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    Flávio e Moraes ganham apoios de quem tem memória e ideias seletivas sobre democracia e república

    Manifestos de empresários e da "sociedade civil", associações de gente bem-situada na vida, pedem "transparência" no Supremo. Sob muitos aspectos, têm razão. Pela decência básica, ao menos dois ministros do STF estariam com o pé na cova judicial. Sob outro aspecto, a revolta é seletiva, assim como vazamentos, inquéritos, juízes, a memória etc.

    UOL
    12 de setembro de 2026 às 19:00
    Flávio e Moraes ganham apoios de quem tem memória e ideias seletivas sobre democracia e república
    Homem careca veste terno preto, camisa branca e gravata vermelha com padrão, usando toga preta, em ambiente interno formal. Ao fundo, duas pessoas desfocadas também vestem ternos escuros. — Foto: UOL

    Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)

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    O ministro Alexandre de Moraes em sessão do STF - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress
    O ministro Alexandre de Moraes em sessão do STF - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Manifestos de empresários e da "sociedade civil", associações de gente bem-situada na vida, pedem "transparência" no Supremo. Sob muitos aspectos, têm razão. Pela decência básica, ao menos dois ministros do STF estariam com o pé na cova judicial. Sob outro aspecto, a revolta é seletiva, assim como vazamentos, inquéritos, juízes, a memória etc.

    Esquece-se da história de Flávio "Página Virada" Bolsonaro, investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Perto do passado dele, o que se sabe por ora do dinheiro para financiar as artes da família, o "Dark Horse", ainda é fichinha.

    A indignação foi inflamada pela divulgação de mensagens que Daniel Vorcaro enviava ao celular de um Alexandre de Moraes , pedindo ajuda para fugir da polícia. Esse "um" Alexandre de Moraes é um benefício generoso da dúvida. Para merecê-lo, o ministro teria de provar que o gângster na verdade ligava para o celular de um Zé Laranja Encerrabodes de Oliveira, não o de Moraes. Não sendo o caso, teria de explicar por que não chamou a polícia, ainda na hipótese generosa. Sem isso, o ministro estaria no bico do corvo em um mundo de processos legais.

    A ligação do STF com o Banco Master
    A ligação do STF com o Banco Master — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Por erro ou "erro" de procedimento de André Mendonça ou por chicana política, Moraes pode escapar, para aumento da indignação, mais típica de antilulistas. Lulistas defendiam Moraes e apontam, em parte com razão, que Mendonça colaborou com o autoritarismo bolsonarista. No mais, os Moraes e Bolsonaros levaram dinheiro de Vorcaro.

    O STF está em guerra de poder e eleitoral. Um vazamento pode decidir a eleição, temem ou esperam lulistas e bolsonaristas. Edson Fachin por ora vai levar só Moraes ao cadafalso; Mendonça fica para depois. Aliados de Xandão podem vir a alterar o processo, com a tese do "erro de procedimento" ou jogando o caso de mais ministros no ventilador. Fachin já sabe do destino do julgamento ou arrisca? De qualquer modo, mandou Mendonça abrir sigilos, acusação implícita de seletividade. Seja qual for o resultado da sessão de terça no STF, se houver terça, chicanas políticas vão cobrir de cinzas a "transparência", que será elogiada por quem vencer provisoriamente a disputa.

    Erro de procedimento é o elixir da vida de moribundos judiciais, embora devesse ser levado a sério. Erro de procedimento foi em parte o caso da Lava Jato; muito crime empresarial acaba nisso, sem motivar manifestos. Erro de procedimento foi o elixir de Flávio.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

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    Flávio foi denunciado em 2020 pelo Ministério Público por peculato, lavagem de dinheiro , apropriação indébita e organização criminosa. Era acusado de pegar o salário de seus funcionários na Assembleia do Rio de Janeiro e de lavar o furto pagando despesas pessoais e compras de imóveis com dinheiro vivo ou por meio da loja de chocolate. O dinheiro era recolhido por Fabrício Queiroz, elo de Flávio com milícia. Por falar em Rio, o grupo político de Flávio por lá, que dominava o governo, é ligado a facções, como o CV, e botou dinheirama de servidores no Master.

    A instância inadequada do processo ("foro") e a "imprestabilidade" de provas obtidas no Coaf levaram STJ e STF a enterrar o caso em 2021.

    A depender do voto para presidente e conveniência, "fatos" valem mais do que "procedimentos" e vice-versa. Para quem vier com a conversa de "falsas equivalências": como defender com razões seu projeto político sem perdão de bandalhas ou, mais importante, de adeptos da ruína democrática?

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/09/flavio-e-moraes-ganham-apoios-de-quem-tem-memoria-e-ideias-seletivas-sobre-democracia-e-republica.shtml.

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    O ministro Alexandre de Moraes em sessão do STF - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress — Foto: UOL

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