Flávio terá “revogaço” para reorganizar as contas, diz Daniella Marques
Coordenadora econômica da campanha defende corte de gastos, revisão de benefícios e reestruturação de estatais

Coordenadora econômica da campanha defende corte de gastos, revisão de benefícios e reestruturação de estatais
A coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, afirmou nesta 2ª feira (14.set.2026) que um eventual governo do senador terá como prioridade reorganizar as contas públicas, rever o funcionamento do Estado e reduzir entraves para empresas. A ex-presidente da Caixa defendeu um conjunto de mudanças que inclui revisão de gastos, “revogação” de regras e benefícios tributários e privatização de estatais.
“ Quem não cuida das contas não cuida das pessoas ”, afirmou durante o seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil, em São Paulo. Dani defendeu revogar uma série de regras para deixar o ambiente mais fluido.

Marques citou o aumento da dívida pública, de 71,67% para 82% do PIB no atual governo. Ela afirmou que, sem mudanças, o país poderá ultrapassar 100% do PIB em dívida rapidamente.
“ Existe um descontrole absoluto nas contas por parte desse governo ”, disse. “ O problema está aí e ele está refletido no balanço das empresas e das famílias .”
Para Marques, o ajuste fiscal deverá começar ainda durante a transição de um eventual governo Flávio. Ela afirmou que o candidato pretende apresentar uma proposta para limitar gastos dos 3 Poderes. Antes disso, pretende dar apoio ao projeto que acaba com a reeleição.

“ A 2ª medida é justamente levar ao colégio de líderes […] a discussão de uma PEC chamando os 3 Poderes para esse diálogo num esforço de um pacto para a autocontenção de gastos, para que a gente recupere a credibilidade do Brasil diante dos credores .”
Segundo ela, a medida teria como objetivo reduzir a percepção de risco e, consequentemente, os juros futuros.
Marques também citou como prioridade a PEC pelo fim da reeleição. Segundo ela, a mudança permitiria que o governo tomasse decisões pensando em um horizonte mais longo.
“O presidente já anunciou 2 medidas que achamos essenciais para o Brasil, porque economia é uma ciência, não é ideologia, que é a PEC do fim da reeleição […] para que a gente faça um governo focado nas próximas gerações e não nas próximas eleições.”
Sobre a reforma tributária, Marques afirmou que a equipe de Flávio é favorável ao arcabouço aprovado, mas pretende alterar pontos da regulamentação.
Segundo ela, a reforma tinha como objetivos simplificar o sistema e reduzir a carga tributária, mas acabou incorporando muitas exceções.
“ A discussão […] acabou virando uma colcha de retalhos de tantas exceções que cada um foi salvar o seu e salvou uma alíquota tão embaçada, para quem não tem exceções .”
Marques afirmou que a alíquota estimada em 28% seria “ a maior alíquota do mundo ” e disse que alguns setores, especialmente serviços, poderão enfrentar dificuldades.
“ Então, além disso, chegamos em 5 impostos e não em 2 .”
Apesar das críticas, ela disse que a campanha não pretende reabrir uma discussão legislativa completa sobre a reforma.
“ A gente é a favor do arcabouço, não acha que vale a pena iniciar uma discussão legislativa de novo .”
Segundo Marques, a campanha montou um grupo com mais de 10 PhDs em economia e tributaristas para estudar mudanças.
“ Nosso convite, nosso projeto é um projeto aberto ao diálogo. Então, quem tiver contribuições, olhando para a reforma como uma agenda de Estado, a gente está 100% aberto para esse diálogo .”
A reestruturação das empresas estatais também está entre as prioridades. Marques criticou a situação dos Correios e defendeu uma revisão das empresas controladas pelo governo.
“ Então, antes de qualquer nome […] a gente precisa reestruturar, sanear a profissionalidade, nova gestão, recuperar valor, fortalecer a governança e o time técnico de gestão .”
A ex-presidente da Caixa defendeu ainda uma análise individual das estatais para definir quais devem ser mantidas, reestruturadas ou liquidadas.
“ Algumas têm que ser liquidadas, como foi o caso da CEITEC ”, afirmou. “ Não faz sentido o Estado ter uma estatal de chip do boi ou ter uma TV estatal ou outras coisas que fazem sentido ou não .”
Sobre bancos públicos, Marques afirmou que a Caixa terá papel relevante na proposta econômica de Flávio.
“ A Caixa, principalmente, tem um papel muito importante no plano ”, disse.
Segundo ela, o banco deverá ser usado não apenas para oferecer crédito, mas também para orientação financeira e capacitação profissional.
“ A gente quer a Caixa como um braço na ponta, levando não só soluções de crédito, mas orientação financeira e capacitação para que o brasileiro possa crescer junto com o Brasil. ”
Ela chamou a proposta de transformar a instituição em um “banco da prosperidade” .
Marques também defendeu mudanças para aumentar a previsibilidade regulatória e reduzir o tempo de análise de projetos de investimento.
“ Uma coisa é você ser cuidadoso com a questão ambiental, outra coisa é você fazer um projeto intensivo em capital, como é a prospecção de minerais ou de petróleo, e não saber se a sua licença sai em 6 meses ou em 6 anos .”
Para ela, o Estado precisa oferecer previsibilidade para investimentos de longo prazo.
“ Os governos, eles transcendem, né, os investimentos e o horizonte de prazo de investimentos das empresas .”
Marques citou a Lei da Liberdade Econômica, aprovada durante o governo Bolsonaro, como uma das referências para essa agenda.
A coordenadora econômica afirmou que o objetivo geral é reorganizar o Estado, recuperar a confiança dos investidores e criar condições para que empresas possam investir com maior previsibilidade.
O seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil, reúne nesta 2ª feira (14.set.2026), na Casa Fasano, em São Paulo, ministros do governo Lula, representantes da campanha de Flávio Bolsonaro, congressistas, empresários e autoridades para discutir os desafios do país nos próximos anos. Participam, entre outros, os ministros Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento), Esther Dweck (Gestão) e Vinicius de Carvalho (CGU), além dos presidentes do BNDES, Aloizio Mercadante, e da Caixa, Carlos Vieira.
Painel 1 – Soberania e competitividade no mercado global (9h15)
Painel 2 – Corrida ao Senado: quem fala por São Paulo (10h15)
Painel 3 – IA: Uma agenda para o Brasil (10h50)
Painel 4 – Como garantir a universalização do saneamento? (11h40)
Painel 5 – Pacto pela segurança: integração, gestão e combate ao crime (12h45)
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/flavio-tera-revogaco-para-reorganizar-as-contas-diz-daniella-marques/.

“A Caixa, principalmente, tem um papel muito importante no plano”, disse Marques — Foto: Poder360
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