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    Fumaça dificulta trabalho e agrava problemas respiratórios de moradores em Manaus: 'o pulmão do mundo está sufocando'

    A autônoma Márcia Mendes e o carregador Jozenias Nogueira Jadson Lima/g1 AM A fumaça provocada pelas queimadas que encobriu Manaus nesta sexta-feira (9) dificultou a rotina de moradores, que relataram problemas para respirar, irritação na garganta, noites mal dormidas e prejuízos ao trabalho. Pelo segundo dia consecutivo, a capital amazonense registrou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir. Diante do agravamento da poluição, a Defesa Civil emitiu um alerta severo sobre os riscos à saúde e recomendou que a população evite a exposição prolongada à fumaça. Ins

    G1
    9 de outubro de 2026 às 18:20
    Fumaça dificulta trabalho e agrava problemas respiratórios de moradores em Manaus: 'o pulmão do mundo está sufocando'
    Foto: G1

    A autônoma Márcia Mendes e o carregador Jozenias Nogueira — Foto: Jadson Lima/g1 AM

    A fumaça provocada pelas queimadas que encobriu Manaus nesta sexta-feira (9) dificultou a rotina de moradores, que relataram problemas para respirar, irritação na garganta, noites mal dormidas e prejuízos ao trabalho. Pelo segundo dia consecutivo, a capital amazonense registrou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir .

    Diante do agravamento da poluição, a Defesa Civil emitiu um alerta severo sobre os riscos à saúde e recomendou que a população evite a exposição prolongada à fumaça. Instituições de ensino também suspenderam atividades presenciais na capital.

    Nas ruas, trabalhadores tentaram manter a rotina apesar da fumaça. Ao g1 , a autônoma Márcia Mendes, que tem rinite e sinusite, relatou que a poluição tem agravado os problemas respiratórios. Segundo ela, a fumaça provoca irritação na garganta, congestão nasal e crises de espirros ao longo do dia . À noite, a dificuldade para respirar e as dores de cabeça prejudicam o sono .

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    Como trabalha com vendas e precisa conversar com clientes durante boa parte do dia, Márcia afirma que a exposição à poluição aumenta o desconforto na garganta e dificulta a rotina profissional. Mesmo com os sintomas, ela precisa sair de casa para garantir a renda.

    "Manaus, no Amazonas, é conhecida como o pulmão do mundo, mas a gente está sufocando com toda essa fumaça. Está prejudicando todo mundo", afirmou.

    O autônomo Valdeci Moraes de Castro relatou que a poluição invade até as casas e dificulta o descanso. Ele criticou a falta de respostas do poder público e demonstrou preocupação com os efeitos da fumaça sobre a população, principalmente idosos e pessoas com problemas respiratórios.

    "Nem em casa pode dormir. A fumaça entra toda para dentro do quarto. O ar está horrível", afirmou Valdeci em entrevista ao g1.

    Ele disse que a situação também afeta quem precisa sair de casa para atividades básicas, como comprar alimentos, e defendeu o uso de máscaras para reduzir a exposição à fumaça.

    A dificuldade de conciliar os cuidados com a saúde e a necessidade de trabalhar também foi relatada pelo carregador Jozenias Nogueira Pereira, de 63 anos. Morador do outro lado do Rio Negro, ele se desloca diariamente até Manaus para transportar cargas e afirma que a fumaça torna o trajeto mais difícil, com sensação de sufocamento .

    "Fica esse fumaceiro de manhã que não aguenta mais. É preocupante por causa da nossa saúde, dos nossos filhos e dos nossos netos", disse Nogueira.

    Ele também criticou quem ateia fogo em terrenos sem considerar os efeitos sobre outras pessoas . Segundo o trabalhador, a fumaça prejudica até quem não tem relação com as queimadas.

    Além de afetar a saúde, a fumaça reduz a visibilidade e aumenta os desafios para quem navega pelos rios do Amazonas. Igor Gama, contramestre de uma embarcação que transporta cargas e passageiros entre Manaus e Urucurituba , no Baixo Amazonas, afirma que a navegação está cada vez mais perigosa devido à combinação de fumaça, seca e bancos de areia.

    Segundo ele, equipamentos de navegação são fundamentais para identificar obstáculos, manter a rota e evitar acidentes, principalmente durante a madrugada, quando a visibilidade é menor.

    "Está cada vez mais perigoso, o rio está secando, agora tem a fumaça intensa. Tem todos esses desafios, pela madrugada. Muitas embarcações sofrem acidentes por causa da falta de equipamentos", disse.

    Igor explicou que o sistema de identificação automática de embarcações ( AIS, na sigla em inglês ) permite localizar outros barcos a quilômetros de distância e antecipar manobras. Quando as embarcações não contam com essa tecnologia, a comunicação depende do rádio, o que pode dificultar a identificação de outros barcos e aumentar o risco de colisões e encalhes.

    "Quando a embarcação identificação automática de embarcações (AIS) conseguimos nos comunicar. Esse tempo de fumaça é muito periogoso é só os equipamentos para nos auxiliar", declarou.

    Com o nível dos rios mais baixo e a visibilidade prejudicada pela fumaça, a presença de balsas, navios e bancos de areia torna a navegação ainda mais desafiadora.

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    Os relatos ocorrem em meio a índices elevados de poluição registrados em Manaus. Por volta das 5h desta sexta-feira, o í ndice de qualidade do ar (AQI+) em Manaus chegou a 366, considerado "perigoso" pela IQAir. A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 258,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³) .

    Já o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas ( UEA ), classificou a qualidade do ar como "péssima" na manhã desta sexta-feira.

    Por volta das 6h, os bairros Morro da Liberdade, Educandos e áreas próximas registraram concentrações de até 320,2 µg/m³ de partículas poluentes.

    🔎 A qualidade do ar é considerada boa pelo Selva quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³ . Acima desse nível, os índices passam por classificações que variam de moderada a péssimo, conforme a escala utilizada pelo Sistema Selva.

    Igor Gama é contramestre de embarcação e deu entrevista ao g1 — Foto: Jadson Lima/g1 AM

    Márcia Mendes é vendedora de marmitas em Manaus e relatou problemas de saúde com a fumaça — Foto: Jadson Lima/g1 AM

    Doméstica Perpétua Mendes — Foto: Jadson Lima/g1 AM

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/09/fumaca-dificulta-trabalho-e-agrava-problemas-respiratorios-de-moradores-em-manaus-o-pulmao-do-mundo-esta-sufocando.ghtml.

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