Foragidos no país do futuro
População jovem, praias urbanas, ebulição cultural e arquitetura moderna . No início dos anos 1960, o Brasil parecia cumprir o seu destino como país do futuro. Mas, para alguns estrangeiros, o maior atrativo era justamente o que faltava: um tratado de extradição . Leia mais (09/25/2026 - 10h00)

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Jornalista carioca radicada nos EUA, edita livros de economia e escreve crônicas sobre o cotidiano, literatura e História
População jovem, praias urbanas, ebulição cultural e arquitetura moderna . No início dos anos 1960, o Brasil parecia cumprir o seu destino como país do futuro. Mas, para alguns estrangeiros, o maior atrativo era justamente o que faltava: um tratado de extradição .
Em 1962, uma revista retratou a rotina de três americanos condenados por crimes financeiros que tinham fugido para o Rio de Janeiro . Em solo brasileiro, a lei dos Estados Unidos não os alcançava.

Texto e fotos da reportagem foram feitos por Andrew St. George, um jornalista húngaro-americano famoso por sua cobertura da Revolução Cubana .
Tive acesso às centenas de imagens ainda inéditas dos arquivos da revista e fiquei curiosa para saber como essas histórias terminaram.
O primeiro chegou como quem não tem limites. Alugou uma cobertura em Ipanema, se separou da mulher e deu um conversível de presente à namorada. Virou o rei do cheque sem fundo, até a Justiça brasileira bater à sua porta.

O segundo chegou com planos grandiosos. Tentou comprar o Copacabana Palace , mas não conseguiu e perdeu tudo em investimentos duvidosos.
Os dois voltaram ainda nos anos 1960 para cumprir suas penas no país natal.
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O terceiro foi o que ficou. Casou-se e teve um filho. Anos depois, foi investigado por golpes no Brasil, até desaparecer sem deixar rastro.
As três histórias são cinematográficas. Há golpes, fugas espetaculares e reviravoltas. Mas o que me prendeu mesmo foi outra coisa: o cenário, as imagens de uma cidade familiar, mas nem tanto. Uma Copacabana efervescente e já meio caótica. Uma Ipanema bucólica, ainda em construção. Um Rio imperfeito, contraditório, verde e bonito de doer.
Essas fotos me levaram ao passado do tal "país do futuro". Lá, dei de cara com ele, o presente.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/foragidos-no-pais-do-futuro.shtml.

Earl Belle, 32 anos, virou o rei do cheque sem fundo no Rio de Janeiro, até a Justiça brasileira bater à sua porta - Andrew St. George/Look Magazine/Biblioteca do Congresso · Andrew St. George/Look Magazine/Biblioteca do Congresso — Foto: Folha de S.Paulo
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