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    Flávio diz que não é preciso mexer em aposentadorias ou no salário mínimo para fazer ajuste fiscal

    O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ( PL ) afirmou nesta sexta-feira (28) que, se eleito, irá fazer um ajuste fiscal sem mexer na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo. Leia mais (08/28/2026 - 23h52)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 02:52
    Flávio diz que não é preciso mexer em aposentadorias ou no salário mínimo para fazer ajuste fiscal
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    O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ( PL ) afirmou nesta sexta-feira (28) que, se eleito, irá fazer um ajuste fiscal sem mexer na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo.

    Flávio Bolsonaro durante entrevista ao Jornal Nacional - Reprodução/TV Globo · Reprodução/TV Globo
    Flávio Bolsonaro durante entrevista ao Jornal Nacional - Reprodução/TV Globo · Reprodução/TV Globo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Não precisa fazer economia em cima dos aposentados", disse o presidenciável em entrevista à TV Globo . Ele defendeu um ajuste baseado em combate a fraudes na Previdência, corte de impostos, de cargos comissionados e de ministérios.

    "Vou fazer um governo enxuto, reduzir a quantidade de ministérios, cortar a burocracia, tesouraço nos impostos", disse ele, que se desviou das perguntas sobre qual seria o patamar da dívida pública em seu governo.

    A dívida pública bruta do país como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) fechou maio em 81,1%, contra 80,2% no mês anterior .

    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026
    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A declaração ocorre em meio à divulgação de uma nova proposta de reforma da Previdência que lança a ideia de alterar completamente a arquitetura dos sistemas de aposentadorias e benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O texto será apresentado aos candidatos à Presidência.

    Se adotada na íntegra, ao final deste século, a reformulação estabilizaria a despesa previdenciária na casa de 10% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo os autores. Hoje, o custo já equivale a 8% do PIB. Se nada for feito, chegará a 17% em 2100, afirmam.

    "Feita de forma mais ampla, como propomos, não será preciso discutir novamente outras reformas tão cedo", diz o coordenador do texto, o economista Paulo Tafner , uma referência no debate previdenciário desde a década de 1990 e que fez várias contribuições para a reforma anterior.

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    "A Previdência como está não para de pé", afirmou Tafner.

    Outro ponto que impacta a Previdência é a política de valorização do salário mínimo. Hoje, a fórmula de correção inclui reajuste pela inflação de 12 meses até novembro do ano anterior mais a variação do PIB de dois anos antes.

    O salário mínimo é baliza para uma série de despesas obrigatórias do Poder Executivo, como aposentadorias do INSS e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Sua correção interfere diretamente em algumas das despesas mais relevantes do Orçamento Federal.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Flávio negou mudanças nesse sentido. "Não farei economia com quem ganha salário mínimo", disse no Jornal Nacional, sem especificar se mudaria a regra de correção.

    Na entrevista, Flávio também criticou a taxa de juros —atualmente em 14% ao ano— e disse que "se o Brasil não tiver um ajuste fiscal forte, está fadado à falência de todo mundo". Ele responsabilizou o governo Lula (PT) pelo endividamento das famílias brasileiras, citando o aumento dos gastos públicos.

    Flávio acrescentou que uma vitória sua nas urnas aumentaria a confiança na economia brasileira e levaria a uma queda de juros na primeira reunião do Banco Central após sua posse.

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    Medidas para lidar com a inadimplência já haviam sido abordadas pela assessora econômica de Flávio, Daniella Marques, em entrevista à Folha . Ela afirmou que, se eleito, ele fará um programa de renegociação de dívidas para mais de 100 milhões de brasileiros, mas rejeitou a comparação com o Desenrola, do governo Lula .

    Também disse que o candidato se comprometeu a propor uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para reunir representantes dos três Poderes em um conselho para autocontenção de gastos.

    A ex-presidente da Caixa Econômica Federal foi a primeira entrevistada da temporada especial do C-Level Entrevista , videocast semanal da Folha sobre economia.

    Flávio também foi questionado sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. O presidenciável disse que "Lula procurou muito essa sobretaxa" ao atacar o governo americano. Em julho, o governo de Donald Trump impôs duas levas de tarifas sobre produtos brasileiros.

    As tarifas mais altas, de 25%, foram adotadas após uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais pela gestão Trump. O processo foi iniciado em julho de 2025 como uma das medidas anunciadas pelo republicano em reação ao que ele classificou como uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro ( PL ).

    A investigação americana mirou vários temas, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol e o Pix –empresas americanas de cartão de crédito alegam que o BC concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.

    Questionado sobre levar o Pix à mesa de negociações com os EUA se for eleito, Flávio respondeu que a ferramenta é inegociável. "O Pix é sagrado, foi feito na gestão do presidente [Jair] Bolsonaro, e não tem taxa porque o presidente exigiu que não tivesse", afirmou.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/flavio-diz-que-nao-e-preciso-mexer-em-aposentadorias-ou-no-salario-minimo-para-fazer-ajuste-fiscal.shtml.

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