Brasil

    Fundo que recebeu R$ 481 milhões do Rioprevidência alega falta de caixa

    Fundo ligado ao Master deixou de pagar R$ 14,8 milhões em taxas cobradas pela gestora dos investimentos investigada pela PF

    Metrópoles
    30 de agosto de 2026 às 06:22
    Fundo que recebeu R$ 481 milhões do Rioprevidência alega falta de caixa
    Foto: Metrópoles

    Um fundo administrado pelo conglomerado do Banco Master alegou falta de recursos em caixa para justificar o não pagamento de R$ 14,8 milhões em taxas de gestão cobradas pela Acura, gestora também investigada no Caso Master.

    O Rioprevidência aportou R$ 481,5 milhões no Revolution, fundo de crédito privado administrado pelo Master, a partir de maio de 2025. Os investimentos são investigados pela Polícia Federal (PF).

    A carteira era composta por títulos com vencimentos alongados, segundo investigação da corporação.

    Divulgação
    Divulgação — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Além disso, ativos de crédito apresentavam remuneração extraordinária de até 180% do CDI, classificada pela Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) como “economicamente anômala”.

    A Acura era responsável pela gestão dos investimentos da carteira e, segundo o regulamento do fundo obtido pela coluna, tinha direito a receber uma taxa de gestão de 0,60% ao ano sobre o patrimônio líquido gerido, calculada diariamente e paga mensalmente.

    Apesar disso, o fundo ligado ao Master deixou de pagar as taxas de gestão entre setembro de 2025 e fevereiro deste ano, acumulando seis meses de inadimplência, o que levou os advogados da gestora a ajuizar uma ação para cobrar os valores. As parcelas mensais variavam de aproximadamente R$ 1,6 milhão a R$ 2,7 milhões

    Fachada do Rioprevidência no Rio de Janeiro
    Fachada do Rioprevidência no Rio de Janeiro — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O Revolution alegou falta de caixa para honrar os compromissos, apesar de ter recebido os aportes do Rioprevidência. Os investimentos da previdência fluminense ocorreram durante a gestão da Acura, que também é alvo de processo judicial no Rio por suposta gestão temerária e fraudulenta do fundo.

    A cobrança da dívida ocorre em um momento no qual a própria Acura afirma enfrentar dificuldades financeiras. Em processo judicial, a gestora alegou estar em situação de “incapacidade econômica momentânea” e “insuficiência de liquidez”.

    Segundo a Acura, a situação se agravou após a Operação Compliance Zero, quando a carteira encolheu de cerca de 70 para 30 fundos.

    A empresa também citou a ordem da Justiça do Rio para bloquear seus bens e os de dois diretores até o limite de R$ 481,5 milhões, em processo que busca garantir eventual ressarcimento ao Rioprevidência.

    A coluna não conseguiu localizar a gestora para pedir um posicionamento.

    Por decisão da Justiça do Rio, foram determinadas medidas para garantir o resgate de R$ 481,5 milhões investidos pelo Rioprevidência no fundo Revolution.

    A decisão impede que a administradora do fundo adote medidas para dificultar ou atrasar o resgate solicitado pelo Rioprevidência, previsto para agosto de 2026. Também determina a realização de uma auditoria independente sobre a situação patrimonial da carteira.

    Considerando os investimentos realizados nos últimos anos, a cúpula do Rioprevidência aportou R$ 3,7 bilhões em produtos financeiros ligados ao Master, segundo constatou a PF.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/manoela-alcantara/fundo-que-recebeu-r-481-milhoes-do-rioprevidencia-alega-falta-de-caixa.

    Imagem 1
    1 / 2

    Divulgação — Foto: Metrópoles

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)