Fumo passivo pode causar câncer e outras doenças graves em pets
Além de inalarem a fumaça do cigarro, cães e gatos podem ingerir substâncias tóxicas depositadas nos próprios pelos ao se lamberem

A rotina de cães e gatos expostos aos resíduos do cigarro dentro de casa gera consequências severas para a saúde . A veterinária Marcela Aldrovani explica que, ao respirar o ar contaminado e realizar a higiene diária de uma pelagem impregnada de toxinas , os pets ficam expostos a substâncias que podem provocar desde inflamações intensas até tumores agressivos .
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O impacto do tabagismo vai muito além das vias respiratórias. O problema alcança múltiplos tecidos do corpo e compromete diretamente a qualidade de vida do bichinho.
Pets que inalam a fumaça podem sofrer com fortes inflamações e danos graves em suas células e até mesmo no DNA .
Na prática, as substâncias tóxicas do cigarro afetam o corpo do animal de forma tão profunda que acabam abrindo caminho para o surgimento de doenças crônicas e tumores, afirma a veterinária Marcela Aldrovani.

Quando a fumaça do cigarro entra no organismo do animal, o primeiro contato ocorre nas vias aéreas, onde existem minúsculos “pelinhos” responsáveis por ajudar na limpeza e proteção do sistema respiratório.
A exposição frequente à fumaça prejudica essas estruturas , comprometendo a capacidade natural do organismo de liberar o muco e expulsar as toxinas.
Em cães de focinho longo, a extensa cavidade nasal funciona como um filtro que retém mais partículas, diminuindo a carga que chega aos pulmões. Porém, a especialista alerta que essa retenção “aumenta significativamente a exposição e o risco de tumores nos tecidos nasais”.

Nos pulmões, a fumaça do cigarro ajuda a criar cicatrizes e destruir as pequenas áreas responsáveis pela entrada de ar . Esse estrago “endurece” o órgão e pode contribuir para o surgimento de uma doença muito parecida com o enfisema humano.
O risco para a saúde não acaba quando a fumaça vai embora. Segundo a profissional, existe o “fumo de terceira mão” , formado pelos resíduos do cigarro que ficam fortemente grudados em móveis, roupas, poeira e nos pelos dos bichos.
Para os felinos, a situação é ainda mais crítica por conta dos hábitos de limpeza . Ao se lamberem repetidamente, esses animais acabam ingerindo as substâncias tóxicas presas na pelagem, promovendo o contato direto da sujeira com a língua, gengiva e o fundo da boca.

Segundo a professora da Universidade de Franca (Unifran), há evidências de um aumento de aproximadamente 77% nas chances de desenvolvimento de tumores malignos agressivos na boca de gatos expostos a essa fumaça .
Muitos tutores acreditam que as novas tecnologias são inofensivas, mas o que sai de um cigarro eletrônico não é vapor de água. Trata-se de um aerossol de metais pesados, nicotina e compostos químicos que causam inflamações e lesões no tecido respiratório.
Tentar proteger o animal fumando na varanda ou na janela não resolve o problema, já que as correntes de ar trazem a fumaça de volta para dentro. As agências de proteção ambiental recomendam que o cigarro seja fumado sempre em áreas externas , a uma distância de aproximadamente sete a oito metros da casa e de entradas de ar.

Parar de fumar no ambiente doméstico é a única atitude segura . Embora o corpo não consiga reconstruir completamente a estrutura do pulmão em casos de cicatrizações rígidas, interromper a agressão diária reduz a sobrecarga de toxinas e permite que os tecidos com capacidade regenerativa finalmente se recuperem.




Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/e-o-bicho/fumo-passivo-pode-causar-cancer-e-outras-doencas-graves-em-pets.

Getty Images — Foto: Metrópoles
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