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    Funcionária será indenizada por se queimar ao fazer batata frita; entenda

    Acidente de trabalho ocorreu em janeiro de 2020 em restaurante de Santos (SP); mulher foi atingida por óleo que fervia em tacho onde eram feitas as batatas

    CNN Brasil
    18 de agosto de 2026 às 15:37
    Funcionária será indenizada por se queimar ao fazer batata frita; entenda
    Foto: CNN Brasil

    Uma ex-auxiliar de cozinha , de 53 anos, será indenizada pelo restaurante que trabalhava em Santos , no litoral paulista, após se queimar gravemente com óleo quente ao fazer batatas fritas . O caso ocorreu em 2020 e a empresa pode ter que pagar até cerca de R$ 90 mil.

    O processo foi movido em outubro de 2024 na 6ª Vara do Trabalho de Santos e teve recurso julgado pela 7ª Turma do TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região) neste ano. A mulher trabalhou no Restaurante Lisboa Antiga de Santos entre 2019 e 2022.

    O acidente de trabalho ocorreu em janeiro de 2020, quando ela foi atingida pelo óleo que fervia em um tacho onde eram feitas as batatas. A mulher teve 36% da superfície corporal queimada: queimaduras de 1° e 2° graus no rosto, no braço direito e no tórax, precisando ficar internada para realizar uma cirurgia plástica.

    Patroa usava aposentadoria de empregada idosa para despesa da casa; entenda
    Patroa usava aposentadoria de empregada idosa para despesa da casa; entenda — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A ex-funcionária ainda passou por inúmeros tratamentos, ficando afastada do trabalho até julho de 2021. Mesmo assim, ela vive diariamente com dores e tomando analgésicos. Fotos incluídas no processo mostram a extensão dos danos na pele.

    A defesa da mulher pedia o pagamento de mais de R$ 200 mil em indenizações por danos morais , materiais e estéticos, além de valores de direitos trabalhistas como FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), reajustes salariais e seguro de vida/acidentes. Ela foi desligada da empresa em novembro de 2022.

    A ex-auxiliar alegou que o acidente de trabalho causou um sofrimento físico e psicológico , como forma de danos morais; cicatrizes permanentes e evidentes na pele , como forma de danos estéticos; e a necessidade de custear medicamentos e tratamentos ao longo de anos , como danos materiais.

    Idosa morre após comer escondidinho de camarão em restaurante em MG
    Idosa morre após comer escondidinho de camarão em restaurante em MG — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Seus representantes legais também afirmaram que ela trabalhava em um local insalubre, próximo ao forno, fritadeiras e a chapa, ainda manuseando produtos químicos . A mulher também alegou pagamentos por faltas de depósitos de FGTS e reajustes de convenções coletivas.

    Por outro lado, a defesa do restaurante negou responsabilidade pelo ocorrido , alegando que a cozinha não apresentava risco, que a empresa cumpria os requisitos de segurança e que a atividade exercida pela mulher era comum.

    Um ponto central da defesa foi que a mulher, segundo o restaurante, operou a fritadeira deliberadamente, já que a ação não estava dentro de suas atribuições como auxiliar de cozinha.

    Idosa morre após comer escondidinho de camarão em restaurante em MG
    Idosa morre após comer escondidinho de camarão em restaurante em MG — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo a sentença da Justiça de Santos, em dezembro de 2025, apesar da tese da defesa, não foi apresentada nenhuma prova que corroborava a versão que o restaurante não teve culpa. "Ao contrário, a dinâmica do acidente revela a existência de um ambiente de trabalho que oferecia riscos (piso escorregadio com água e óleo)", caracterizando negligência.

    Foi julgado procedente o pedido de danos morais , determinando o pagamento de R$ 8 mil. "As lesões sofridas, por sua natureza e extensão, evidentemente causam um sofrimento que transcende o mero dissabor cotidiano , atingindo os direitos da personalidade da trabalhadora, como sua integridade física e psíquica", escreveu a juíza Maya Figueiredo.

    Um laudo pericial confirmou que a mulher teve "dano corporal cutâneo permanente" . O documento e um entendimento do STJ (Superior Tribunal de Justiça) embasaram a decisão de dar procedência ao pagamento de R$ 8 mil em danos estéticos pelo restaurante .

    Idosa que ficou 49 anos em trabalho análogo à escravidão é resgatada em SP
    Idosa que ficou 49 anos em trabalho análogo à escravidão é resgatada em SP — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Porém, foi julgado improcedente o pedido de danos materiais , já que, segundo a 7ª Turma, "a condenação ao pagamento de danos materiais não pode se basear em conjecturas", afirmando que não foram apresentadas provas suficientes. A própria funcionária recorreu à segunda instância, solicitando o aumento dos pagamentos e a condenação por dano material.

    Na 7ª Turma do TRT-2 , os desembargadores concordaram em majorar as indenizações de danos morais e estéticos para R$ 12 mil cada , julgando a ação parcialmente procedente.

    O processo transitou em julgado em junho deste ano, ou seja, não há mais possibilidade de recurso . O restaurante foi condenado aos seguintes pagamentos:

    Segundo o cálculo do representante legal da funcionária que ainda deve ser homologado pelo juízo, o valor líquido que a mulher deve receber é de R$ 73,2 mil . Em nota, os representantes da mulher reforçaram que cabe ao empregador assegurar condições de trabalho adequadas e seguras aos funcionários.

    " Quando ocorre um acidente, ele deve ser responsabilizado . E se deste acidente surgem sequelas definitivas, a reparação deve ser fixada de acordo com a real extensão do prejuízo experimentado pela vítima".

    A CNN Brasil tenta contato com a defesa do restaurante. O espaço está aberto para manifestações.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/funcionaria-sera-indenizada-por-se-queimar-ao-fazer-batata-frita-entenda/.

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    Patroa usava aposentadoria de empregada idosa para despesa da casa; entenda — Foto: CNN Brasil

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