França: estudantes voltam a bloquear liceus e ampliam pressão por verbas na educação
Estudantes do ensino médio e universitários franceses participam de uma manifestação apoiada por professores, associações de pais e sindicatos de trabalhadores da educação, como parte de um dia nacional de protestos e bloqueios. Os manifestantes expressam indignação com salas de aula superlotadas, falta de professores e prédios escolares deteriorados, problemas que os estudantes atribuem a anos de subinvestimento, em Paris, França, em 6 de outubro de 2026. O slogan diz “indignação”. REUTERS/Tom Nicholson " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/10/franca.png?fit=

Estudantes do ensino médio e universitários franceses participam de uma manifestação apoiada por professores, associações de pais e sindicatos de trabalhadores da educação, como parte de um dia nacional de protestos e bloqueios. Os manifestantes expressam indignação com salas de aula superlotadas, falta de professores e prédios escolares deteriorados, problemas que os estudantes atribuem a anos de subinvestimento, em Paris, França, em 6 de outubro de 2026. O slogan diz “indignação”. REUTERS/Tom Nicholson
Dezenas de milhares de pessoas marcharam em cidades de toda a França nesta terça-feira (6) em apoio a protestos de estudantes do ensino médio que exigem mais recursos para a educação, ampliando a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron, em fim de mandato.
Com alunos voltando a bloquear liceus, grandes multidões com bandeiras e cartazes se reuniram em Marselha, Estrasburgo e outras cidades. As manifestações mostram como protestos iniciados em uma escola na região de Paris, em meados de setembro, ganharam escala e se converteram em um movimento nacional, o mais recente de uma série que marcou os quase dez anos de Macron no poder.

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“A única resposta que receberam até agora foi repressão”, afirmou Sigrid Gerardin, professora de um liceu em Paris. O Ministério do Interior estimou que 86 mil pessoas participaram de atos fora da capital na manhã desta terça-feira, enquanto mais manifestantes se concentravam em Paris para um protesto previsto para a tarde.
Mais de duas semanas de boicote às aulas e bloqueios de escolas, somadas a uma resposta policial que resultou em mais de 6.100 detenções – a maioria de menores -, viraram um foco de tensão no início da campanha presidencial. Felix Barney, estudante universitário, classificou a atuação policial como desproporcional. “Não faz sentido bater em menores”, disse.

Os protestos de adolescentes ganharam força em meio a um descontentamento mais amplo no país. As queixas vão de dificuldades imediatas, como os preços dos combustíveis, que dispararam com a guerra no Irã, a preocupações estruturais sobre limites ao gasto público, aumento da pobreza e desigualdade de renda e riqueza sob Macron, que não pode disputar um terceiro mandato consecutivo. Nesse contexto, a avaliação de que a falta de recursos na educação ameaça o futuro dos jovens tem encontrado receptividade. Em uma escola de Paris, um cartaz manuscrito preso a uma grade dizia: “Vocês dizem ‘os jovens são o futuro’, então ouçam-nos”.
No liceu Hélène Boucher, no 20º distrito de Paris, manifestantes usaram latas de lixo e bicicletas para erguer uma barricada improvisada. Como em centenas de casos pelo país, a escola foi fechada. As autoridades começaram a suspender atividades em colégios na semana passada, numa tentativa de arrefecer as manifestações após episódios de depredação e o aumento de feridos entre funcionários, estudantes e policiais. Segundo o Ministério da Educação, as aulas foram total ou parcialmente suspensas nesta terça-feira em 891 escolas.
Diante de acusações de que estaria ignorando os manifestantes, o ministério lançou um portal online para que estudantes relatem, de forma anônima, as dificuldades enfrentadas nas escolas e as mudanças que gostariam de ver.

O ministro do Interior, Laurent Nunez, defendeu os métodos policiais usados contra estudantes, apesar do número crescente de ferimentos graves atribuídos a armas de controle de distúrbios. O caso mais recente citado foi o de um adolescente de 15 anos que perdeu uma mão na segunda-feira em um incidente envolvendo uma granada de efeito moral. Nunez afirmou que a resposta foi proporcional em “quase todos os casos”. Ele disse ainda que, em alguns momentos, os protestos se transformaram em tumultos, exigindo intervenção, e que 715 policiais ficaram feridos.
Em Paris, pais e outros adultos se posicionaram entre manifestantes e policiais. “Eles são nossos filhos. Professores, pais, federações, todos compartilhamos o mesmo objetivo: proteger os direitos das crianças, e é um direito legítimo protestar e fazer reivindicações”, disse Emilia Sichili Suriam, integrante de uma associação de pais.
Os manifestantes citam uma série de problemas, com destaque para a falta de recursos e oportunidades em escolas de áreas mais pobres, apesar do lema nacional francês, “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. Estudantes têm chamado atenção para salas deterioradas, sem itens básicos como carteiras e cadeiras, que ficam sufocantes no verão por falta de ar-condicionado e, em alguns casos, com infestação de ratos. Outras reclamações frequentes incluem falta de pessoal e uma carga de trabalho considerada exaustiva, já que o número de horas obrigatórias em sala de aula no ensino médio francês está entre os mais altos da Europa. Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
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