Foo Fighters recupera vigor com novo baterista e raridades no Rock in Rio
Banda foi a principal atração desta sexta-feira (4), o primeiro dos sete dias da edição deste ano do festival

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Quando terminou de cantar a terceira música do show do Foo Fighters no Rock in Rio , Dave Grohl estava totalmente encharcado de suor. O vocalista guiou a banda americana em um show dedicado, que privilegiou hits, para uma plateia a perder de vista no palco Mundo, o maior do festival.

O Foo Fighters foi a principal atração desta sexta-feira (4), o primeiro dos sete dias da edição deste ano do Rock in Rio. O festival acontece no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro, até o dia 13.
A banda não é nenhuma novidade no Brasil. Já foram mais de 15 shows no país, incluindo nas edições de 2001 e 2019 do Rock in Rio. E eles têm até data para voltar —no ano que vem, com shows em estádios de São Paulo e Belo Horizonte .
Isso somado a uma carreira recheada de shows desta dimensão poderia apontar para uma apresentação burocrática, no modo automático. Mas o Foo Fighters de 2026 soou revigorado e mais interessante do que em sua última passagem pelo Brasil —com um show que beirou o tedioso, com jams alongadas, no The Town , três anos atrás.

Parte disso tem a ver com o novo baterista. Na época, a banda tinha no posto o veterano Josh Freese , que havia substituído Taylor Hawkins , morto em 2022 e um dos símbolos do Foo Fighters. Agora, o dono das baquetas é Ilan Rubin, que já passou pelo Paramore e estava no Nine Inch Nails.
Se Freese era apenas correto e preciso, Rubin soou dinâmico e vigoroso no palco, ainda que parecesse tímido com os novos parceiros de banda. Seu estilo tem mais a ver com o de Hawkins e ele inclusive assumiu parte dos backing vocals, que eram função do ex-baterista do grupo.
As jams também ficaram mais curtas. Ainda que as performances tenham sido alongadas, o Foo Fighters gastou menos tempo inserindo sessões de improviso no meio das músicas —elas agora soaram como respiros, e não como se a banda estivesse mostrando virtuosismo, se divertindo mais que o público.

O repertório também foi mais bem selecionado. Apesar de ter um disco recém-lançado na bagagem, "Your Favourite Toy", o Foo Fighters dedicou sua atenção ao que tem de melhor —os discos dos anos 1990 e 2000, além do celebrado álbum "Wasting Light" , de 2011.
Começou com uma sequência de petardos —"All My Life", "The Pretender" e Times Like These"—, e não para vir outra —"My Hero" e "Learn to Fly". É diminuta a lista de bandas de rock em atividade que têm um arsenal de hits como o do Foo Fighters.
Isso ficou evidente quando as dezenas de milhares de vozes no Parque Olímpico cantaram juntas o refrão de "My Hero" —um coro monstruoso que só o Rock in Rio é capaz de produzir, especialmente raro nesta sexta. "Amo quando vocês cantam comigo. Se não souber a letra, olhe para o cara de 50 anos do seu lado e cante o que ele estiver cantando."

Grohl fez o pedido antes de puxar três baladas —"These Days", "Walk" e "Wheels"—, que deram algum fôlego à turma que estava mantendo as rodas de bate-cabeça perto do palco. Emendou depois uma raridade, "Marigold", que ele disse ter composto antes da primeira vez que veio ao Brasil —em 1993, quando era baterista do Nirvana.
O Foo Fighters tratou bem os fãs "old school", como Grohl os saldou repetidamente ao longo da apresentação. Além de "Marigold", a banda tocou "Stacked Actors", "Monkey Wrench", "Breakout" e "Aurora" —esta, uma homenagem a Taylor Hawkins, que segundo o vocalista, adorava tocá-la— e a mais rara de todas, "Exhausted", de 1995, nunca antes tocada no Brasil.
Do novo álbum, o grupo só puxou "Window", que Grohl introduziu ensinando um coro timidamente repetido pela plateia. Foi, naturalmente, o momento mais caído do show, que teve também a insossa "The Sky is a Neighborhood", lançada em 2017.
O encerramento incluiu os sucessos "Best of You" e "Everlong" no que foi de longe o melhor e mais animado show deste primeiro dia deste Rock in Rio. Não tão longo para os padrões do Foo Fighters, beirando as duas horas de duração.
O público não arredou pé na madrugada de sábado (5) e ainda pulou e cantou nas performances finais —o que é bastante para os padrões de plateia do Rock in Rio, majoritariamente frequentado por gente que, entre um show e um brinde de marca, costuma preferir o segundo.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/foo-fighters-recupera-vigor-com-novo-baterista-e-raridades-no-rock-in-rio.shtml.

Show da banda Foo Fighters, no palco Mundo, durante o primeiro dia do primeiro final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona sudoeste do Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli/Folhapress · Eduardo Anizelli/Folhapress — Foto: UOL
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