Flávio explora crise no STF com leviandade e cinismo
Agrava-se a cada dia a crise desencadeada no Supremo Tribunal Federal pelo escândalo do Banco Master , sem que se vislumbre saída capaz de restabelecer a normalidade e evitar traumas prolongados -e o afastamento liminar do diretor da Polícia Federal pelo ministro André Mendonça é apenas o episódio mais recente. Leia mais (09/08/2026 - 22h00)

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Agrava-se a cada dia a crise desencadeada no Supremo Tribunal Federal pelo escândalo do Banco Master , sem que se vislumbre saída capaz de restabelecer a normalidade e evitar traumas prolongados —e o afastamento liminar do diretor da Polícia Federal pelo ministro André Mendonça é apenas o episódio mais recente.
Deplorável e alarmante, tal cenário põe à prova a conduta dos candidatos a governar o país nos próximos anos. Deles se espera, antes da capacidade de diálogo político e institucional, a compreensão de que os valores republicanos e a solidez das instituições estão acima das querelas eleitorais. É tudo o que não demonstra Flávio Bolsonaro ( PL ).
Em comício no Dia da Independência, o senador fluminense não se contentou em fustigar o ministro Alexandre de Moraes , que esteve à frente do processo que condenou corretamente seu pai por tentativa de golpe de Estado e hoje está no centro do escândalo político-financeiro.

Com oportunismo rasteiro, buscou transformar a crise em peça de ataque ao rival na corrida ao Planalto e presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) — "Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes" , discursou. Trata-se de irresponsabilidade e cinismo.
Irresponsabilidade porque fulaniza de modo leviano uma questão gravíssima. O petista e o ministro se associaram, até indevidamente, em temas como a defesa da regulação de conteúdos na internet. Entretanto não se sabe de nenhuma providência tomada ou proposta pelo governo em favor das tramoias do Master.
Não é pouco diante da rede de influência nos três Poderes comprada pelo fraudador Daniel Vorcaro à esquerda, ao centro e à direita. Lula recebeu o então banqueiro fora da agenda, o que, embora impróprio, não se compara a desfrutar de favores ou contratos familiares milionários.

Cinismo porque é Flávio, dentre os postulantes à Presidência, quem mais deve explicações sobre as relações com Vorcaro. Foi ele o flagrado em mensagens amáveis e informais a cobrar os milhões do Master para financiar um filme laudatório ao pai, ex-presidente. É ele quem sonega o prometido detalhamento dos contratos para a obra, também na mira da Polícia Federal.
É desculpa esfarrapada alegar que se tratava de dinheiro privado. Àquela altura já eram notórias as relações promíscuas de Vorcaro e seu banco com políticos e as diversas instâncias da máquina pública. É preciso fingir idiotia para crer que ali se negociava um mero investimento na indústria cinematográfica americana.
Candidatos, como toda a sociedade, podem e devem criticar e questionar o STF e seus ministros. O momento exige, contudo, a postura do estadista que sabe separar o interesse nacional do varejo da busca de votos. Atiçar tensões em benefício próprio é estratégia bolsonarista surrada de afronta às instituições e fomento de tentações autoritárias.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/flavio-explora-crise-no-stf-com-leviandade-e-cinismo.shtml.

Flávio Bolsonaro (PL) discursa em ato da direita no Dia da Independência, em São Paulo (SP) - Bruno Santos - 7.set.26/Folhapress · Bruno Santos - 7.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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