'Fomos ao primeiro turno quase às cegas', diz fundador da Petz na TV Folha
A ausência de discussões sobre a agenda econômica do país foi o principal tema do debate que abriu, neste domingo (4), a programação especial ao vivo da TV Folha sobre as eleições de 2026. Leia mais (10/04/2026 - 20h15)

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A ausência de discussões sobre a agenda econômica do país foi o principal tema do debate que abriu, neste domingo (4), a programação especial ao vivo da TV Folha sobre as eleições de 2026.

O encontro reuniu os repórteres especiais Folha André Borges , Joana Cunha , Alexa Salomão e o fundador da Petz, Sergio Zimerman , com a mediação da jornalista Flávia Lima , também repórter especial do jornal.
Zimerman foi o primeiro a apontar a questão, quando os presentes começaram a falar do jantar que os empresários brasileiros tiveram com os dois candidatos líderes das pesquisas, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) . Ao comentar o encontro com o petista , o fundador da Petz lamentou.
"O jantar foi um retrato de tudo o que estamos vivendo, um cenário de ausência de debates e propostas. Basicamente a proposta dos candidatos é falar: 'Você tem que votar em mim, porque [o país] não pode ter o outro’", afirmou Zimerman.

"Temos problemas graves de gastos, que acarretam juros, empresas quebrando, pessoas tendo dificuldades com as contas no supermercado, problemas severos de segurança nas grandes cidades… Cadê a discussão, gente? Fomos para o primeiro turno quase às cegas, sem saber o que o candidato de cada corrente pensa."
A jornalista Joana Cunha, que dividiu a cobertura do jantar com Alexa Salomão, disse que sua impressão, depois de conversar com empresários que deixavam o encontro, era de que alguns torciam para que haja um segundo turno, a fim de poder discutir os temas econômicos.
Já Salomão apontou que um dos assuntos estratégicos para a economia brasileira, os minerais críticos , também não teve destaque na campanha.

"Esse é um dos assuntos vitais do Brasil hoje, onde e como vamos entrar nessa cadeia de suprimentos. Tem a discussão das baterias, da produção dos chips … É uma discussão que não aconteceu", afirmou ela.
Os debatedores apontaram também como, enquanto o alto escalão do empresariado se preocupa com a discussão ideológica da campanha, empresários menores têm preocupações mais pragmáticas entre as que ficaram de fora da conversa.
"O cara da pequena confecção, o dono do restaurante… Eles estão mais preocupados com tributação, taxa de juros , inadimplência, coisas que são o dia a dia deles", disse Salomão.

Zimerman concordou. "As empresas estão endividadas, batendo recordes de recuperação judicial. E teve a taxa das blusinhas . Como empresário e cidadão, eu aplaudo [o projeto que acabou com essa tributação]. O que ninguém respondeu é porque continua a haver uma taxa de 100% para a mesma blusinha quando ela é produzida dentro do Brasil", disse.
Os debatedores do encontro seguinte continuaram na mesma toada. Na conversa, os repórteres especiais Fernando Canzian e Flávia Lima receberam os colunistas Adriana Fernandes , Laura Greenhalgh , Sergio Vale e Vinicius Torres Freire , além da jornalista Mariana Carneiro , secretária de Redação da Folha em Brasília.
Canzian iniciou a conversa apontando o que chamou de indigência da discussão econômica na corrida eleitoral e a falta de propostas dos candidatos diante da situação fiscal problemática do país. Segundo as previsões, a dívida pública do país deve saltar 12 pontos percentuais até o fim do atual mandato de Lula, fechando o ano em 83,7% do PIB.
"Toda vez que vemos os candidatos apresentarem projetos, são projetos que parecem de um país que não existe", disse Sergio Vale economista-chefe da MB Associados e pesquisador do IEA-USP (Instituto de Estudos Avançados da USP).
"E obviamente não dá para falar em ajuste fiscal a essa altura do campeonato, porque isso afugenta eleitor. Vimos isso acontecer nas últimas eleições, mas nessa então foi uma temeridade. Sabemos que vamos precisar passar por um ajuste fiscal significativo no ano que vem."
Torres Freire disse que o motivo de o eleitor estar no escuro sobre as propostas dos candidatos são os caminhos diferentes que o governo pode tomar para realizar um ajuste fiscal.
"Além de não sabermos o que eles querem fazer, não sabemos que tipo de ajuste vão tentar. E não sabemos quem serão as equipes econômicas", afirmou.
Os debatedores especularam sobre os caminhos da política econômica caso Flávio ou Lula sejam eleitos. No caso do petista, falou-se da possibilidade de Fernando Haddad assumir a Casa Civil e Gabriel Galípolo , atual presidente do Banco Central , ir para o ministério da Fazenda.
Já numa eventual eleição de Flávio, a dúvida é se, em seu início de mandato, ele não pode preferir usar o capital político tratando de outras questões —como a libertação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e outros condenados pela trama golpista.
"O primeiro objetivo deles é libertar o Jair Bolsonaro e amigos. Que equipe econômica vai ter tempo de chegar lá com um projeto?", indagou Torres Freire.
A aposta de Sergio Vale é que um ajuste fiscal acontecerá só no momento em que o país chegar a alguma crise.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/tv/2026/10/fomos-ao-primeiro-turno-quase-as-cegas-diz-fundador-da-petz-na-tv-folha.shtml.

A apresentadora do C-Level em São Paulo Flávia Lima conversa sobre o futuro dos negócios no Brasil. Participam da mesa os repórteres especiais André Borges, Joana Cunha, Alexa Salomão e o fundador da Petz, Sergio Zimerman - TV Folha · TV Fo — Foto: Folha de S.Paulo
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