Brasil

    Flávio Dino abusa da toga para reeleger Lula

    Se restava dúvida de que a degradação do Supremo Tribunal Federal descambaria para a atuação francamente partidária de seus ministros, ela foi dissipada no domingo (27), com a aberrante intervenção monocrática de Flávio Dino no Tribunal Superior Eleitoral. Leia mais (09/28/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 01:00
    Flávio Dino abusa da toga para reeleger Lula
    Homem de meia-idade com cabelos grisalhos penteados para trás, usando óculos de armação preta e terno escuro, com expressão séria e fundo escuro desfocado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters · Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters
    Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters · Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se restava dúvida de que a degradação do Supremo Tribunal Federal descambaria para a atuação francamente partidária de seus ministros, ela foi dissipada no domingo (27), com a aberrante intervenção monocrática de Flávio Dino no Tribunal Superior Eleitoral.

    Investido das atribuições típicas desta corte eleitoral, o ministro André Mendonça havia vetado uma série de manifestações em redes sociais que promoviam direta ou indiretamente a notícia falsa de que Flávio Bolsonaro ( PL ) trabalharia para derrubar o status de Nossa Senhora Aparecida de santa padroeira do Brasil.

    Pode-se criticar, como o faz esta Folha , a opção de legisladores e magistrados brasileiros de tratarem o cidadão e o eleitor como incapazes de discernimento. Partindo dessa falácia, a tutela sobre as expressões, mesmo as mentirosas, dá poderes extraordinários a quem tem o papel de julgar.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apesar disso, as leis e a jurisprudência para a censura em período eleitoral estão postas há décadas, e o tribunal competente para decidir sobre elas é o TSE .

    Em 2022, presidido por Alexandre de Moraes, o órgão proibiu a falsa associação do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) com o crime organizado. Também suspendeu manifestações que o ligavam à defesa do aborto, conectavam-no a corrupção ou diziam que ele proscreveria as igrejas evangélicas se eleito.

    Nenhum ministro do Supremo, onde havia dois indicados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), valeu-se da toga para atalhar a corte eleitoral e favorecer o então postulante à reeleição. A primazia descarada, quatro anos depois, coube a Flávio Dino para beneficiar seu padrinho, Lula.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O episódio acelera o esboroamento da autoridade do STF porque o atira de vez na arena partidária e amplia o arsenal da guerra entre facções internas. Ministros que não haviam descoberto o caminho das pedras para mandar individualmente em tudo o que quiserem agora o encontrarão.

    A vítima imediata da metralha de Dino é a centralidade da Justiça Eleitoral no Brasil. Sem esse árbitro imparcial e distanciado da política partidária, o pleito de 2022 teria corrido mais riscos em virtude do assédio de um presidente da República autoritário. Agora a ameaça parte de quem tem o dever de defender a Carta.

    O fato de o assediador vestir uma toga do Supremo Tribunal Federal não deveria deixar mais tranquilos os brasileiros ciosos das práticas institucionais consagradas. Dino, vale lembrar, também foi escolhido a dedo pelo PT —numa ação que versa originalmente sobre mineração (!)— em petição para investigar interferência estrangeira na eleição.

    Se o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, não intervier logo na balbúrdia, em pouco tempo o Brasil testemunhará uma mixórdia de decisões contraditórias de ministros que se acham plenipotenciários, cenário em que será crescente o risco de desobediência, com o colapso da confiança na corte.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/flavio-dino-abusa-da-toga-para-reeleger-lula.shtml.

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    Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters · Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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