-general, provocou indignação internacional.

    Pessoas seguram bandeiras sérvias e retratos de Ratko Mladic durante uma procissão até o cemitério - Oliver Bunic - 7.set.26/AFP · Oliver Bunic - 7.set.26/AFP
    Pessoas seguram bandeiras sérvias e retratos de Ratko Mladic durante uma procissão até o cemitério - Oliver Bunic - 7.set.26/AFP · Oliver Bunic - 7.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mladic morreu no fim de agosto, aos 84 anos , em Haia, na Holanda, onde cumpria pena por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Simpatizantes do ex-comandante começaram a chegar à igreja ortodoxa de São Lucas, em Belgrado, nas primeiras horas da manhã.

    Na cerimônia fúnebre, sérvios beijaram o caixão fechado de Mladic, ladeado por militares, enquanto sacerdotes ortodoxos recitavam orações. A polícia interditou as ruas próximas à igreja diante da concentração de pessoas, entre elas muitos veteranos da guerra.

    Bandeiras sérvias foram penduradas nas imediações. Uma grande faixa estendida sobre a rua dizia: "Bem-vindo, general. Obrigado à sua mãe por ter dado à luz a um herói, para que a glória da Grande Sérvia possa retornar".

    Homens usando bandeiras como capas, com uma imagem de Ratko Mladic, se reúnem na Igreja de São Lucas, onde o corpo do ex-general é velado antes do sepultamento, em Belgrado - Uros Arsic - 7.set.26/Reuters · Uros Arsic - 7.set.26/Reuters
    Homens usando bandeiras como capas, com uma imagem de Ratko Mladic, se reúnem na Igreja de São Lucas, onde o corpo do ex-general é velado antes do sepultamento, em Belgrado - Uros Arsic - 7.set.26/Reuters · Uros Arsic - 7.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Estou aqui para me despedir do general, um herói nacional", disse à AFP a aposentada Radojka Visic, que viajou para participar da cerimônia. O corpo de Mladic permaneceu exposto na igreja por cinco horas. Depois, foi levado por um cortejo até um cemitério.

    O caixão, coberto com bandeiras sérvias, foi enviado na quinta-feira para a Sérvia em um avião do governo e recebido em Belgrado com honras militares.

    Nesta segunda, um porta-voz da União Europeia afirmou que a "glorificação de criminosos de guerra, negacionistas do genocídio ou revisionistas contradiz os valores europeus mais fundamentais e não tem espaço na UE ou em países candidatos" à adesão ao bloco.

    20 anos do massacre de Srebrenica
    20 anos do massacre de Srebrenica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A comissária europeia para a ampliação da UE, Marta Kos, cancelou na sexta-feira uma visita à Sérvia prevista para 9 de setembro. Segundo ela, a "glorificação em torno da morte" de Mladic era "incompatível com os valores sobre os quais a UE foi construída".

    Mladic foi capturado em 26 de maio de 2011 , em um vilarejo agrícola ao norte de Belgrado , capital da Sérvia, depois de quase 16 anos foragido, encerrando uma das buscas mais longas da história moderna. Sua condenação por um tribunal internacional em 2017 , sob acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra , marcou o fim de um capítulo sombrio e sangrento na história europeia.

    As guerras dos Bálcãs eclodiram quando a Iugoslávia se desintegrava em Estados independentes. Slobodan Milosevic, o então presidente nacionalista da Sérvia, um desses Estados, estava decidido a criar uma Grande Sérvia. Ele reacendeu antigas hostilidades étnicas e religiosas e iniciou guerras que colocaram os sérvios contra eslovenos, croatas, bosníacos e albaneses de Kosovo .

    Grupo de pessoas entra em igreja de pedra com ícone religioso bizantino acima da porta. Três homens usam bandeiras com retrato de homem de boné militar e chapéu preto.
    Grupo de pessoas entra em igreja de pedra com ícone religioso bizantino acima da porta. Três homens usam bandeiras com retrato de homem de boné militar e chapéu preto. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Cerca de 100 mil pessoas morreram durante o conflito, e mais de 2,5 milhões foram deslocadas.

    Mladic, oficial do Exército Popular Iugoslavo, comandou o Exército dos sérvios da Bósnia no início da década de 1990. Ele foi declarado culpado de genocídio por seu papel no massacre de Srebrenica, em julho de 1995, a pior matança na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos foram mortos por forças servo-bósnias.

    Na véspera do massacre, ele prometeu vingar a conquista da Sérvia, séculos antes, pelos turcos otomanos muçulmanos. Ao longo de dez dias, seus soldados perseguiram, capturaram e executaram sumariamente milhares de bosníacos, colocando-os em fila com as mãos amarradas às costas e atirando neles. Mulheres foram estupradas.

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    Em 1994, sua filha, Ana, estudante de medicina na faixa dos 20 anos, suicidou-se .

    Após o massacre, a indignação em Washington e na Europa levou a uma campanha de bombardeios da Otan que derrotou as forças sérvias da Bósnia e resultou nos Acordos de Dayton , que encerraram as guerras dos Bálcãs em dezembro de 1995, embora o conflito na ex-Iugoslávia tenha voltado a eclodir em 1998 por causa de Kosovo.

    Em 1995, o tribunal internacional de Haia, criado dois anos antes, indiciou Mladic por crimes de guerra e genocídio relacionados ao cerco de Sarajevo e ao massacre de Srebrenica.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/funeral-de-ratko-mladic-o-acougueiro-da-bosnia-reune-multidao-e-provoca-indignacao-da-ue.shtml.

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