Flávio toca um disco velho
Começou uma campanha eleitoral imprevisível e com cheiro de mofo. Lula foi a São Bernardo para relembrar as greves históricas de 1979, e Flávio Bolsonaro retomou o discurso errático de seu pai. Leia mais (08/18/2026 - 23h00)

Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Começou uma campanha eleitoral imprevisível e com cheiro de mofo. Lula foi a São Bernardo para relembrar as greves históricas de 1979, e Flávio Bolsonaro retomou o discurso errático de seu pai.
A imprevisibilidade começa quando, segundo a última pesquisa da Quaest, a percentagem de entrevistados que desaprovam o governo (48%) é superior à dos que aprovam (46%). Na realidade, esses números refletem um empate, e esse equilíbrio se repete num eventual segundo turno : Lula tem 43% e Flávio, 40%. As entrelinhas dessa pesquisa não permitem saber com precisão para onde irão as preferências dos outros candidatos num eventual segundo turno.
O cheiro de mofo vem da escolha de Lula para começar a campanha onde começou sua vida pública, há 47 anos . Cheira a mofada a essência do discurso de Flávio Bolsonaro em Copacabana, ecoando as falas do pai.

Em 2018, o antipetismo era difuso, Lula estava na cadeia e o comissariado enfrentava a adversidade com olímpica soberba. Hoje a situação é outra, prova disso é que o centrão declarou-se neutro . A consequência dessa posição só poderá ser medida na noite de 4 de outubro, com as urnas computadas.
Em 2018, Bolsonaro carregava o estandarte de Paulo Guedes, hoje seu filho oferece sucedâneos. O antipetismo de 2026 perdeu seu caráter difuso e ficou restrito a um horror visceral.
Nos últimos anos a economia viu a queda de gigantes da economia, como as redes varejistas tradicionais , as Americanas e as Casas Bahia , recorrendo à recuperação judicial. As causas das dificuldades são diversas. Nas Americanas vinham da fraude. Nas Casas Bahia há o fator tecnológico. Nos dois casos, a taxa de juros lunar .

Essas crises desempregam mais gente que os tarifaços de Trump, mas o governo, como todos os anteriores, acha que nada tem a ver com o problema, pois a taxa de juros vem do Banco Central . Verdade, mas quem expande os gastos públicos é ele.
Lula começou seu terceiro governo achando que poderia ajudar a acabar com a guerra da Ucrânia e chega ao final encrencado com dois encrenqueiros: Donald Trump e Javier Milei . Flávio Bolsonaro apresenta-se como remédio para esses males. Promessa de campanha. A Trump ele não pode e não deve dar o que ele quer. A Milei pode dar discursos e pouco mais que isso.
Com pouca plataforma, Bolsonaro 2º foi ao arquivo e de lá tirou o tema mofado das urnas eletrônicas , que seriam produzidas por uma empresa da Venezuela chavista. Não só essa patranha já foi desmentida, como o sistema eleitoral brasileiro, instalado há 30 anos, é defendido hoje pelo presidente do TSE , Kassio Nunes Marques . Quem o colocou no STF em 2020 foi Bolsonaro 1º, a partir de uma articulação de Flávio Bolsonaro. Sua recente desconfiança nas urnas é apenas falta de assunto.

O cheiro de mofo da campanha torna-se tóxico quando a operadora de planos de saúde Hapvida diz que poderá aumentar suas mensalidades em dois dígitos e nenhum candidato pergunta onde foi parar o estudo que pretendia debulhar a composição desses reajustes.
A campanha começou rala e mofada. Tomara que tome jeito.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/08/flavio-toca-um-disco-velho.shtml.

Na montagem, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) - Danilo Verpa - 27.fev.26 e Ricardo Stuckert - 12.mar.26/Folhapress e PR · Danilo Verpa - 27.fev.26 e Ricardo Stuckert - 12.mar.26/Folhapress e PR — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

