Funcionário de banco alemão admite que desviou R$ 3,6 milhões de clientes ricos para conta da sogra
Um ex-funcionário do Deutsche Bank foi acusado de desviar mais de 600 mil euros (R$ 3,6 milhões) de clientes ricos, em um momento em que o maior banco da Alemanha busca ampliar seus negócios com pessoas de alta renda no país.

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Um ex-funcionário do Deutsche Bank foi acusado de desviar mais de 600 mil euros (R$ 3,6 milhões) de clientes ricos, em um momento em que o maior banco da Alemanha busca ampliar seus negócios com pessoas de alta renda no país.

O suspeito de desvio trabalhava na principal agência do Deutsche Bank, localizada na sede em Frankfurt, e é acusado de ter transferido, até meados de 2025, dinheiro das contas de clientes para uma conta em nome de sua sogra.
Em seguida, usou o dinheiro para especular com derivativos e perdeu a maior parte, segundo os promotores. A suspeita é que ele tenha cometido a fraude durante mais de um ano.
Entre as supostas vítimas estavam um executivo de private equity, o ex-presidente-executivo de uma empresa de bens de consumo de capital aberto e um sócio de um escritório de advocacia internacional.

Os promotores afirmaram que o banqueiro escolhia clientes ricos na expectativa de que eles não percebessem transferências relativamente pequenas de suas contas. Algumas transações chegaram a 81,5 mil euros (R$ 489,61 mil).
Quando alguns clientes questionaram as transferências, o bancário devolveu o dinheiro e disse que elas haviam sido causadas por um erro interno do banco, segundo os promotores. O prejuízo financeiro total foi de 493 mil euros (R$ 2,96 milhões).
O caso ocorre enquanto o Deutsche Bank busca expandir suas operações de gestão de patrimônio. O banco anunciou planos de contratar até 250 gerentes de relacionamento e de investimentos em todo o mundo para disputar clientes de alta renda.

O réu admitiu as acusações em juízo, afirmando ter "trabalhado durante anos em uma profissão na qual a confiança é o único capital".
"Eu traí essa confiança", admitiu o funcionário. Se for considerado culpado por abuso de confiança agravado, cometido de forma comercial, ele poderá ser condenado a até 10 anos de prisão.
Após discussões entre as partes, o juiz afirmou que o réu buscava uma pena que pudesse ser suspensa, desfecho que o tribunal estava naquele momento "inclinado a considerar favoravelmente".

O suspeito contou ao tribunal que seus problemas financeiros começaram depois que perdeu cerca de 50 mil euros (R$ 300,37 mil) —a maior parte de suas economias— de sua carteira de investimentos. Ele precisava ampliar a casa depois que sua esposa engravidou do terceiro filho do casal, em 2022.
Seus investimentos tornaram-se cada vez mais arriscados à medida que aumentava a pressão para recuperar as perdas, afirmou. "Isso se transformou em um ciclo terrível, no qual fui gradualmente perdendo o controle de tudo", relatou no tribunal. Ele reiterou que o esquema "nunca teve a ver com luxo" e que sempre pretendeu devolver a quantia furtada.
O Deutsche Bank identificou atividades suspeitas em 2025 e apresentou uma denúncia às autoridades, dando início a uma investigação criminal. No mês passado, promotores realizaram buscas na agência localizada no térreo da sede do banco, em Frankfurt.
Segundo depoimentos prestados em juízo, o banco adota um processo de aprovação que passa por duas pessoas para transações superiores a 2.500 euros (R$ 15,02 mil). O réu afirmou ter contornado esses controles, em alguns casos, apresentando a colegas trocas de emails que haviam sido manipulados.
Ele reconheceu que, normalmente, as aprovações não deveriam ter se baseado em emails e que uma ligação independente para o cliente teria revelado a fraude, mas esse nível de verificação não era prática comum no banco.
O Deutsche Bank afirmou que menos de dez contas de clientes estiveram envolvidas. "Os clientes afetados foram informados imediatamente e integralmente ressarcidos pelo Deutsche Bank", informou a instituição financeira.
O banco afirmou lamentar o ocorrido e ter demitido o funcionário. O Deutsche Bank tambem comunicou que, desde então, reforçou seus controles e adotou medidas em toda a sua rede de vendas e agências para ampliar a conscientização sobre esse tipo de esquema fraudulento.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/funcionario-de-banco-alemao-admite-que-desviou-r-36-milhoes-de-clientes-ricos-para-conta-da-sogra.shtml.

Deutsche Bank apura desvio de ex-funcionário na sede em Frankfurt - Kirill Kudryavtsev/-22.jul.26/AFP · Kirill Kudryavtsev/-22.jul.26/AFP — Foto: UOL
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