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    Fundo Clima em xeque

    O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima foi criado em 2009 para financiar ações que reduzam o aquecimento global e preparem o país para suas consequências, como os eventos climáticos extremos. Para cumprir esse objetivo meritório com eficiência, os recursos precisam ser alocados de forma racional e sua distribuição exige avaliações periódicas. Leia mais (08/14/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de agosto de 2026 às 01:00
    Fundo Clima em xeque
    Extensa área coberta por fileiras de painéis solares fotovoltaicos alinhados em terreno aberto sob céu nublado. Pequenas construções brancas estão entre os painéis ao centro da imagem. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Vista aérea de placas fotovoltaicas em fazenda de energia solar, em Janaúba (MG) - Eduardo Anizelli - 4.dez.24/Folhapress · Eduardo Anizelli - 4.dez.24/Folhapress
    Vista aérea de placas fotovoltaicas em fazenda de energia solar, em Janaúba (MG) - Eduardo Anizelli - 4.dez.24/Folhapress · Eduardo Anizelli - 4.dez.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima foi criado em 2009 para financiar ações que reduzam o aquecimento global e preparem o país para suas consequências, como os eventos climáticos extremos. Para cumprir esse objetivo meritório com eficiência, os recursos precisam ser alocados de forma racional e sua distribuição exige avaliações periódicas.

    Contudo uma carta assinada por 39 integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, enviada em julho ao Planalto e ao BNDES , aponta problemas nessa seara: "não há critérios formais de custo-efetividade que orientem a composição da carteira".

    Aportes em etanol e milho em Mato Grosso são citados, dado que as iniciativas dependem de alto consumo de água e podem estimular mudanças no solo num bioma já sob pressão da escassez hídrica e do desmatamento .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outra crítica se refere ao financiamento de captura de carbono, autorizado a partir deste ano. A atividade usa equipamentos e processos químicos para separar e estocar CO₂, antes que ele chegue à atmosfera.

    Os conselheiros propõem restringi-la a situações em que seja especificamente justificável, como em indústria de cimento e siderurgia. Isso porque a tecnologia ainda apresenta custo bastante elevado em relação à quantidade de CO₂ evitada.

    Em março, levantamento da Folha mostrou que o fundo brasileiro gasta mais do que similares multilaterais internacionais.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Considerando financiamentos diretos e cofinanciamentos em 2024, foram aprovados R$ 33,2 bilhões para conter a emissão de 86,6 milhões de toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente, que inclui outros gases de efeito estufa), o que representa cerca de R$ 383 por tonelada.

    Já no Fundo Verde para o Clima, o financiamento equivale a aproximadamente R$ 126 por tonelada, e nos Fundos de Investimento Climático, a R$ 231.

    Houve um salto nos valores do fundo nacional, de R$ 883 milhões em 2023 para R$ 10,2 bilhões em 2024, devido a recursos oriundos de títulos soberanos sustentáveis do Tesouro. Assim, como parte do dinheiro do Fundo Clima nasce de dívida pública, a discussão sobre custo-benefício torna-se ainda mais relevante.

    O Ministério do Meio Ambiente afirma que está ciente dos temas abordados na carta e que tratará do assunto numa reunião em setembro. Espera-se que a pasta e o BNDES estabeleçam critérios para racionalizar os financiamentos. Nem só de boas intenções vivem as políticas públicas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/fundo-clima-em-xeque.shtml.

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    Vista aérea de placas fotovoltaicas em fazenda de energia solar, em Janaúba (MG) - Eduardo Anizelli - 4.dez.24/Folhapress · Eduardo Anizelli - 4.dez.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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