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    Fragmentação partidária cai na Câmara, que concentra poder na direita

    A Câmara dos Deputados eleita no pleito de 2026 será menos fragmentada do que a anterior, mas o resultado pode não significar mais facilidade de negociação para o próximo presidente. Leia mais (10/06/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    6 de outubro de 2026 às 07:00
    Fragmentação partidária cai na Câmara, que concentra poder na direita
    A imagem mostra uma sessão na Câmara dos Deputados do Brasil, com muitos deputados reunidos em um ambiente legislativo. No centro, um grupo de deputados está posando para fotos, enquanto outros estão em pé e levantando as mãos. Há uma bande — Foto: Folha de S.Paulo

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    A Câmara dos Deputados eleita no pleito de 2026 será menos fragmentada do que a anterior, mas o resultado pode não significar mais facilidade de negociação para o próximo presidente.

    O plenário da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.ago.2025/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.ago.2025/Folhapress
    O plenário da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.ago.2025/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.ago.2025/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O resultado das eleições de domingo (4) consolidou o movimento de redução do número de forças partidárias com peso relevante na Casa, influenciado pelo fim das coligações proporcionais, a criação da cláusula de desempenho e o voto útil, na opinião de especialistas ouvidos pela Folha .

    Para o novo presidente, também vai pesar no cálculo a concentração de poder no PL , que elegeu 121 deputados, o equivalente a 23,6% da Câmara. O PT / PC do B / PV aparece em segundo lugar, com 88 deputados, seguido por União Brasil / PP , com 87, PSD, com 43, Republicanos, com 41, MDB, com 36, e Podemos, com 27.

    Ao todo, 15 partidos ou federações terão representação na Câmara eleita em 2026. Nas eleições de 2018, 30 partidos elegeram representantes na Casa. Com fusões, incorporações e trocas de legenda, o número de siglas caiu para 23 em 2022.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo levantamento da Folha , a composição eleita neste domingo concentra 59% de deputados de direita, 24% de esquerda e 17% de centro.

    Para o cientista político Elias Tavares, o resultado consolida um cenário no qual cada vez mais um número concentrado de siglas vai ter força para decidir os rumos do país.

    Ele entende que a redução do número de partidos pode não necessariamente facilitar a negociação do presidente com o Legislativo, uma vez que as siglas com mais parlamentares chegam na mesa de negociação com força para fazer oposição.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O poder começou a se concentrar novamente em menos forças políticas. Isso é resultado também das mudanças das regras eleitorais, como o fim das coligações proporcionais e, principalmente, a cláusula de desempenho e a criação das federações partidárias", explica Elias.

    Para o especialista, a consequência é um reflexo político importante, com o PL avançando com a força de "um rolo compressor" na Câmara e no Senado , onde também ampliou a presença. A sigla elegeu 19 senadores e vai ter 28 parlamentares na Casa.

    "O Brasil continua tendo muitos partidos, mas cada vez menos partidos têm força de verdade para decidir os rumos do país. A gente continua sendo um país multipartidário, mas deixando de ser hiperfragmentado", avalia Tavares.

    Para Luis Gustavo Teixeira, doutor em ciência política e professor da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), as eleições de 2026 tiveram impacto na fragmentação partidária em três níveis: Câmara, Senado e Congresso. "Em qualquer um desses três níveis, a fragmentação partidária diminuiu consideravelmente no Brasil em comparação a 2018 e 2022", afirma Teixeira.

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    Na Câmara dos Deputados, além da consolidação dos blocos do PL e PT, houve o encolhimento de bancadas influentes do centrão, como União Brasil e PP. "No Senado e para o cargo de governador, a fragmentação partidária foi menor ainda, na medida em que houve franca hegemonia do Partido Liberal, que no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste elegeu muitos representantes", explica o especialista.

    Ele entende que o resultado da eleição aponta para um "movimento de cardume" de voto útil e estratégico de eleitores que querem aumentar o capital político de seus representantes no Executivo.

    "Há uma série de instrumentos que o sistema eleitoral brasileiro adotou [como a cláusula de barreira, aprovada em 2017] que já vinha produzindo efeito e que, combinado ao voto útil, promoveu uma redução bastante significativa da fragmentação partidária".

    Fabio Andrade, cientista político e professor do curso de Relações Internacionais da ESPM, aponta que, no cálculo sobre fragmentação, importa considerar o número de partidos, sua capacidade de representação dentro da Câmara e a elasticidade ideológica.

    O especialista aponta que ao menos desde 2006 há um esforço para diminuir a fragmentação partidária, movimento intensificado neste ano pela forte correlação entre os votos na Câmara e no Executivo.

    Com isso, o presidente que ganhar pega um Congresso menos fragmentado, o que pode resultar em facilidade de negociação se o eleito for Flávio Bolsonaro (PL), mas só se ele mantiver as emendas parlamentares, na opinião do especialista.

    Do contrário, mesmo um Congresso Nacional com a força do PL pode não significar necessariamente facilidade na negociação para o correligionário. "O que o Congresso tem feito, pelo menos desde 2018, é se sobrepor ao Executivo [por meio das emendas]."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/fragmentacao-partidaria-cai-na-camara-que-concentra-poder-na-direita.shtml.

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    O plenário da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.ago.2025/Folhapress · Pedro Ladeira - 6.ago.2025/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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