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    Flávio marca ato em Copacabana e avalia ida a cidade da facada para mobilizar base bolsonarista

    Há quatro anos, no 7 de setembro de 2022, em frente a uma multidão verde e amarela na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou Lula (PT) com um discurso anticorrupção : "Não sou muito bem-educado, falo palavrões, mas não sou ladrão". Pouco menos de dois meses depois, ele perderia a eleição presidencial para o petista. Leia mais (08/11/2026 - 16h18)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 19:18
    Flávio marca ato em Copacabana e avalia ida a cidade da facada para mobilizar base bolsonarista
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Há quatro anos, no 7 de setembro de 2022, em frente a uma multidão verde e amarela na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou Lula (PT) com um discurso anticorrupção : "Não sou muito bem-educado, falo palavrões, mas não sou ladrão". Pouco menos de dois meses depois, ele perderia a eleição presidencial para o petista.

    O senador Flávio Bolsonaro e o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante ato em Copacabana em março de 2025 - Pablo Porciuncula - 16.mar.2025/AFP · Pablo Porciuncula - 16.mar.2025/AFP
    O senador Flávio Bolsonaro e o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante ato em Copacabana em março de 2025 - Pablo Porciuncula - 16.mar.2025/AFP · Pablo Porciuncula - 16.mar.2025/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desta vez é o filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) , a escolher Copacabana como um marco na disputa pela Presidência. A praia será palco, no domingo (16) pela manhã, do primeiro ato oficial de sua campanha após o registro da candidatura.

    Sua equipe também avalia promover um ato na segunda-feira (17) em Juiz de Fora (MG), onde o ex-presidente foi esfaqueado na campanha de 2018. Ainda estão sendo estudadas questões logísticas, mas o entorno do senador garante que, se não agora, a cidade ainda deve aparecer no roteiro da campanha até o dia da eleição.

    Também no próximo domingo, Lula marca o início oficial da campanha à reeleição com um ato no estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), onde presidiu assembleias grevistas no final dos anos 1970.

    Os pré-candidatos à Presidência em 2026
    Os pré-candidatos à Presidência em 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se há quatro anos Bolsonaro reconhecia não ser "muito bem-educado", seu filho já se preparou para contornar esse problema ao se apresentar como a versão "vacinada" , ou moderada, do pai. Ainda assim, a escolha para dar o pontapé inicial da campanha em Copacabana reforça o vínculo com o ex-presidente e o interesse de Flávio em se colocar como seu sucessor.

    Segundo aliados do senador, a decisão foi tomada para tentar resgatar o movimento bolsonarista de rua e despertar o legado do ex-presidente —Copacabana ficou marcada como um dos lugares mais utilizados para manifestações em favor de Bolsonaro, que, assim como Flávio, tem no Rio de Janeiro seu berço político.

    Como mostrou a Folha , o parlamentar tem adotado a estratégia de reforçar sua identidade como herdeiro político do pai, emulando signos presentes na estética e no discurso do ex-presidente, que o ungiu como candidato.

    Ato de Bolsonaro em Copabacana em 2024
    Ato de Bolsonaro em Copabacana em 2024 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A tática se intensificou a partir de julho, diante da série de notícias negativas que atingiram a pré-campanha, como os laços com o banqueiro Daniel Vorcaro , do Banco Master, e do isolamento que levará Flávio a registrar sua candidatura sem alianças. Também há críticas internas no PL sobre a falta de mobilização da base bolsonarista.

    A aposta na identidade de Bolsonaro ficou clara ainda no slogan "O Brasil vai vencer", que começou a circular nos últimos dias. Em material produzido pela campanha, o "v" de Flávio é emprestado da grafia do ex-presidente em carta escrita por ele no fim do ano passado, quando escolheu o filho como sucessor.

    Para o cientista político Jorge Chaloub, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a escolha de Copacabana se explica pela tentativa de mobilizar a memória de Bolsonaro e pela tradição de vinculação da região a manifestações de direita, desde a ditadura militar.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por volta de 2015, a praia se tornou palco de protestos, primeiro pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e, posteriormente, de apoio à Operação Lava Jato . "Depois, Bolsonaro abraçou isso não só em atos de campanha, mas de governo", afirma.

    Chaloub avalia que as manifestações na praia também têm a esperança de aglutinar pessoas que estão passando pelo local, o que pode contribuir com uma das identidades que Flávio tenta reforçar: a de que ele representa o candidato das famílias.

    "Domingo é o dia em que as pessoas estão com a sua família. [A escolha] mobiliza esse imaginário de que o bolsonarismo é um movimento familiar e que a manifestação é um programa anexo ao almoço familiar de domingo."

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O professor também afirma que esse é um esforço para que o filho de Bolsonaro ocupe o lugar simbólico do único candidato de direita capaz de lotar Copacabana de apoiadores. Diz ainda que é mais fácil encher Copacabana do que a avenida Paulista, o que pode evitar o registro de uma manifestação esvaziada em um momento que já é difícil para a campanha.

    "É um tiro mais seguro. Se traz alguns militantes, mobiliza uma base, consegue vender a imagem de uma manifestação bem-sucedida."

    Não há, por enquanto, mobilização prevista para que um grande grupo de políticos ou militantes se desloquem para o Rio de Janeiro no domingo. Segundo um aliado de Flávio, é mais provável que outros apoiadores de peso, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) , estejam ocupados com o primeiro dia de campanha em seus estados.

    A campanha do senador tem a expectativa de promover uma manifestação na avenida Paulista no 7 de Setembro, seguindo a tradição dos últimos anos.

    Ainda que Copacabana venha a ser utilizada para resgatar a força de Bolsonaro, foi também no Rio de Janeiro que se desenrolaram os escândalos que atingiram a imagem de Flávio e da família.

    Entre eles, as suspeitas de "rachadinha" quando era deputado estadual, assim como a relação com o ex-capitão da PM Adriano da Nóbrega .

    Acusado de comandar uma milícia na zona oeste do Rio e de integrar um grupo de assassinos profissionais, Adriano teve familiares empregados por Flávio em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele foi morto em 2020 em uma operação conjunta das polícias da Bahia e do Rio.

    Para Chaloub, ainda que boa parte das acusações contra Flávio tenham "a cara do Rio de Janeiro", a escolha da cidade como palco do primeiro ato de campanha se justifica pela necessidade de ter um bom desempenho no estado.

    "Se não tiver, acho que não tem chance. Não dá para não enfrentar. Por outro lado, a aposta num ato cheio, em meio a uma mobilização mais intensa de atores internacionais, como [Javier] Milei e [Donald] Trump , pode ser um cartão postal para vender para fora. Para falar: ‘olha o ato do Flávio’. Isso se sobrepõe um pouco ao imaginário das acusações."

    Nas próximas semanas, a agenda de Flávio deve se concentrar na gravação de conteúdos com aliados para as redes sociais e para o programa eleitoral na TV, que estreia no próximo dia 28.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/flavio-marca-ato-em-copacabana-e-avalia-ida-a-cidade-da-facada-para-mobilizar-base-bolsonarista.shtml.

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