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    França se prepara para eleições de 2027 sob temor de duelo entre extremos

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    Folha de S.Paulo
    13 de agosto de 2026 às 20:32
    França se prepara para eleições de 2027 sob temor de duelo entre extremos
    Dois retratos lado a lado mostram um homem e uma mulher em ambiente de estúdio com fundo desfocado. O homem à esquerda tem cabelo grisalho, usa óculos, terno escuro, camisa branca e gravata vermelha. A mulher à direita tem cabelo loiro clar — Foto: Folha de S.Paulo

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    Montagem com Marine Le Pen, principal voz da ultradireita francesa, e Jean-Luc Mélenchon, líder da ultraesquerda no país - JULIE SEBADELHA/AFP · JULIE SEBADELHA/AFP
    Montagem com Marine Le Pen, principal voz da ultradireita francesa, e Jean-Luc Mélenchon, líder da ultraesquerda no país - JULIE SEBADELHA/AFP · JULIE SEBADELHA/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

    Agosto costuma esvaziar a França . O país migra para o litoral e a vida política some com os ministros, mas neste ano o verão veio diferente, porque a eleição presidencial de 2027 já projeta sua sombra e o campo político passou a se rearrumar antes que fosse tarde.

    No fundo, de toda essa movimentação está um único medo: o de um segundo turno entre a extrema direita de Marine Le Pen e a extrema esquerda de Jean-Luc Mélenchon , da França Insubmissa, um cenário que deixaria de fora todo o centro e boa parte da direita e da esquerda tradicionais. O temor ganhou corpo com a entrada de Le Pen, líder da Reunião Nacional, na corrida. Condenada em segunda instância por desvio de fundos do Parlamento Europeu, ela viu a pena de inelegibilidade ser reduzida em julho a um período já transcorrido, e está candidata, ainda que um recurso pendente na Corte de Cassação possa reabrir a questão perto da eleição. Lidera as pesquisas com folga: uma sondagem Elabe de julho lhe deu 34% a 35,5% no primeiro turno e a apontou como vencedora no segundo turno contra qualquer adversário, inclusive Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro de centro-direita, hoje no partido Horizons e o nome mais forte do bloco central.

    Sistema EES de controle de passaporte é apresentado à imprensa em setembro de 2025; sistema está provocando filas de até cinco horas em aeroportos do continente, segundo o setor aéreo - Justin Tallis - 19.jun.26/AFP · Justin Tallis - 19.jun
    Sistema EES de controle de passaporte é apresentado à imprensa em setembro de 2025; sistema está provocando filas de até cinco horas em aeroportos do continente, segundo o setor aéreo - Justin Tallis - 19.jun.26/AFP · Justin Tallis - 19.jun — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Toda a agitação de agosto é uma tentativa de conjurar esse duelo. François Bayrou , do Movimento Democrático (centro), propôs uma primária ampla, do Partido Socialista aos herdeiros do gaullismo reunidos em Les Républicains, a direita tradicional, para escolher um nome único capaz de barrar Le Pen e Mélenchon. Gabriel Attal, do Renaissance (o partido de Emmanuel Macron ), quer um agrupamento de direita e esquerda em torno de um projeto liberal, e há quem cogite um retorno de François Hollande , o ex-presidente socialista, cotado por parte do próprio campo macronista como candidato de experiência.

    A reação a essas ideias explica por que a união não sai do papel. Olivier Faure, secretário-geral do PS, respondeu que os franceses não querem uma nova versão do bloco macronista, e sim uma alternativa a ele, enquanto Bruno Retailleau, candidato de Les Républicains, avisou que a ausência de seu partido na disputa seria a morte da legenda. Cada um recusa a aliança no instante em que ela é proposta. Frédéric Dabi, do instituto de pesquisas Ifop, resumiu o beco sem saída: o maior risco para o centro é virar um bloco disforme, sem contornos, cuja única bandeira seja evitar Le Pen e Mélenchon.

    O primeiro teste vem antes de 2027. Em 27 de setembro deste ano, a França renova metade do Senado, e a Reunião Nacional, que hoje tem apenas três senadores e cresceu nas eleições municipais de 2026, espera dobrar ou triplicar sua bancada e sonha em formar seu primeiro grupo na história da Casa, o que exige dez cadeiras. É voto indireto, decidido sobretudo por prefeitos e vereadores, mas já dá a medida de para onde o país se inclina. Tudo isso sobre um chão instável, com o déficit francês em torno de 5% do PIB e a dívida em torno de 116%, num quadro em que qualquer candidato do centro terá de pregar sacrifício fiscal que ninguém quer assumir sozinho. Achar um nome capaz de centralizar esse campo não será fácil, e o desfecho vai pesar sobre toda a UE.

    Divulgação · Divulgação
    Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O risco máximo é um segundo turno entre a extrema direita e a extrema esquerda

    em entrevista ao Le Figaro, ao defender uma primária ampla do centro para a eleição presidencial de 2027

    Quem chega à Europa com passaporte brasileiro neste verão enfrenta longas esperas na imigração. O Financial Times fez um levantamento nos maiores aeroportos do continente e constatou que os tempos de pico dobraram em relação ao ano passado, chegando a duas horas em Frankfurt e em Amsterdã. A causa é o novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia (UE), o EES (Entry/Exit System), em vigor desde abril, que substituiu o carimbo no passaporte por um registro digital com foto e impressões digitais de todo viajante de fora do bloco. Brasileiros estão entre os afetados. É justamente na primeira entrada, quando os dados biométricos são coletados, que a espera se alonga. Cidadãos da UE, inclusive os que têm dupla nacionalidade, não estão sujeitos ao registro no EES quando entram apresentando seu passaporte europeu. A Comissão Europeia defende o sistema e diz que o registro leva em média 70 segundos, com impacto limitado na maioria dos casos. Mas os números nos terminais contam outra história. Para aliviar as filas, alguns aeroportos passaram a desligar parte da coleta nos horários de pico, uma flexibilização que deveria terminar em setembro. Oito países e a Suíça já pediram a Bruxelas mais prazo.

    Mão direita de pessoa vestindo camisa social azul e punho rosa toca botão 'Yes' em tela que solicita captura das digitais da mão direita. Tela exibe texto em inglês e ícones de mãos azul e verde.
    Mão direita de pessoa vestindo camisa social azul e punho rosa toca botão 'Yes' em tela que solicita captura das digitais da mão direita. Tela exibe texto em inglês e ícones de mãos azul e verde. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O que monitorar até a próxima quarta-feira (19)

    " A Guerra Russo-Ucraniana – O Regresso da História ", de Serhii Plokhi (Presença, 2023)

    Enquanto os drones seguem caindo dos dois lados da fronteira, vale recuar para entender como se chegou até aqui. Plokhi, historiador ucraniano nascido na Rússia e professor em Harvard, é uma das maiores autoridades sobre o tema, e neste livro reconstrói o conflito desde as suas raízes, do colapso do império russo à queda da União Soviética, até a invasão de fevereiro de 2022. Não é um relato do calor da batalha, mas a explicação de por que ela era, para quem conhecia a história, quase inevitável. A edição é Portugal, disponível em papel e em formato digital.

    Capa do livro apresenta uma estátua de dois homens segurando um símbolo soviético, com o título em letras grandes azuis e pretas sobre fundo branco.
    Capa do livro apresenta uma estátua de dois homens segurando um símbolo soviético, com o título em letras grandes azuis e pretas sobre fundo branco. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/franca-se-prepara-para-eleicoes-de-2027-sob-temor-de-duelo-entre-extremos.shtml.

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    Montagem com Marine Le Pen, principal voz da ultradireita francesa, e Jean-Luc Mélenchon, líder da ultraesquerda no país - JULIE SEBADELHA/AFP · JULIE SEBADELHA/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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