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    Freada da economia é o mau motivo da queda dos juros

    O Banco Central acredita que a inflação chegará perto da meta de 3% ao ano no início de 2028. O ritmo de atividade econômica vem caindo de modo mais pronunciado. É o que se depreende da estagnação verificada até o trimestre encerrado em julho e de indicadores preliminares de agosto. Leia mais (09/19/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de setembro de 2026 às 01:00
    Freada da economia é o mau motivo da queda dos juros
    Prédio alto do Banco Central do Brasil com fachada de vidro e estrutura vertical em tom bege, visto de baixo para cima. Céu parcialmente nublado ao fundo e árvores à esquerda. — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

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    Fachada da sede do Banco Central, em Brasília (DF) - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil · Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
    Fachada da sede do Banco Central, em Brasília (DF) - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil · Rafa Neddermeyer/Agência Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Banco Central acredita que a inflação chegará perto da meta de 3% ao ano no início de 2028. O ritmo de atividade econômica vem caindo de modo mais pronunciado. É o que se depreende da estagnação verificada até o trimestre encerrado em julho e de indicadores preliminares de agosto.

    Tendo em vista apenas tais aspectos, é provável que o BC continue a cortar a taxa básica de juros nos próximos meses —como o fez na quarta (16), quando a Selic foi reduzida de 14% para ainda exorbitantes 13,75% anuais.

    Há riscos, porém, para essa trajetória, crucial para a redução dos gastos financeiros de governo, famílias e empresas. As despesas públicas em alta pressionam a inflação; o mesmo podem fazer uma alta do dólar e possíveis novos choques de preços do petróleo e efeitos derivados do fenômeno climático El Niño .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O real, como outras moedas de países emergentes, não tem sido abalado de modo mais relevante pelo nível elevado dos juros americanos, mas é incerto se tal comportamento continuará em caso de alteração financeira maior nos Estados Unidos — onde, na mesma quarta, as taxas subiram.

    Quanto à atividade econômica, as perspectivas para 2027 são preocupantes. A mediana das projeções dos economistas coletadas pelo BC vem diminuindo e hoje ronda 1,5%. A tendência é piorar.

    Ainda que a Selic caia mais, permanecerá em patamar restritivo; as taxas de juros de prazo mais longo permanecem nas alturas e, tudo o mais constante, não recuarão sem que o próximo governo apresente um plano de ajuste fiscal rigoroso e crível.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Assim, o endividamento de famílias e empresas, a inadimplência elevada e o custo de financiamentos devem fazer com que o ritmo de concessões de crédito continue em queda. O impulso fiscal —o gasto extra do setor público— deverá ser menor no próximo ano, se houver algum.

    A desaceleração econômica deve reduzir o número de pessoas ocupadas e o avanço da renda, com o que será mais difícil pagar dívidas. Juros altos e incerteza devem conter o investimento.

    Assim, não há à vista motores para sustentar um crescimento do PIB superior ao ora previsto pelos economistas, ainda que não venham a ocorrer choques no câmbio, no petróleo e no clima.

    Mesmo que se anuncie um programa de controle orçamentário e reformas, a contenção de gastos do governo deve ter, em um primeiro momento, efeitos contracionistas —embora a decorrente redução das taxas de juros possa antecipar uma recuperação da demanda e da atividade.

    Tal situação, de menos crescimento e emprego em um país endividado, dificulta as condições políticas de um ajuste. No entanto adiá-lo tende a aumentar as dificuldades de negociação com o Congresso Nacional e de convencimento da sociedade. Além do mais, a procrastinação pode fazer com que a crise se torne crônica ou sujeite o país a um choque traumático. Não haverá tempo a perder.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/freada-da-economia-e-o-mau-motivo-da-queda-dos-juros.shtml.

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    Fachada da sede do Banco Central, em Brasília (DF) - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil · Rafa Neddermeyer/Agência Brasil — Foto: Folha de S.Paulo

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